A delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Wanessa Santana Martins Vieira, de 38 anos, investigada por emprestar uma viatura descaracterizada ao marido, Renan Rachid, também de 38, teve a licença para tratamento de saúde renovada por mais 45 dias. A decisão foi publicada na edição de sábado (9/5) do Diário Oficial de Minas Gerais e passa a valer a partir desta segunda-feira (11/5).
O casal foi preso após o companheiro ser parado em uma blitz no dia 10 de março, na Avenida Presidente Antônio Carlos, na Pampulha, em Belo Horizonte, enquanto dirigia a viatura. Em 15 de abril, o primeiro afastamento da delegada foi publicado pelo Hospital da Polícia Civil no Diário Oficial do estado. Procurada pela reportagem, a PCMG informou, em nota, que “a renovação de licença para tratamento de saúde de servidores ocorre regularmente, conforme previsão legal e mediante avaliação médica competente, observados os procedimentos administrativos aplicáveis”.
Em relação ao caso da delegada, a corporação diz que as apurações seguem em andamento, sob responsabilidade das unidades competentes, visando à completa elucidação dos fatos. “Outras informações não serão divulgadas no momento para não comprometer o andamento das investigações”, conclui.
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Ainda em abril, a Justiça negou o pedido da defesa de Renan para que o inquérito de peculato corresse em sigilo. Na solicitação, os advogados dos investigados alegaram proteção à imagem, somada à anexação de receituários médicos não especificados, que, segundo a Justiça, não são argumentos suficientes.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) negou o pedido, sustentando que houve suposto desvio de patrimônio do estado (viatura policial), que foi usado para fins particulares por agentes oficiais, o que reforça o interesse público do caso.
Para o MP, o argumento de preservação da imagem e da reputação profissional dos envolvidos não tem embasamento jurídico suficiente para desativar o princípio constitucional da publicidade e que o constrangimento inerente a qualquer investigação criminal não autoriza a decretação de um sigilo integral do processo.
Relembre o caso
Em 10 de março, o advogado Renan Rachid foi preso em flagrante após ser pego dirigindo uma viatura descaracterizada na Avenida Presidente Antônio Carlos, na Região da Pampulha. O carro era de responsabilidade da delegada da Polícia Civil Wanessa Santana, que também foi presa e, assim como o marido, indiciada por peculato.
Segundo a Polícia Civil, a fiscalização foi planejada por causa de denúncias anônimas feitas à Corregedoria da corporação e à Ouvidoria do Estado em fevereiro deste ano. As informações indicavam que o advogado usava o carro da instituição para ir ao trabalho.
Durante a operação, os policiais identificaram um veículo com as características descritas nas denúncias e deram ordem de parada. No momento da abordagem, o motorista se apresentou como advogado e mostrou a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
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Ao confirmarem que o carro pertence à frota da Polícia Civil e que o motorista não é servidor público, os agentes levaram o homem até a corregedoria. O veículo foi apreendido e encaminhado para perícia. Enquanto isso, outra equipe do órgão foi até a casa da delegada responsável pela viatura. Ela foi levada para prestar esclarecimentos e também teve a prisão em flagrante confirmada.
