Conheça Chico, galo solitário que se tornou mascote do Parque Municipal
Adotado por funcionários, a ave fica ciscando pelos caminhos do parque e foi adotado por funcionários do local
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Mesmo sendo conhecido como o “parque dos gatos”, o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, localizado no hipercentro de Belo Horizonte, possui fauna e flora muito vastas, além dos felinos. Dentre as milhares de espécies, um dos moradores mais inusitados é um galo chamado Chico.
Um tanto discreto, o galo prefere ficar num canto específico do parque, especialmente perto da grade na entrada da Alameda Ezequiel Dias, reaberta em maio do ano passado.
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A rotina de Chico costuma ser solitária, já que ele é órfão e não possui nenhuma galinha como companheira. Patos, gatos e pássaros servem de distração ao animal.
Apesar de ser conhecido por Chico, seu nome é Joaquim. A ave foi adotada por servidores do parque há cerca de três anos e é descrita pelos colaboradores como um animal “mansinho”.
Chico ou Joaquim?
Joaquim, Chico, galinho, são apenas alguns dos apelidos dados pelos visitantes que o encontram. De acordo com servidores do Parque Municipal, Chico não tem um nome fixo e “cada um escolhe como quer chamá-lo”.
Com sua crista proeminente, cauda longa e pernas exuberantes, o galo Joaquim está sob cuidado “do parque”, e conta com acompanhamento de um tratador de animais que realiza sua alimentação diária com ração apropriada. O animal também se alimenta naturalmente de sementes, grãos, pequenos insetos, larvas, minhocas e brotos de plantas.
A reportagem tentou falar com o tratador, mas a assessoria de imprensa da Prefeitura de Belo Horizonte negou os pedidos.
Segundo funcionários do Parque Municipal, além dessa alimentação restrita, existem ainda pessoas que levam comida praticamente todos os dias para a ave, e quando o parque está fechado para visitantes eles costumam jogar os alimentos através dos vãos da grade.
“Tem uma dona que vem toda tarde e dá comida para ele. Mas todos nós cuidamos do Chico, a gente coloca água, canjiquinha [...] todo mundo aqui gosta dele”, afirmou um servidor.
Brincalhão e tranquilo, Chico circula apenas naquele mesmo espaço todos os dias. Alguns colaboradores do parque afirmam que, quando o parque está aberto, o galo fica transitando pela grama e pela calçada, mas nunca sai dali.
“O Chico fica só aqui nesse pedaço (perto da Alameda Ezequiel Dias). Hoje o portão está fechado, mas normalmente o portão fica aberto. Ele passa pra lá e pra cá, mas sempre fica aqui à nossa vista”, declarou uma trabalhadora do Parque Municipal.
Encantando as pessoas que por ali passam, Chico recebe atenção em tempo integral, sendo fotografado diariamente. “Tem um motociclista que todo dia tira foto dele. Todo o pessoal que passa por aqui fica admirando, tirando fotos”, disse uma servidora.
Uma história de anos
Bem-te-vis, sabiás, garças, periquitos e mico-estrela são apenas algumas das centenas de espécies que vivem na área de quase 193 mil m². O que nem todo mundo sabe é que os galos e galinhas também têm uma história extensa com o parque.
Chico, por exemplo, é um galo que vive de forma solitária, mas nem sempre foi assim. Filhote de um casal que também vivia ali há alguns anos, o galo perdeu a mãe em 2024, enquanto o pai, Chiquinho, foi adotado com os outros filhotes no mesmo ano.
Os colaboradores do Parque Municipal alegam que o espaço recebe esses animais há mais de 10 anos e houve época em que mais de três galos viviam em conjunto no local. “Se junta muito fica ruim! Aí dá briga. Fica melhor doar para evitar [...]”, afirmou um funcionário.
Outra conexão curiosa do Parque Municipal com o galo é que foi exatamente ali que foi fundado o Clube Atlético Mineiro, em 25 de março de 1908. Na ocasião, 11 estudantes decidiram criar o time de futebol que tem a ave como mascote.
Fauna e flora do Parque Municipal
O Parque Municipal Américo Renné Giannetti é o patrimônio ambiental mais antigo de Belo Horizonte, sendo inaugurado antes mesmo da própria capital mineira, em 26 de setembro de 1897. O espaço desempenha um papel relevante no equilíbrio do processo de urbanização alinhado à preservação do meio ambiente.
Com flora diversificada, o parque abriga cerca de quatro mil árvores e 300 espécies de todos os biomas brasileiros, contando com ipês, eritrinas, jaqueiras, cipreste calvo, guapuruvus, pau-mulato, pau-rei e sapucaias. Além disso, o local ainda conta com 330 espécies ornamentais, como marantas e bromélias.
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Sua vida animal também não fica muito atrás quando o assunto é variedade. Composta por muitas espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes e insetos, o lugar tornou-se um refúgio para a fauna silvestre.
O parque possui uma diversidade de aves, contando com 47 espécies, número relevante se tratando de uma área verde isolada no centro de uma grande metrópole. Além disso, há 100 espécies de borboletas e mariposas, e outras centenas de invertebrados como abelhas e formigas, que ajudam a manter o equilíbrio do meio ambiente
São somados ainda cágados, jabutis, e vários outros pequenos mamíferos não voadores, divulgados por um levantamento faunístico divulgado pela prefeitura.
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*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice