Ainda sob o impacto da morte de uma equipe da Band em acidente de trânsito, o jornalismo mineiro se despede de mais uma profissional. A jornalista Adriana Cecy Renan morreu na madrugada desta sexta-feira (17/4), aos 57 anos, em Belo Horizonte (MG). Ela estava internada desde a última segunda-feira (6/4), no Hospital Orizonti, na região Centro-Sul da capital, onde tratava um câncer de mama com metástase no fígado. Adriana não deixa filhos.
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Nascida em 29 de maio de 1969, em Belo Horizonte (MG), Adriana Renan construiu uma carreira consolidada no jornalismo mineiro, com passagens pela TV Assembleia, pela TV Globo e pelo jornal O Tempo. Ficou marcada pela atuação em cargos de liderança e pela influência na formação de profissionais nas redações por onde passou.
Aposentada há dois anos, decidiu retornar às origens. Ao lado do marido, mudou-se para a cidade da família dela, Nacip Raydan (MG), no Vale do Rio Doce, e investiu em um projeto pessoal que traduzia seu jeito de viver: construiu uma casa ampla, com varanda, pensada para receber amigos e vizinhos.
“Uma pessoa cheia de vida”
Amiga de longa data, a jornalista Vivian Menezes lembra que trabalhou com Adriana por cerca de 20 anos e destaca a forma como ela transformava planos em realidade. “Ela era uma pessoa cheia de vida, cheia de projetos, e fazia acontecer. Nada para ela era ‘mais ou menos’”.
A profissional conciliava afeto e rigor, Adriana Renan era, ao mesmo tempo, “muito calorosa, muito alegre”, mas também firme e exigente quando necessário. Segundo a jornalista Vivian Menezes, ela tinha um jeito maternal com colegas mais frágeis, sem abrir mão da competência, considerada “extraordinária”. Para Vivian, Adriana ocupava um papel central nas equipes: “Na redação, era uma referência, quase uma família para todos nós”.
No convívio pessoal, Adriana também deixava marcas. Vivian relembra uma festa organizada pouco antes da aposentadoria da jornalista, que coincidiu com os aniversários das duas. “Eu faço no dia 30 de maio e ela no dia 29. Fiz uma despedida lá em casa só com pessoas mais ligadas ao Mundo Político, programa que fizemos juntas por tantos anos”, contou.
A comemoração virou um retrato fiel da personalidade de Adriana. “Foi uma festa muito divertida, e ela foi a grande animadora. Contou muitos casos, histórias que nem todo mundo conhecia. Foi um momento muito especial”, disse Vivian.
Outras amizades construídas ao longo da carreira também ajudam a dimensionar o impacto de Adriana na vida de quem conviveu com ela. A jornalista Angélica Chaves conheceu Adriana no início dos anos 2000, durante uma oficina de jornalismo, quando ela ainda atuava como produtora de rede do Jornal Nacional, na TV Globo. “Ela adotou a gente. Era uma mãezona. A maioria era recém-formada, e ela acolheu todo mundo”, contou.
Além do acolhimento, Adriana também orientava os mais jovens sobre os desafios da profissão. “Ela falava pra gente fazer concurso, porque o mercado é difícil com o tempo. Eu nunca esqueci disso, foi um dos motivos que me fez seguir esse caminho”, relatou Angélica.
Descrita como uma profissional ética, justa e direta, Adriana também era lembrada pela sinceridade. “Ela era brava, mas você sempre sabia onde estava pisando. Era extremamente solidária, de um coração enorme”, afirmou a colega.
O diagnóstico do câncer foi recente e a evolução da doença, rápida. Segundo Angélica, Adriana descobriu a doença há pouco tempo e o quadro se agravou em poucas semanas. “Foi coisa de um mês, dois meses no máximo”, relatou. Nos últimos tempos, o contato entre as duas acontecia principalmente por mensagens.
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Nos últimos anos, já aposentada, Adriana passou a dividir a vida entre o interior e a capital. Ao lado do marido, viveu em Nacip Raydan, no Vale do Rio Doce, onde construiu a casa que se tornou ponto de encontro com amigos e vizinhos. Ao mesmo tempo, mantinha laços com Belo Horizonte, cidade onde construiu sua trajetória profissional e onde seguia compartilhando momentos com pessoas próximas.
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O corpo da jornalista será velada neste sábado (18/4), a partir das 6h, na Sala 5 do Cemitério Bosque da Esperança, na região de Venda Nova. O sepultamento está marcado para as 10h, na Quadra Flamboyant.
