Um vídeo divulgado pelo Sindicato dos Empregados em Empresas de Transporte Metroviário e Conexos de Minas Gerais (Sindimetro-MG) mostra a plataforma da Estação Lagoinha, do metrô de Belo Horizonte, tomada por vazamentos durante a chuva da noite dessa terça-feira (31/3). Nas imagens, um grande volume de água cai do teto, cenário que levou a entidade a ironizar a situação como uma “cachoeira”.

A presidente do Sindimetro-MG, Alda Santos, apontou que o problema pode estar relacionado às reformas realizadas recentemente nas estações. Segundo ela, as intervenções vêm ocorrendo há cerca de três anos, mas a qualidade da execução levanta dúvidas. “As reformas aconteceram, mas como foram feitas, se foi correto ou não, eu não saberia te dizer. Agora, esses vazamentos, eu acredito que têm relação, sim”, afirmou.

Alda destacou que situações como a registrada na Lagoinha não eram comuns anteriormente. “Antes, até tinha vazamento em estação, mas não desse tipo, na plataforma. A impressão que dá é que as calhas não aguentaram o volume de água”, disse.

Ainda de acordo com a presidente, o impacto para os usuários é significativo. “Você imagina: a pessoa vai pegar o metrô e está chovendo mais dentro da plataforma coberta do que fora. Isso incomoda muito”, relatou.

Em nota, a Metrô BH, concessionária responsável pelo trecho, afirmou que o volume excedeu a capacidade de vazão das calhas no local, que a situação não é comum e que o escoamento da água foi normalizado em cerca de 11 minutos.

Problema se repete em outras estações

O sindicato também aponta que o episódio não foi isolado. Na mesma noite, houve registros de goteiras em outras estações do sistema, como Floresta e José Cândido da Silveira, embora, nesses casos, os vazamentos tenham ocorrido no mezanino, e não diretamente na plataforma.

Além disso, Alda citou episódios anteriores em estações reformadas, como Eldorado e Novo Eldorado. “Já teve vazamento, alagamento… Passageiros precisaram esperar a água baixar para sair da estação”, afirmou.

Movimento intenso

A Estação Lagoinha está entre as mais movimentadas do sistema. De acordo com estimativa do sindicato, cerca de 72 mil passageiros utilizam diariamente o metrô de Belo Horizonte em todo o trecho, sendo que aproximadamente 10 mil passam pela Lagoinha todos os dias.

Para a representante da categoria, o volume de usuários reforça a gravidade do problema. “Não é para ser comum, principalmente depois de uma reforma recente, com promessa de material de primeira e modernização”, criticou.

Privatização

Na publicação, o sindicato também criticou a gestão privada do metrô, associando o episódio à forma como os recursos públicos estariam sendo utilizados. A concessão do sistema à iniciativa privada ocorreu em março de 2023.

“É reflexo de como o dinheiro público está sendo administrado”, afirma a entidade, que conclui a postagem com a frase: “Privatiza que piora”.

Até o momento, não há informações oficiais sobre as causas do vazamento nem sobre eventuais medidas para correção do problema.

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*Estagiária sob supervisão da subeditora Fernanda Borges 

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