SUPERAÇÃO

Quando o drama e a superação viram ferramenta para ajudar outras pessoas

Pedagoga aposentada, que se afundou no vício e foi parar na prisão, usa o sofrimento que viveu para ministrar palestras preventivas contra as drogas

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Ela entrou para o mundo das drogas e foi parar na prisão, onde passou por muito sofrimento. Hoje, usa o próprio drama que enfrentou para ajudar outras pessoas, especialmente, jovens, a se prevenir contra o vício. Esta é a história de superação da pedagoga aposentada Edinilse Pereira de Paula Arantes, de 52 anos, moradora de Montes Claros, no Norte de Minas.

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A pedagoga realiza trabalho voluntário de prevenção contra os entorpecentes, por meio de palestras e oficinas gratuitas em escolas, presídios, Centros de Referência em Assistência Social (Caps) e outras instituições.

Na prisão, Edinilse escreveu o livro intitulado “Do  inferno ao céu em 234 dias”, numa referência ao tempo que esteve atrás das grades. Nos textos, narra a sua história de vida e o que viveu no cárcere.

Ela conta que fez contato com substâncias tóxicas pela primeira vez aos 43 anos, após aceitar a “oferta” para “experimentar” cocaína em um grupo de amigos em Salinas, (também no Norte de Minas), sua terra natal. “Por causa da traição do meu ex-marido, na época, eu estava fragilizada mentalmente”, afirma Edinilse. Porém, acredita que tornou-se dependente química porque já era frágil desde criança, “por se sentir rejeitada pela mãe”.

Edinilse relata que, em 2016, mudou-se com o então marido José Antonio de Paula Nascimento para Jardinópolis, na região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Lá, conheceu uma mulher, da qual se aproximou. A nova amiga era usuária de drogas. “Um dia, ela me ofereceu um “pino” de cocaína. Desde então, passei a usar (droga) cada vez mais e tornei-me dependente química”, declara a pedagoga aposentada.

Ela lembra que, em novembro de 2018, já separada do ex-companheiro, decidiu voltar para a terra natal, no Norte de Minas. Tinha a esperança de sair do vício e de melhorar de vida. Mas aconteceu o contrário. Durante a viagem, Edinilse foi presa pela Policia Rodoviária Federal (PRF), em novembro de 2018, ao ser flagrada dentro do ônibus com drogas na bagagem. Foi levada para um presídio em Minas Gerais, onde permaneceu pelo tempo que registrou no titulo de seu livro.

Na capa da publicação, Edinilse escreveu: “ir para a cadeia foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida”. Em entrevista ao ESTADO DE MINAS, a ex-presidiária justificou”: “digo isso porque se eu não tivesse sido presa eu não estaria mais aqui, até porque tive um problema de cardiopatia (no coração). (Como) eu usava muita droga e não iria conseguir parar. Então, o período que fiquei presa foi o tempo para meu corpo descansar”.

Depois de ganhar a liberdade, contudo, em julho de 2019, Edinilse teve várias recaídas e chegou até a usar crack. “O motivo das recaídas foi que, ao deixar a prisão, sofri muito preconceito dentro da minha própria família. Os amigos também se afastaram”, alega.

Edinilse conta que somente conseguiu se livrar do vício das drogas em 2022, após permanecer sete meses internada, voluntariamente, em um centro de recuperação no município de Bocaiuva (também no Norte de Minas). Apesar de ter conseguido vencer o vício após a internação voluntária, ela afirma que o trabalho das comunidades terapêuticas, por si só, não é suficiente para a recuperação dos dependentes químicos.

“Na verdade, embora eu tenha sido internada, eu nao fui recuperada numa clínica, onde apenas tive uma pausa (no uso de entorpecentes). A minha recuperação ocorreu quando estava em liberdade”, disse a aposentada, salientando que recebeu o tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (CAPS AD). “O trabalho das clínicas de recuperação tem o seu valor, mas pode melhorar”, opina.

No final de 2023, Edinilse Arantes iniciou o trabalho voluntário, ministrando oficinas de artesanato e palestras sobre a prevenção ao vício. Ela argumenta que o objetivo é usar a sua “via crucis” e a sua superação para ajudar outras pessoas. “O propósito é transformar a dor, tudo que passei, em esperança para as pessoas, especialmente, aquelas que sofrem com a dependência química.. Procuro mostrar que sempre há uma esperança de uma vida melhor”.

A pedagoga aposentada relembra episódios que encarou como ex-presidiária e ex-dependente química. “Eu dou um testemunho de vida e explico como entrei no mundo das drogas. Também faço uma “adaptação” da linguagem dos fatos para as crianças, pois sou contadora de estórias”, ressalta Edinilse. Entre outros fatos, detalha como entrou no mundo das drogas e como “caiu” e foi presa.

A palestrante prioriza sua fala para jovens, orientando sobre evitar o vício das drogas. “É preciso cuidar da saúde mental e emocional. Se você tiver um problema familiar ou enfrentar algo mais difícil, mergulhe dentro de você mesmo e procura saber de onde vem a dor”, afirma Edinilse, que é mãe de dois filhos: Pricilla Evely Ferreira Silva, de 35 anos; e Victor Silva, de 33.

Ela relata que também orienta os jovens a evitar a “porta” de entrada para o mundo das drogas: o primeiro contato com as substâncias entorpecentes. “Se alguém chegar e oferecer (a droga) e dizer que é bom, “que é gostoso”, a primeira coisa que você tem que fazer é não aceitar. A princípio, a droga proporciona um prazer momentâneo. Mas, depois você entra em uma viagem quase sem volta. Eu falo isso e, no livro, escrevi o capítulo “drogas, uma viagem (quase) sem volta” porque são poucas pessoas que chegam no lugar (ruim) que cheguei por causa das drogas e conseguem se recuperar”, conclui Edinilse.

Hoje, ela garante que superou completamente o vício e mora em um bairro simples de Montes Claros com o atual companheiro, o pedreiro Antônio Augusto Pereira Xavier. Edinilse disse que sua meta é ampliar sua ação voluntária, a fim de reforçar a prevenção contra as drogas com atividades em escolas e outras entidades, desejando ainda ter um espaço para desenvolver o trabalho com crianças e jovens. Por isso, recorre ao pedido de ajuda das pessoas.

Os seus contatos, para quem quiser contribuir, são:

Email: edinilsearantes40@gmail.com

Instagram: Edinilse _Arantes

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