A égua que caiu na adutora do Sistema Rio das Velhas foi localizada e retirada na manhã desta quarta-feira (6/5), após uma operação que mobilizou equipes técnicas da Copasa durante toda a madrugada. O animal teria caído na adutora na segunda-feira (4/5) e, a Copasa, foi acionada na terça (5/5). O caso provocou a interrupção do abastecimento de água em Belo Horizonte e cidades da região metropolitana.

Rodrigo Aparecido é tutor da égua Amora, de sete anos, e afirma viver momentos de angústia e ainda não tem certeza se o animal encontrado pela Copasa é, de fato, o seu animal. Segundo ele, a queda aconteceu na segunda-feira (5/5), por volta das 16h30, durante um passeio. 

De acordo com Rodrigo, a égua era dócil, estava prenha e tinha um filhote de cinco meses. “Ela não era de ficar na rua, estava no cabresto quando levei para passear”, relatou.

Rodrigo questiona a identificação da égua retirada da adutora e cobra confirmação. “Na filmagem, ela aparece de longe e a cor não parece ser a dela. Quero uma foto de frente para ter certeza”, disse. “Quero saber se é ela mesmo”.

Ele também relata dificuldade de contato com a companhia durante a madrugada e diz que não foi autorizado a acompanhar os trabalhos. “Fiquei até 3h tentando falar. Disseram que estavam saindo pedaços dela, mas não me deixaram ver. Depois soube que estavam cortando um tubo”, disse.

Presente no local onde a égua caiu, o comerciante Alecssandro Bruno Lopes, de 42 anos, conversou com a reportagem e foi o responsável por acionar a Copasa por volta das 9h30 de terça-feira (5/5), após receber a informação de que havia um animal dentro da tubulação.

Segundo ele, um morador relatou a presença do animal em um duto da companhia, o que o levou a entrar em contato com a Regional Leste para solicitar a atuação das equipes.

O fornecimento de água foi interrompido para viabilizar as buscas, e a localização da égua ocorreu apenas na madrugada desta quarta-feira, por volta das 5h, já sem vida e em partes.

Após a retirada, foi realizada a limpeza completa do sistema. Ele afirmou apenas que já era possível ouvir a água voltando a correr. Também destacou que a estrutura foi recuperada, com a instalação de uma nova tampa e a concretagem do local, e que a Copasa permaneceu durante toda a operação.

O que diz a companhia 

Segundo a Copasa, a prioridade é garantir a segurança técnica do sistema e a qualidade da água distribuída à população. A ocorrência começou quando a égua foi identificada dentro da adutora, que possui cerca de 2,4 metros de diâmetro, o que exigiu a paralisação do sistema responsável pelo abastecimento de Belo Horizonte e de outras sete cidades da região metropolitana, afetando mais de 300 bairros.

Durante os trabalhos, a companhia utilizou drones para inspeção interna da estrutura, permitindo buscas em áreas de difícil acesso. Como medida preventiva, toda a água presente no trecho afetado da tubulação foi descartada, e nenhum volume será destinado ao consumo. Após o esvaziamento, foi iniciado um processo de sanitização completa da rede, com desinfecção química e realização de testes laboratoriais detalhados.

A previsão é que o sistema seja religado ainda na manhã desta quarta-feira, com normalização do abastecimento ao longo do dia, após confirmação de que a água atende aos padrões de potabilidade. Até lá, o fornecimento para hospitais e unidades de saúde segue sendo feito por caminhões-pipa.

Em Nova Lima, a falta de água levou à suspensão das aulas em escolas e creches municipais. Em Belo Horizonte, o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) também suspendeu aulas presenciais nos campi Gameleira, Nova Gameleira e Nova Suíça, adotando trabalho remoto para atividades administrativas.

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A Copasa foi questionada sobre a identificação da égua e as demandas do tutor, mas até a publicação deste texto, não havia respondido. A reportagem será atualizada caso a Copasa responda.

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