ESQUEMA DE FRAUDES

Polícia desarticula esquema que causou prejuízo superior a R$ 100 milhões

Segunda fase da Operação Alienatio Ficta prende envolvidos em organização criminosa especializada em fraudes veiculares em MG e outros estados

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Os resultados da segunda fase da Operação Alienatio Ficta, que investiga uma das maiores organizações criminosas especializadas em fraudes veiculares já identificadas no estado e possivelmente no país, foram apresentados pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) nesta sexta-feira (19/6). A operação já resultou na prisão de nove suspeitos, na apreensão de veículos de luxo avaliados em cerca de R$ 5 milhões e na identificação de mais de 2 mil veículos ligados ao esquema criminoso, cujo prejuízo estimado pode ultrapassar R$ 100 milhões.

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Durante coletiva de imprensa, o delegado Filype Utsch detalhou o funcionamento da organização, que atuava em diversos estados brasileiros fraudando financiamentos, transferências de propriedade, seguros veiculares e sistemas de vistoria.

"Foram mais de 2 mil veículos identificados até o momento. Sem dúvida, é uma das maiores investigações envolvendo fraudes em transferências veiculares já realizadas pela instituição", afirmou.

De acordo com as investigações, o grupo utilizava dados de veículos reais para obter financiamentos fraudulentos junto a instituições financeiras. Em alguns casos, os automóveis sequer haviam sido emplacados e ainda permaneciam nos pátios das montadoras quando já constavam como alienados em operações de crédito.

As apurações tiveram início após representantes jurídicos da montadora Stellantis procurarem a Polícia Civil ao identificar cerca de 500 veículos zero quilômetro que apresentavam registros de financiamento sem qualquer autorização ou comercialização. A partir desse núcleo inicial, os investigadores descobriram uma rede criminosa com ramificações em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.

De acordo com o delegado, a organização possuía uma estrutura hierarquizada, com líderes responsáveis pela divisão de tarefas, movimentação financeira e lavagem de dinheiro. Os chefes do grupo, localizados nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, foram presos na primeira fase da operação.

Na segunda etapa, realizada entre 4 e 12 de junho, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em cidades paulistas, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e também no Paraná. Entre os presos estão operadores responsáveis pelas transferências fraudulentas de veículos, vistorias irregulares e demais procedimentos necessários para viabilizar os golpes.

As investigações apontam que o esquema contava com empresas de vistoria utilizadas para inserir informações falsas nos sistemas de controle veicular. Com isso, um único automóvel podia servir de base para múltiplos financiamentos fraudulentos, utilizando dados adulterados de chassis, placas e registros oficiais.

Além dos financiamentos ilegais, o grupo também obtinha lucros por meio de fraudes contra seguradoras. Após a contratação de seguros para veículos envolvidos nas irregularidades, eram comunicados falsos furtos ou roubos para obtenção indevida de indenizações.

Durante as duas fases da operação, a Polícia Civil recuperou aproximadamente R$ 5 milhões em ativos, incluindo veículos de alto padrão como Porsche Macan, Mercedes-Benz AMG, Mercedes-Benz CLA 200, Mercedes-Benz S63, Dodge Ram 2500 e outros automóveis de luxo. Também foram bloqueados cerca de R$ 300 mil em contas bancárias ligadas aos investigados.

Os policiais apreenderam ainda celulares, documentos e registros que reforçam a ligação dos suspeitos com o esquema criminoso. Parte desse material, segundo a investigação, comprova a participação de empresas de vistoria na operacionalização das fraudes.

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A próxima etapa da Operação Alienatio Ficta deverá concentrar esforços na identificação de integrantes do chamado "elo bancário" da organização e de possíveis servidores públicos que tenham facilitado a execução das transferências fraudulentas. A Polícia Civil já possui alvos identificados e avalia as medidas judiciais cabíveis para aprofundar as investigações.

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