Uma mãe de Bom Repouso, no Sul de Minas, denunciou nas redes sociais que a filha, de 9 anos, foi levada pela avó paterna sem autorização dela na última quinta-feira (9/4) e que, desde então, está impedida de falar ou ver a menina. Erika Hografe fez postagem no domingo (12/4). Segundo ela, a criança foi levada de casa e se encontra com o pai, Caio Arimura, de quem se separou há dois anos. O pai nega as acusações. 

“Estou muito desesperada”, afirmou Erika. “Estamos sentindo muita falta dela, ela é muito amorosa. Ela agora está de posse da avó e do pai e eles não deixam nem eu falar com ela”, completou.

Segundo boletim de ocorrência registrado no próprio 9 de abril, Erika saiu de para ir a um mercado próximo à sua residência. A menina, que estava jogando em um tablet, não quis ir e ficou sozinha no imóvel. Quando a empreendedora retornou, cerca de 15 minutos depois, a menina já havia sido levada. 

A mãe procurou amigos e vizinhos para descobrir o paradeiro da criança, sem sucesso. Até que conseguiu acesso a uma câmera de segurança que registrou o marido da avó paterna da criança levando a menina até um carro. Erika, então, entrou em contato com a mulher, que enviou áudio informando que encontrou a neta sozinha e a havia levado para comprar roupas, mas que logo estariam em casa, o que não ocorreu.

Erika tentou falar com a avó da menina novamente e descobriu que havia sido bloqueada. Foi então que procurou a polícia. Desesperada para ter a filha de volta, ela também viajou para São Paulo, onde a ex-sogra mora atualmente. Chegando lá, não encontrou a filha.

Mensagens posteriores de familiares acusam Erika de maus-tratos e afirmam que a menor foi encontrada chorando e com medo por estar sozinha.

Boletim de ocorrência

A advogada Thabata Peixoto, que representa Erika, afirmou ao Estado de Minas que a Polícia Militar de São Paulo foi até a casa da avó paterna ainda no último domingo, mas não localizou nem a mulher, nem o pai, nem a criança.

Thabata disse ainda que a acusação de que a menina estivesse com medo não procede, uma vez que a criança aparece tranquila no registro das câmeras de segurança. A defesa acredita que a menor esteja com o pai em Belo Horizonte. 

Segundo Erika, esta não é a primeira vez que o pai teria levado a filha sem autorização. Um boletim de ocorrência registrado em dezembro de 2025 relata que Caio Arimura passou o dia com a menina, mas, quando a mãe foi buscá-la à noite, não encontrou ninguém em casa. Na ocasião, nem ela e nem os policiais conseguiram entrar em contato com Arimura por telefone. A criança só retornou para casa após sete dias. 

O registro policial ainda aponta que Erika detém a guarda unilateral da criança e que o pai só poderia visitar a filha em dias e horários específicos, além de informar que a mulher tem medida protetiva contra o ex-marido.

Pai nega desaparecimento 

Ao Estado de Minas, Caio Arimura disse que em nenhum momento a criança estava desaparecida. “Desde o momento que minha filha foi acolhida pelos avós, a mãe estava ciente. Temos mensagens com confirmação de leitura, tanto para mãe quanto para o atual companheiro dela”, afirmou. 

Segundo Arimura, a intenção inicial da avó não era permanecer com a neta, porém a constatação de abandono abalou emocionalmente a mulher.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que investiga o caso e que a criança foi localizada sob cuidados de familiares, sem situação de risco iminente. A corporação complementa que as partes envolvidas estão sendo ouvidas e a apuração do processo segue em andamento.

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* Estagiário sob supervisão da subeditora Tetê Monteiro

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