Quem passar pela Praça Jornalista Januário Carneiro, no bairro Copacabana, na Região de Venda Nova, em Belo Horizonte (MG), verá uma obra de revitalização em andamento. De acordo com moradores, a intervenção só ocorreu depois de muita pressão popular nas redes sociais. 

A reportagem do Estado de Minas esteve no local na manhã desta quarta-feira (/4) e conversou com vizinhos. Rair Lopes Ferreira, de 69 anos, trabalha como subgerente em um supermercado próximo à praça e contou que, há cerca de seis meses, um caminhão que descia pela Rua Central perdeu o controle e bateu nos fundos da capela. A colisão deixou uma abertura por onde um homem em situação de rua entrou e se abrigou até este mês. A Prefeitura de BH diz que o acidente ocorreu, na verdade, há três meses.

Uma outra moradora que não quis se identificar relatou que, há cerca de um mês, outro morador fez um vídeo mostrando a situação de abandono da construção. Ela acredita que a repercussão dessa postagem fez com que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) iniciasse a obra há cerca de duas semanas, fechando a abertura dos fundos. Ao ser retirado, o morador de rua se revoltou e queimou um colchão na entrada da capela, o que destruiu a porta de madeira que havia ali. 

A capela é muito querida pela comunidade. O Depósito Ribeirão Materiais Para Construção, que fica a poucos metros da praça, doou um portão de metal e tinta para pintá-lo, a fim de proteger melhor o imóvel. Agora, a PBH realiza a revitalização também dos passeios e canteiros, o que foi visto com bons olhos pela população: “A praça é importante, está aí há décadas. Só que eu moro aqui tem trinta anos e ela já estava aí”, diz Ferreira.    

A revitalização também foi recebida com alegria por Leila Vicentina Lopes, de 66 anos. Ela conta que frequenta a Praça Jornalista Januário Carneiro desde quando era menina: “Minhas irmãs mais velhas já foram catequistas e eu frequentava a catequese aqui. Depois que cresci, participava da coroação de Nossa Senhora. Era a maior festa”.   

Agora ela lamenta que a capela esteja fechada há anos e sente falta dos eventos organizados pela comunidade que aconteciam ali. 

Procurada pelo Estado de Minas, a Arquidiocese de Belo Horizonte informou que não é responsável pela capela em questão. “O oratório construído não se vincula à gestão pastoral da Arquidiocese de Belo Horizonte. Foi construído com a Praça, pelo poder público e não recebe programações das comunidades paroquiais”, disse por meio de nota.

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A Subsecretaria de Zeladoria Urbana (Suzurb), órgão da PBH, informou que as intervenções incluem limpeza e pintura da praça, poda de árvores, quando necessário, e a revitalização da igrejinha, com recomposição da alvenaria e pintura. "A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos ainda neste semestre", prometeu o Executivo municipal.

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