'O avião estava na minha cozinha', diz dona do apartamento atingindo em BH
Moradores do edifício que foi parcialmente destruído em queda de aeronave de pequeno porte na última segunda-feira (7) falam do trauma e contabilizam prejuízos
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"Cheguei em casa e havia um avião dentro da minha cozinha." A frase dita por Nathalia Braga Amaral, de 33 anos, poderia soar exagerada, mas não é. Afinal, o apartamento onde mora, no Bairro Silveira, Região Nordeste de Belo Horizonte, ficou parcialmente destruído ao ser atingido por uma aeronave de pequeno porte na última segunda-feira (4/5).
Por sorte, não havia ninguém em casa. Segundo a moradora, no dia do acidente, ela, os dois bebês, um de 3 meses e outro de 1 ano, e o marido, Fausto Amaral, de 33, que é síndico do prédio, estavam em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de BH, onde os pais dela têm uma casa. E, ao retornarem, encontraram o caos, conforme atestado pela reportagem do Estado de Minas durante visita realizada ontem.
A porta da unidade, localizada no terceiro andar, foi arrancada, e eletrodomésticos, como fogão e geladeira, ficaram destruídos, assim como um armário e até a pia da cozinha. Havia poças de sangue das vítimas e óleo do motor do avião na sala.
Ela disse que às segundas, por estar de licença maternidade, sua sogra vai ao apartamento para ajudar com as crianças, e no horário em que o prédio foi atingido, estaria fazendo o almoço. “Minha sogra ia estar ali (na cozinha), e eu na sala com os meninos”, relatou.
Se para quem não estava no local o susto foi enorme, ainda mais para os presentes. Caso do sargento da Polícia Militar Richard Dourado de Souza, de 36, que mora no segundo andar. Ele estava em casa no momento da colisão com a mulher e o filho e, após deixá-los em segurança na rua, retornou para ajudar as vítimas. Foi ele quem realizou os primeiros socorros nas pessoas que estavam no avião.
O policial, com o semblante de quem ainda tenta entender o que houve, descreveu a cena: “Minha esposa estava fazendo comida e meu filho, brincando na sala. A gente ouviu um estrondo. Minha mulher deu um grito. Saí do quarto, vi que os dois estavam bem e os levei para fora. Tinha muita poeira. Tinha idosos e crianças. Apenas quando voltei é que consegui visualizar o acidente”.
“Passei a noite seguinte em claro, pensando no que tinha acontecido”, relatou o militar.
Segundo ele, as imagens que registraram o acidente mostram que o avião bateria em seu apartamento, mas, provavelmente na intenção de evitar a colisão, o piloto desviou e acertou outro, além da caixa de escada do edifício. Relembrando o fato de que os vizinhos do andar de cima não estavam em casa, ele completa: “Tudo coincidiu para a gente (moradores do prédio) sobreviver”.
O relato de Richard e Nathalia coincidem quando se trata do forte cheiro de querosene que tomou conta do ambiente. Felizmente, nenhuma explosão ou mesmo foco de incêndio foi registrado. O botijão de gás da casa e o bico do avião ficaram separados por apenas uma parede, que parou a aeronave.
Ao subir as escadas pedindo para que os moradores deixassem o prédio, Richard viu os passageiros do avião, que foram arremessados para a escadaria do prédio. “Vi um rapaz mais jovem com a perna fraturada e acionei o 190. Os ocupantes da aeronave ainda estavam vivos”, relatou.
As férias do militar, que já atua na polícia há 16 anos, acabaram na última terça-feira (5/5) e ele havia acabado de retornar de uma viagem a Roma, na Itália. “Fica o trauma do que ocorreu, mas agradeço por estarmos vivo”, disse.
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Despedida
O avião que atingiu o edifício situado no número 667 da Rua Ilacir Pereira de Lima, no Bairro Silveira, havia decolado cerca de cinco minutos antes do acidente do aeroporto da Pampulha. Três dos cinco ocupantes morreram e dois permanecem internados no Hospital João XXIII. Ninguém em solo se feriu.
Entre as vítimas fatais está o empresário Leonardo Berganholi, de 50, que foi enterrado ontem, em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. Ele deixou seis filhos, sendo quatro de sangue e dois de consideração.
“Ele vivia em razão dos filhos e tinha a preocupação de ver todos eles felizes. Agora o meu maior desespero é chegar em casa sem ele”, destacou a viúva Luísa Afonso, que revelou que eles completavam um ano morando juntos na última segunda-feira (4/5), dia do acidente.
Além de Berganholi, Wellinton de Oliveira Pereira, de 34, piloto da aeronave, e Fernando Moreira Souto, de 36, filho do prefeito de Jequitinhonha, Nilo Souto, morreram no acidente. Arthur Schaper Berganholi, de 25, e Hemerson Cleiton Almeida Souza, de 53, permanecem internados.
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*Estagiários sob supervisão do subeditor Paulo Galvão