FORMAÇÃO DE CARTEL

Policial e agentes públicos são alvo de operação por esquema de placas

Operação deflagrada nesta quarta-feira (10/6) pelo Ministério Público contou com a participação da Polícia Civil, que atua nas investigações; entenda

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Uma operação para desarticular uma organização criminosa atuante na Zona da Mata mineira foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (10) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio da Polícia Civil. O esquema, voltado à fabricação e estampagem de placas automotivas, envolveria agentes públicos e estaria relacionado a corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e formação de cartel.

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Um policial civil, alvo da operação, é suspeito de repassar informações sigilosas da corporação ao núcleo empresarial investigado. Na primeira fase da investigação, uma arma de fogo e munições pertencentes ao agente foram localizadas pela Polícia Civil na residência de um médico de Ubá, também alvo de medidas cautelares.

Ao todo, foram cumpridos oito mandados judiciais em Ubá, incluindo dois de busca e apreensão e um de afastamento cautelar de servidor público, além da determinação de uso de tornozeleira eletrônica. O MPMG não divulgou nomes nem quantas pessoas são investigadas.

De acordo com o órgão, os investigados atuavam por meio de diferentes núcleos — como coação, contábil e financeiro —, “aliciando empresas do setor para participarem de um esquema de cartel”. O grupo buscava controlar o mercado e restringir a concorrência, com fixação artificial de preços e manipulação da oferta de produtos.

Coação e ameaça contra empresários 

“Os envolvidos realizavam o controle do faturamento declarado por dezenas de empresas e, posteriormente, distribuíam os lucros entre os participantes, conforme critérios internos, como o tempo de atuação no mercado. Há ainda indícios de que o grupo utilizava pessoas interpostas (‘laranjas’) para a prática de lavagem de dinheiro e outras irregularidades, além de empregar coação e ameaça contra empresários que tentavam resistir à adesão ao esquema”, afirmou o MPMG.

Nesta etapa, é apurada a existência de um possível núcleo de corrupção dentro da associação investigada, com indícios da participação de agentes públicos no esquema.

O Gaeco afirmou que a ação representa um esforço conjunto entre o Ministério Público e a Polícia Civil de Minas Gerais no combate ao crime organizado na região. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre a atuação do grupo.

Primeira fase da operação

A primeira fase ocorreu em 21 de maio, quando foram cumpridos 37 mandados em Muriaé, Perdões, Ubá, Visconde do Rio Branco, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, incluindo 19 de busca e apreensão, 10 medidas cautelares de monitoramento eletrônico e oito determinações de suspensão de atividades de empresas ligadas à estampagem e comercialização de placas veiculares.

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Na ocasião, foram apreendidos mais de R$ 30 mil em espécie, além de eletrônicos, computadores, uma arma de fogo e outros materiais considerados de interesse das investigações.

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