O síndico do prédio atingido pela queda de um avião de pequeno porte no Bairro Silveira, na Região Nordeste de Belo Horizonte (MG), acompanhou de perto, na manhã desta terça-feira (5/5), a retomada dos trabalhos dos investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Morador do bairro há 15 anos, o engenheiro mecânico Fausto Avelar, de 32 anos, vive no edifício há seis meses período em que também assumiu a função de síndico e esteve no local enquanto as equipes realizavam a coleta de vestígios e dados para aprofundar a análise das circunstâncias do acidente, que deixou três mortos e dois feridos.


Os investigadores chegaram à capital mineira ainda nessa segunda-feira (4/5), logo após a queda da aeronave, e iniciaram as primeiras apurações.

Durante a madrugada, a área permaneceu isolada por equipes da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), e o prédio segue interditado para a conclusão da perícia. Os apartamentos 301 e 302, onde há escombros, permanecem isolados, assim como a lateral do edifício, que apresenta um grande buraco provocado pelo impacto.

Fausto mora com a esposa e os dois filhos pequenos um bebê de quatro meses e outro de 1 ano e 5 meses e relatou os danos causados em sua unidade, localizada no 301. “A cozinha, a área de serviço e a sala ficaram destruídas”, afirmou. No momento do acidente, ele não estava em casa. “Eu estava trabalhando”, contou. Segundo ele, a família escapou por pouco de estar no local. “Normalmente, a gente estaria em casa nesse horário, mas no momento do acidente minha esposa e meus filhos estavam na casa dos pais dela”, disse. “Foi uma coincidência muito grande, porque era para estarmos todos no apartamento.”

O prédio possui três apartamentos por andar, totalizando nove unidades, e outros moradores também foram impactados. No apartamento 302, por exemplo, mora um casal de cerca de 60 anos. Apesar do susto, não há confirmação de feridos entre os moradores diretamente atingidos nos apartamentos.
Além de lidar com os prejuízos em sua própria casa, Fausto acompanha como síndico os desdobramentos do caso e a situação dos moradores, que aguardam a liberação do imóvel.

Ele relatou que, na manhã desta terça-feira, foi ao local sozinho para abrir o prédio e permitir a continuidade dos trabalhos do Cenipa, destacando que, por enquanto, nenhuma ação pode ser tomada para não alterar o cenário do acidente.

Segundo ele, a expectativa é que, após a liberação, tenha início um processo de limpeza e recuperação do edifício, que está muito sujo, com presença de produtos químicos e destroços. Fausto também afirmou que será necessário buscar responsabilidades, com contato junto ao proprietário do avião para verificar a existência de seguro e possíveis formas de contribuição para os reparos.

O impacto emocional entre os moradores ainda é forte. “O clima é de tensão, de apreensão. Foi uma coisa muito imprevisível”, afirmou. Muitos precisaram sair às pressas e não conseguiram retornar. “Todo mundo ficou muito impressionado. Algumas pessoas estavam em casa, e muita gente deixou coisas para trás e está precisando voltar”, relatou.

A principal preocupação agora, segundo o síndico, é garantir segurança antes da retomada da rotina. “A preocupação é garantir o retorno dos moradores com segurança e ter certeza de que o prédio não corre mais risco”, disse. “A gente aguarda a conclusão da perícia para poder começar a limpeza e, aos poucos, retomar a nossa vida.”

Na manhã desta terça-feira (5), a retomada dos trabalhos dos investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa)

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Edésio Ferreia/EM/D.A.Press

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