Viagem de férias? Confira guia para o passeio não derrapar nas BRs de Minas
Mapeamento mostra trechos mais críticos nas principais BRs que cortam o estado, além dos números de desastres e vítimas nos meses de julho dos últimos 4 anos
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Estradas cheias e escalada de desastres. Quem se programa para usar rodovias federais mineiras para viajar nas férias escolares deste mês de julho deve estar atento aos riscos que se multiplicam pelo caminho. É o que mostra guia preparado pela reportagem do Estado de Minas mapeando sinistros, vítimas e riscos em alguns dos mais movimentados e principais corredores viários que cortam o estado.
As concessionárias da BR-040 – EPR Via Mineira (trecho Sul) e Via Cristais (Norte) – projetam 15% mais veículos no período de recesso escolar. A Way-262 (concessão da BR-262 de Betim a Uberaba) registrou 970 mil veículos em julho de 2025 e prevê que o fluxo passe de 1 milhão neste ano. Em paralelo, a tendência é de aumento de acidentes. A média de sinistros do mês, entre 2022 e 2024, de 668 registros, subiu 9,2% se comparada com o mesmo período de 2025, quando ocorreram 730.
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As vias analisadas foram a BR-381, BR-040, BR-262, BR-116, BR-365 e BR-251, a partir dos registros de ocorrências da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O número de mortos, por outro lado, caiu 12%, de uma média de 58, entre 2022 e 2024, para 51 no mês de julho de 2025. O recuo nas fatalidades se deu devido a uma forte queda nas rodovias BR-116 (-25%), BR-262 (-31,5%) e BR-381 (-60%). Por outro lado, o quantitativo de pessoas mortas aumentou na BR-040 (+18,1%), na BR-365 (+69,8%) e na BR-251 (+204,3%), seguindo o mesmo comparativo.
Quando e onde ter mais atenção?
De forma geral, as concessionárias das rodovias procuradas pela reportagem estimam os maiores volumes de saída para as viagens de férias a partir da Grande BH entre os dias 17 e 24 de julho, enquanto o retorno deve se concentrar em 26 de julho e em 2 de agosto.
Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), responsável pelas rodovias estaduais, atualmente há, na malha sob responsabilidade do estado, um trecho interrompido e com desvio de tráfego (em Igaratinga, no Centro-Oeste de MG), seis em variante (contornos) e 43 em meia pista.
Já o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pelas rodovias federais, informa que, durante o período, “ocorrem interdições parciais e temporárias na BR-381, no segmento entre Belo Horizonte e Caeté, em razão da execução de serviços de recapeamento”. Nas demais rodovias federais do estado, não há registros de interdições, e as vias apresentam boas condições de trafegabilidade, segundo o órgão.
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O mapeamento dos meses de julho, entre 2022 e 2025, feito pela equipe do EM, levou em conta também sequências de 10 quilômetros que compuseram os segmentos mais violentos das rodovias BR-040, BR-381 e BR-262, com avaliação da PRF sobre riscos nesses locais e fatores que levaram aos sinistros, para que os viajantes possam se precaver.
Via mais movimentada de Minas, a BR-381, no sentido São Paulo (Rodovia Fernão Dias), registrou os desastres que mais custaram vidas devido à alta velocidade nos trechos rurais do Sul de Minas, enquanto aqueles que resultaram em maior número de veículos acidentados se concentraram nas áreas urbanas da Grande BH.
Entre Contagem e Betim, na região metropolitana da capital, o risco entre os Kms 480 e 499 decorre da saturação do fluxo e da distração de condutores. Pistas duplas ou múltiplas, repletas de veículos em movimentos inconstantes, levaram a reações tardias e à ausência de respostas à dinâmica do trânsito. O principal problema é o efeito sanfona provocado pela mistura de veículos pesados com o fluxo local, gerando colisões traseiras em série e engavetamentos que travam a rodovia.
O fator de maior letalidade nos trechos de Contagem a Betim é o atropelamento de pedestres no período noturno, decorrente de travessias irregulares combinadas com visibilidade comprometida.
No ambiente rural, a alta velocidade cobrou vidas no período, com destaque para o segmento entre os Kms 787 e 796, em São Gonçalo do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais. Apesar de poucos acidentes (11), os desastres têm alta taxa de letalidade, tendo provocado seis mortes. Em pista seca, falhas em mudanças de faixa causaram colisões laterais devastadoras. Sob chuva, o traçado sinuoso, somado ao acúmulo de água no pavimento, transformou o trecho em uma zona crítica para aquaplanagem, saídas de pista e tombamentos de carretas.
Riscos na “Rodovia da Morte”
No sentido Sul da BR-381, entre BH e Governador Valadares, a chamada Rodovia da Morte demonstrou, nos meses de julho, maiores riscos relativos à transição abrupta de um ambiente rural, sinuoso e escuro para os arredores de grandes cidades, o que exige mudança de postura dos condutores, como redução de velocidade e atenção a travessias e acessos.
Os diversos acessos, interseções e bairros entre Sabará e Santa Luzia são concentradores de desastres e mortes. Entre os Kms 437 e 449, foram registrados 29 sinistros, três mortos e 38 feridos no período analisado. Trata-se de uma pista simples, com tráfego intenso durante o dia, marcada por ultrapassagens arriscadas e colisões severas devido ao excesso de velocidade.
Manobras de condutores cruzando a pista para entrar em bairros trazem riscos de colisões laterais violentas. Nos dias de fluxo intenso, como no recesso, motoristas distraídos ou trafegando colados a outros veículos geraram engavetamentos nas retas, sob luz do dia.
Com 16 sinistros, quatro mortos e 23 feridos, o segmento entre os Kms 421 e 430, entre Caeté e Sabará, adiciona, ainda, os riscos decorrentes das obras de duplicação em um trecho rural e sinuoso, com curvas acentuadas propensas a tombamentos e saídas de pista por velocidade incompatível e distração.
Trechos em obras são dinâmicos, com desvios repentinos, presença de brita na pista, poeira que reduz a visibilidade e barreiras físicas temporárias. Caminhões carregados tendem a tombar nas curvas acentuadas desse trecho se entrarem com velocidade incompatível, arrastando o que estiver na faixa ao lado.
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A escuridão da noite é o maior risco entre os Kms 328 e 337, de Nova Era a João Monlevade. Foram cinco sinistros, três mortes e três feridos nesse segmento de traçado sinuoso. O excesso de velocidade esteve presente nessa faixa de horário em 80% dos desastres fatais, tanto em colisões quanto em atropelamentos de pedestres.