Prefeitura realiza blitz contra a emissão de poluentes na capital mineira
Operação Oxigênio fiscaliza emissão de fumaça em veículos movidos a diesel na Região Norte de Belo Horizonte, nesta sexta-feira (17/7)
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Quem passou na manhã desta sexta-feira (17/7) pela Avenida Risoleta Neves, sentido Santa Luzia, logo após a estação São Gabriel, no Bairro São Gabriel, Região Norte de Belo Horizonte, se deparou com uma blitz da Guarda Municipal. A ação, porém, não foi uma fiscalização convencional.
A Operação Oxigênio (Operox), organizada pela Secretária Municipal de Política Urbana, realiza checagens como essa para a verificação da emissão de poluentes na capital mineira. A blitz de hoje foi a 40ª somente em 2026. Segundo a gerente de Fiscalização de Atividades Especiais da Secretária de Política Urbana, Wendy Colley, são escolhidos locais aleatórios na cidade para fazer as ações.
O foco da operação são veículos que utilizam diesel como combustível, já que grande parte da poluição na capital é causada por eles. No último inventário de emissões de gases de efeito estufa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o setor de transporte correspondia por cerca de 57% das emissões efetivas em Belo Horizonte.
A blitz é apenas a primeira fase de um processo de fiscalização. Na interceptação, a Guarda realiza a fiscalização da documentação do veículo e assim que liberado os agentes da Política Urbana podem realizar sua parte do trabalho.
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São parados veículos que possam apresentar alguma irregularidade ou que comumente apresentam esses problemas. Assim que parados, os fiscais pedem para que o motorista realize a aceleração do carro para observar se está saindo fumaça do escapamento. Não necessariamente a saída de fumaça significa irregularidade.
Os principais motivos das irregularidades, segundo Renato Amarato, fiscal de Controle Urbanístico e Ambiental da PBH, são a falta de manutenção e idade avançada da frota.
Veículos mais antigos têm variações na cor da fumaça devido às tecnologias da época. Os fiscais visualizaram o que sai do escapamento e decidem se o veículo está dentro dos parâmetros.
Caso ele não se enquadre, é agendada uma data de retorno do motorista, onde ele tem que levar seu carro até a base da Guarda Municipal para checagem da fumaça com dispositivos adequados.
“Nosso teste é visual, portanto qualitativo. Não fazemos a multa diretamente. Aqui é um filtro”, detalha o fiscal Renato Amaral.
Constatadas irregularidades, o motorista recebe um prazo de 30 dias para corrigir o problema, evitando multa posterior. “O proprietário é sempre orientado a fazer a manutenção antes de retornar”, explica Wendy.
No local de exame, é utilizado um opacímetro, que mede os parâmetros da fumaça que o veículo está expelindo. Se o carro permanecer irregular, é feita notificação ao motorista e nova convocação. Em caso de falha duas vezes no teste, o veículo é retido pelo órgão até situação de regularidade.
As multas aplicadas na operação tem dois principais motivos: a constatação de emissão de poluentes acima dos limites e o não comparecimento à inspeção veicular determinada. As penalidades variam de R$ 465,98 a R$ 5.055,71, conforme a infração.
Função educativa
Durante o momento da blitz, os motoristas também receberam um panfleto sobre emissão de gases, realizado em conjunto com o Programa Fiscalizar e Educar da Prefeitura. No material, os condutores podem visualizar o porque é importante as boas condições e informações sobre os possíveis causadores da fumaça em excesso.
O panfleto é complementado com maneiras de denunciar poluição veicular. Você pode reportar através do número de telefone 156 ou pelo site pbh.gov.br/serviços. Para a denúncia é necessário ter em mãos dados da placa do veículo, endereço da ocorrência e data e horário da constatação.
Impacto nos motoristas
O Estado de Minas conversou com motoristas que foram fiscalizados durante a intervenção. O motorista João Cirilo de Almeida, de 76, destaca a importância do tom não punitivo da abordagem. “Aqui é educativo. O caminhão não está na oficina toda hora e se tem alguma coisa você me avisa e vou mandar arrumar”, diz.
“O certo mesmo é isso, para a pessoa poder arrumar e olhar”, explica Luiz Carlos de Andrade, de 42. O motorista acredita na importância de ações como essa, mas destaca a falta de auxílio para realizar as manutenções. “Tem que ter um suporte da prefeitura. Nossas condições são muito precárias, às vezes têm que realizar a manutenção e não é realizada porque não conseguimos”, explica.
A fiscalização também chamou a atenção de quem transitava a pé pelo local. O segurança Cristiano Gonçalves observa que tem muito veículo irregular trafegando pelas vias de BH. "A longo prazo, pode ser causado um dano maior”, explica. Ele também concorda que a blitz deve ser realizada em diversos lugares para eficácia do combate a emissão de poluentes.
Wendy Colley afirma que os números de infrações vêm diminuindo. Segundo dados divulgados pela PBH, em 2025, a Operação Oxigênio contabilizou 1.713 vistorias, 1.048 veículos fiscalizados e 127 multas aplicadas. Até agora em 2026, os registros foram de 885 vistorias. 706 veículos inspecionados e seis autuações.
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* Estagiário sob a supervisão da subeditora Tetê Monteiro