O motorista de aplicativo de 59 anos que foi preso ontem (2/6), em uma corrida que teve como destino o bairro Santa Maria, na Região Oeste de Belo Horizonte, pelo estupro de uma mulher grávida de 28 anos já havia feito outras vítimas utilizando o mesmo procedimento. A informação foi confirmada pelas autoridades policiais, que agora centralizam as investigações no mapeamento do histórico criminal do suspeito.

O homem foi preso preventivamente em Extrema (MG), no Sul do Estado, ao ser detido pelas forças de segurança e, com a repercussão do caso, novos relatos e denúncias começaram a surgir, indicando que a violência praticada contra a gestante não foi um episódio isolado.

O caso que deu origem às investigações ocorreu durante uma corrida iniciada na capital mineira com destino a Sarzedo, na Região Metropolitana. Durante o trajeto, o condutor passou a proferir comentários de cunho sexual e, mediante violência, forçou a mulher, grávida, a praticar atos sexuais. Segundo o relato policial, a vítima chegou a implorar pelo fim das agressões, alertando sobre seu estado de gestação e mencionando que tinha outros filhos, mas foi ignorada.

Para comprovar a dinâmica do crime, os investigadores cruzaram os dados telemáticos fornecidos pela plataforma de transporte. A análise dos registros confirmou anomalias graves no trajeto: em vias de trânsito rápido, onde os carros trafegam a cerca de 80 km/h, o suspeito reduziu drasticamente a velocidade para médias entre 10 km/h e 20 km/h, chegando a desligar o motor do veículo em determinado momento.

Rastro de assédios 

Segundo as investigações conduzidas pela delegada Larissa Mascotte, minutos após cometer o crime contra a gestante, o investigado embarcou outra passageira, que também sofreu assédio sexual e tentativas de desvio de rota. O histórico do suspeito, que já foi candidato a vereador em Betim e levava uma vida aparentemente comum, veio à tona após a denúncia da primeira vítima, encorajando relatos de diversas outras mulheres que descreveram abusos semelhantes sofridos a bordo do veículo do agressor.

A confirmação de que o agressor possui um histórico de ataques em série muda o patamar das investigações conduzidas pela Polícia Civil. De acordo com fontes ligadas ao caso, outras mulheres já reconheceram o motorista ou relataram abordagens com o mesmo padrão de violência e intimidação durante viagens contratadas por meio de plataformas digitais. O foco dos investigadores, neste momento, é cruzar os dados de boletins de ocorrência anteriores e ouvir potenciais outras vítimas para consolidar um inquérito robusto contra o suspeito.

Logo após o crime, o comportamento predatório do motorista continuou. A segunda passageira a embarcar na sequência relatou à polícia ter sido alvo de investidas de cunho sexual. Ela percebeu quando o homem tentou alterar a rota indicada pelo GPS e o confrontou, conseguindo desembarcar e evitar que a situação progredisse para uma agressão física.

"Nós encontramos várias mulheres comentando que também haviam sofrido assédio sexual a bordo do veículo conduzido por esse motorista. Porém, essas pessoas preferiram, até o momento, não formalizar denúncia", explicou a delegada.

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Em depoimento, o investigado admitiu a realização da corrida, mas negou o estupro, alegando que os atos sexuais foram consensuais e iniciados pela própria passageira, versão descartada pela Polícia Civil diante das provas técnicas apresentadas. O motorista permanece preso preventivamente e está à disposição da Justiça.

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