Família dorme em carro após filha ser internada para tratamento de câncer
Eloah Cecília, de apenas 2 anos, recebeu diagnóstico no início deste mês. Pais e irmã dela, vivem em carro para acompanhar terapia da criança em Pouso Alegre
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Uma família de Extrema, no Sul de Minas, tem morado dentro do carro estacionado na rua enquanto a filha Eloah Cecília Pires Lima, de apenas 2 anos, está internada no Complexo Hospitalar Samuel Libânio (CHSL), em Pouso Alegre, na mesma região do estado. Ela teve diagnóstico de câncer na bexiga e aguarda tratamento.
O caso começou há cerca de 18 dias, conta o pai Rafael Silveira de Lima. Cecília estava com incômodos gerados por intestino preso e a família a levou ao hospital em Extrema. A criança passou por uma lavagem intestinal e foi descoberto um caroço na região da bexiga. Após dois dias internada, ela foi transferida para o hospital em Pouso Alegre, onde está internada há cerca de 16 dias.
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Rafael explica que a filha passou por exames. Por intermédio do hospital, Cecília conseguiu a ressonância magnética, que não foi concedida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O exame de imagem confirmou a neoplasia primária, em 17 de abril.
Eloah Cecília também precisa realizar uma cirurgia para biópsia, que ainda não foi marcada. O pai fala que ela vai iniciar o tratamento oncológico. Como ela ainda é um bebê, precisa de cuidados dos pais e da presença constante.
Situação complicada
A situação vivida pela família está cada vez mais difícil. Rafael deixou o emprego de auxiliar de produção em uma indústria, em Extrema, para que ele e a esposa Maria Aparecida dos Santos Pires pudessem acompanhar o tratamento da filha em Pouso Alegre.
O casal reveza entre si os cuidados com Eloah Cecília e a primeira filha do casal, de 6 anos. Rafael, Maria e a filha mais velha passam parte do dia e também as noites dentro do carro da família.
O veículo fica estacionado perto do hospital. Durante o dia, a família intercala as visitas à filha no hospital com momento de repouso e alimentação fornecidos na Casa de Apoio à Saúde 'Zoé de Castro Marques', que ajuda familiares de pacientes de outros municípios internados no CHSL.
Para conseguir dormir, eles se acomodam dentro do carro, há cerca de uma semana. Dias antes, a família conseguiu dormir em duas casas diferentes, mas esse apoio não teve continuidade.
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Apoio e pedido de ajuda
Rafael tem dificuldades em conseguir apoio da Prefeitura de Extrema. Ele disse que há mais de uma semana pediu ajuda para se manter em Pouso Alegre com a família, já que eles não têm parentes em Pouso Alegre. Até esta quarta-feira (22/4), eles não tiveram esse apoio.
Sem trabalho, a família tem dependido de ajuda. Uma vaquinha busca ajudar a família a se manter enquanto a filha está internada. As doações podem ser feitas para a chave PIX: (35) 99148-8455, em nome de Maria Aparecida dos Santos Pires.
A assessoria da Casa de Apoio Zoé de Castro Marques informou que a família é atendida na instituição desde 6 de abril e fez 12 visitas até 22 de abril. A família tem acesso aos serviços de café da manhã, local para descanso, banheiros, internet, local para banho e para lavar roupas.
A Casa de Apoio Zoé de Castro funciona das 7h às 16h e fica próxima ao hospital CHSL. Ela foi idealizada pelo deputado federal Rafael Simões, um dos mantenedores. A instituição é mantida por doações e oferece atendimento gratuito para familiares de pacientes internados no CHSL.
Resposta da Prefeitura de Extrema
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Extrema, nessa quarta-feira (22/4) sobre o caso da pequena Eloah Cecília. A informação inicial era que a Secretaria Municipal de Saúde iria entrar em contato com a família.
A resposta posterior foi que a pasta garantiu "todos os procedimentos de urgência e emergência para a criança que está internada em hospital de alta complexidade, em Pouso Alegre".
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A nota acrescenta que "os demais membros da família estão sendo assistidos pela Prefeitura Municipal de Extrema". Rafael nega que houve oferta de assistência para a família se manter em Pouso Alegre para acompanhar a internação da filha. (Nayara Andery/Especial para o EM)