LATROCÍNIO

Casal de idosos morto em BH: PC usa luminol para identificar arma do crime

Perícia da PC tenta encontrar faca usada por diarista para matar Cláudio e Maria Clotilde Atala Inácio. Paola Stefany segue detida após ter a prisão preventiva

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A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) realizou, nessa segunda-feira (6/7), novas diligências para desdobrar as investigações do duplo latrocínio do casal de idosos Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, encontrados mortos dentro do apartamento onde moravam no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

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A principal suspeita, a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, que confessou o crime, teve a prisão convertida em preventiva na sexta-feira passada (3/7) e segue detida.

Ontem, equipes policiais retornaram ao apartamento onde os idosos viviam. Os peritos usaram uma substância reagente, chamada luminol, capaz de detectar vestígios de sangue, na tentativa de encontrar a faca usada no crime. O objetivo é dar sequência às apurações e verificar se outras armas foram utilizadas para matar o casal.

Na decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que converteu a prisão em flagrante em preventiva, constava que, além de dopar o casal com um medicamento que deixou os dois sonolentos, Paola utilizou uma faca de caça para desferir golpes contra as vítimas.

Maria Clotilde foi assassinada na sala com facadas que atingiram sua garganta, queixo, tórax, pescoço e pelve. Já Cláudio foi atacado com facadas distribuídas principalmente pelas costas, pescoço e abdômen. O número de golpes citado pela juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto era estimado inicialmente pela polícia — sete golpes na mulher e 14 no marido. Mas foi ainda maior. A perícia nos corpos apontou mais de 40 facadas no homem e 14 na esposa, segundo divulgou a Polícia Civil. Os investigadores ainda analisam a possibilidade de que outra arma da residência tenha sido usada nos assassinatos.

Questionada sobre os detalhes das diligências realizadas, a PCMG informou em nota que “informações relacionadas aos elementos probatórios arrecadados, incluindo eventual localização, identificação ou características da arma utilizada, bem como hipóteses sobre a dinâmica do crime, serão divulgadas ao término da investigação. As diligências prosseguem com o objetivo de esclarecer completamente a motivação, a dinâmica e todas as circunstâncias do crime”.

Paola Stefany segue presa. Na sexta, na audiência de custódia, a defesa solicitou a concessão de prisão domiciliar pelo fato de a investigada ser mãe de uma criança menor de seis anos, a expedição de ofícios de unidades de saúde onde ela recebeu atendimentos anteriores e o segredo de justiça ao processo. Todos os pedidos foram negados pela juíza.

O advogado que representa a mulher, Bruno Correa, afirmou que a saúde mental da cliente será um dos pontos centrais da análise técnica e não descartou solicitar um incidente de insanidade mental ao longo do processo. Segundo ele, Paola possui um histórico pessoal “extremamente conturbado” e sempre buscou tratamento médico-psiquiátrico, embora a defesa ainda aguarde o envio formal dos laudos e receitas médicas.

O crime

Em 30 de junho, Maria Clotilde e Cláudio Atala Inácio foram encontrados mortos pelo filho, Felipe, após horas de tentativas frustradas de contato telefônico. Paola trabalhava como diarista no apartamento, após indicação de um primo de Maria Clotilde. Após dopar os idosos e matá-los a facadas, a autora arrombou uma gaveta destinada ao armazenamento de semijoias e pegou os aparelhos celulares do casal.

Câmeras de monitoramento do condomínio registraram que Paola entrou no prédio às 7h30, portando apenas uma bolsa, e saiu por volta das 15h30 utilizando roupas diferentes das que vestia ao chegar. A faca de caça usada nos assassinatos, os valores furtados e as vestimentas com resquícios de sangue foram posteriormente apreendidos pelas equipes policiais.

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Na manhã seguinte ao crime, Paola arrumou as malas e saiu de casa com o filho de seis anos, alegando aos parentes que faria uma viagem de passeio para o Espírito Santo porque a criança estava afastada da escola por motivos de saúde. Em vez disso, fugiu para o interior de Minas. A Polícia Civil localizou a suspeita na noite de 1º de julho, hospedada em um quarto de hotel em Itabira, na Região Central, onde foi presa em flagrante às 22h45. Ao ser abordada, Paola confessou os assassinatos, alegando que estava em meio a um “surto psicótico”.

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