Os trabalhos dos investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foram retomados na manhã desta terça-feira (5/5) com a coleta de vestígios e dados no prédio atingido pelo avião de pequeno porte que caiu no Bairro Silveira, na Região Nordeste de Belo Horizonte (MG), nessa segunda-feira. Os investigadores do órgão chegaram à capital mineira ainda nessa segunda e deram início às apurações no local.

As equipes seguem atuando na área para aprofundar a análise das circunstâncias e dinâmica do acidente, que deixou três mortos e dois feridos.

O local onde o avião caiu permaneceu isolado durante a madrugada por equipes da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). O prédio segue interditado para a conclusão da perícia. Os apartamentos 301 e 302, que ficaram com escombros, assim como a lateral do edifício onde há um grande buraco provocado pelo impacto da aeronave, foram isolados preventivamente.

A aeronave atingiu o prédio residencial poucos minutos após decolar do Aeroporto da Pampulha: parte da fuselagem ficou presa ao edifício, enquanto a cauda e outros destroços foram parar no estacionamento de um supermercado vizinho.

O avião, de prefixo PT-EYT, é um modelo EMB-721C, fabricado em 1979, com capacidade para até cinco passageiros, além do piloto. A aeronave havia saído de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, com destino a São Paulo, e fez uma parada no Aeroporto da Pampulha antes de seguir viagem. Na escala em Belo Horizonte, duas passageiras desembarcaram e outra pessoa embarcou, segundo informado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).

Pouco depois da decolagem, registrada às 12h16, o piloto relatou dificuldades para ganhar altitude. Segundo informações da NAV Brasil, responsável pelo controle do espaço aéreo, o comandante chegou a emitir um alerta de emergência (mayday), informando falhas críticas. A torre de controle orientou o retorno imediato ao aeroporto, mas não houve resposta.

O último contato indica que o piloto ainda tentava recuperar altura. O monomotor permaneceu no ar por cerca de cinco minutos antes de colidir contra um prédio na Rua Ilacir Pereira Lima. O impacto ocorreu entre o terceiro e o quarto andar do edifício.

Paralelamente à atuação do Cenipa, a Polícia Civil conduz investigação própria para apurar eventuais responsabilidades e condições do voo. Entre as medidas previstas está a verificação da presença de álcool no organismo do piloto. Até o momento, não há informações confirmadas sobre o abastecimento da aeronave na Pampulha.

A dinâmica do acidente, conforme informações preliminares, aponta para uma sequência rápida de eventos críticos logo após a decolagem. Testemunhas relataram que o avião já apresentava dificuldades ainda nas proximidades da Pampulha. “As informações que temos de uma testemunha é que já no próprio Aeroporto da Pampulha a decolagem já não foi a correta, que estava perdendo altitude aqui na Pampulha”, afirmou a delegada Andréa Pochmann, em coletiva de imprensa.

Quem são os mortos e feridos

Cinco pessoas estavam a bordo, das quais três morreram. Duas mortes foram confirmadas ainda no local da queda: a do piloto, Wellinton de Oliveira Pereira, de 34 anos, e a de Fernando Moreira Souto, de 36, filho do prefeito de Jequitinhonha, no Vale do Jequitinhonha. A terceira vítima é Leonardo Berganholi Martins, de 50 anos. Ele chegou a ser resgatado com vida, mas morreu no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII.

Fernando ocupava o assento do copiloto, embora não exercesse essa função. A aeronave, conforme informou a Polícia Civil, não contava com copiloto.

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Outros dois ocupantes sobreviveram e foram socorridos. São eles Arthur Schaper Berganholi, de 25 anos, filho de Leonardo Berganholi Martins, e Hemerson Cleiton Almeida Souza, de 53 anos. Eles também foram encaminhados ao Hospital João XXIII. De acordo com a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), ambos estão estáveis.

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