A tradição de doar peixes durante a Semana Santa voltou a mobilizar dezenas de pessoas desde a manhã de quinta-feira (2/4), no Bairro Bonfim, Região Noroeste da capital, em mais uma edição da ação solidária liderada pelo empresário Afonso Teixeira. Há 35 anos, ele distribui cerca de 2,5kg de pescado por pessoa, prática que se tornou referência na comunidade. A doação é voltada para quem está em situação de vulnerabilidade.

Para os católicos, a Semana Santa, especialmente a Sexta-feira da Paixão e Páscoa, é marcada pela recusa em consumir carne vermelha, em respeito à morte e ressurreição de Jesus Cristo. Foi com base nessa tradição que a iniciativa teve início. 

 

Pessoas que aguardavam no local relataram episódios de tumulto, o que atrasou a distribuição

Edesio Ferreira/EM/D.A Press

Segundo Afonso, tudo começou após pedidos de pessoas que não tinham condições de comprar peixe na data. “No primeiro ano foram 30 pessoas, no segundo, 100. Hoje, temos essa multidão”, relembra.

A distribuição começou às 7h desta sexta-feira (3/4), mas já havia gente aguardando desde a manhã do dia anterior. De acordo com o organizador, por volta das 10h de quinta-feira, cerca de 30 pessoas já estavam no local, algumas enfrentando quase 24 horas de espera para garantir o alimento.

Afonso prefere não divulgar o número total de beneficiados. Segundo ele, a intenção não é expor custos, mas sim ajudar. “Produzimos em Santa Catarina, embalamos e armazenamos para este dia. O objetivo não é mostrar quanto custa, mas aliviar, mesmo que um pouco, a dificuldade das pessoas”, explica.

Apesar do caráter solidário, a ação também enfrentou desafios relacionados à organização da fila. Pessoas que aguardavam no local relataram episódios de tumulto, o que atrasou a distribuição.

O pedreiro Laércio Santana, atualmente em situação de rua, destacou a importância da iniciativa, mas criticou a desorganização. “Estou aqui desde as 20h de quinta-feira. Alguns já poderiam estar em casa almoçando, mas houve confusão que atrasou tudo”, afirma.

Mesmo diante das dificuldades, ele diz que o sentimento é de gratidão. “São pessoas de bom coração. Que Deus abençoe quem ajuda tanta gente”, diz Laércio.

Há 35 anos, Afonso distribui cerca de 2,5 quilos de pescado para pessoas em situação de vulnerabilidade

Edesio Ferreira/EM/D.A Press

A catadora de materiais recicláveis Rosângela da Silva também aguardou desde a quinta-feira. Para ela, o esforço vale a pena. “É melhor ficar na fila do que roubar. Isso representa muito, porque eu preciso. Ajuda a colocar comida dentro de casa”, relata.

Já a faxineira Daniela Rosa chegou por volta de 1h30 desta sexta-feira. “Vale a pena esperar. É uma forma honesta de conseguir alimento, sem precisar pedir ou depender de ajuda do governo. É uma atitude de quem pode ajudar o próximo”, diz.

O servente de pedreiro Pedro Henrique Teodoro participou pela primeira vez da ação e destacou a importância da doação. “Às vezes não temos nada para comer em casa. Aqui conseguimos o pão de cada dia. Essa ação ajuda muita gente e garante a refeição”, afirma.

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*Com informações cedidas pela TV Alterosa

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