Muito aproveitado para viagens mais curtas e muitas vezes dentro de Minas Gerais, o recesso da Semana Santa é um dos que mais movimentam as estradas que cortam o estado. E, nas rodovias federais em território mineiro, o feriado apresenta um preocupante aumento da letalidade dos desastres, com mais mortes em uma quantidade menor de sinistros, segundo análise do histórico de ocorrências da Polícia Rodoviária Federal (PRF) a partir de 2022 (ano de maior retomada de atividades após a pandemia do novo coronavírus) até 2025.
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A média anual de sinistros entre 2022 e 2024 nas estradas de responsabilidade da União durante o recesso foi de 112 registros, com 8 mortes e 141 pessoas feridas. Em 2025, apesar de as ocorrências terem diminuído para 94 (queda de 16%), o número de pessoas que perderam a vida aumentou para 10 (elevação de 25% em relação à média dos três anos anteriores), enquanto o total de feridos recuou para 116 (recuo de 18%). Para ajudar os motoristas a encontrar caminhos, evitar armadilhas e planejar suas viagens no feriado que se aproxima, a equipe de reportagem do Estado de Minas mapeou os trechos mais violentos das últimas quatro semanas santas nas rodovias federais em Minas.
No período pesquisado, somente em 2024 a Semana Santa ocorreu fora de abril, tendo sido celebrada entre 28 (quinta-feira) e 31 de março (domingo). Os dados da PRF nesse intervalo cobriram um universo de 13 rodovias federais no estado, dentro dos limites de 133 municípios, onde ocorreram 431 sinistros envolvendo 788 veículos, com 35 mortes e 541 feridos nos feriados dos últimos quatro anos.
O tempo e o risco
Foram 309 sinistros em áreas rurais e 122 em perímetros urbanos. Em 114 ocorrências chovia ou garoava, condição associada a desastres em que ocorreram sete mortes e 144 pessoas ficaram feridas. Nevoeiros e neblinas estavam presentes em apenas um acidente, com uma pessoa ferida, na Semana Santa de 2024.
Um total de 35 municípios mineiros registrou mortes no trânsito em estradas federais na Semana Santa entre 2022 e 2025, sendo que Abre Campo (Zona da Mata), Conselheiro Lafaiete e Congonhas (ambos na Região Central) computaram mais vítimas, com três óbitos cada. Betim, na Grande BH, e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, registraram mais sinistros. Foram 26 na cidade vizinha à capital, deixando dois mortos e 33 feridos, e 19 ocorrências sem mortes e com 20 feridos em Uberlândia.
A BR-040 foi a mais violenta, com oito pessoas mortas em 91 sinistros e 122 feridas. Na sequência, a BR-381 teve mais sinistros (135) e feridos (185), mas cinco óbitos – mesmo número de vítimas das rodovias BR-116 e BR-262.
Já a BR-262 (Km 373-380) lidera em mortalidade relativa, com um caso fatal a cada 3,5 quilômetros, embora tenha poucos sinistros totais. Na BR-365 (Km 676 ao Km 683) é onde existe a maior probabilidade de se tornar vítima de desastre (morto ou ferido), com menos de 1 quilômetro entre cada registro. Enquanto isso, a BR-381 (Km 484 ao Km 498) é o trecho onde os acidentes acontecem com mais regularidade geográfica (um a cada 1,27 quilômetro).
Qual BR é a mais letal?
Via onde mais pessoas perderam a vida considerando quatro dias da Semana Santa de 2022 a 2025, a BR-040 teve quatro mortes tanto no segmento de BH a Simão Pereira (Zona da Mata) quanto no que liga Contagem a Paracatu (Noroeste de Minas). Nesse segundo sentido, o trecho em direção a Goiás e Brasília registrou mais ocorrências, com 51 sinistros e 60 feridos.
A maior quantidade de desastres foi relacionada à reação tardia ou ausente dos motoristas (14 sinistros) e à ingestão de álcool (seis registros), nenhum deles com óbitos. O que matou mais pessoas foram falhas mecânicas ou elétricas, deixando duas vítimas, além de acessos à rodovia sem observar outros veículos e a entrada repentina de pedestres na pista, com uma morte cada.
O trecho entre o Km 497 e o Km 509, entre Ribeirão das Neves e Esmeraldas, na Grande BH, foi o segmento mais letal da BR-040 no sentido Brasília, com um óbito em desastre a cada quatros quilômetros. Pelo perfil das ocorrências, ficam evidentes os riscos de fadiga e sono entre 0h30 e 5h35, resultando em reações tardias em trechos de declive e reta.
A alta energia cinética em descidas pode acentuar os efeitos de falhas mecânicas e gerar colisões de alta letalidade e em cadeia – o que explica mais de dois veículos envolvidos em um dos acidentes. O conflito entre o fluxo rodoviário e áreas urbanas eleva drasticamente o risco de atropelamentos.
Para evitar ameaças desse tipo, a recomendação da Polícia Rodoviária Federal é respeitar a velocidade limite para preservar a eficácia dos freios e evitar dirigir de madrugada. Redobrar a vigilância quanto à travessia de pedestres em perímetros urbanos também é essencial.
Perigos rumo ao RJ
No segmento da BR-040 que faz a ligação com o Rio de Janeiro, foram 39 sinistros e 51 pessoas lesionadas nos feriados da Semana Santa dos últimos quatro anos. As reações tardias ou ausentes dos condutores levaram a 13 sinistros, com uma morte. A chuva estava associada a uma ocorrência e o acúmulo de detritos e areia na pista, a outras duas.
O trecho entre o Km 629 e o Km 640, de Congonhas a Conselheiro Lafaiete, foi o mais mortífero desse segmento, com uma morte a cada quatro quilômetros, e o terceiro com mais recorrência de sinistros entre todos os avaliados, com um desastre a cada dois quilômetros. Trata-se de percurso de pista simples, com histórico de colisões frontais fatais – um dos tipos mais graves – causadas por retornos proibidos e fadiga de motoristas, segundo a PRF.
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Curvas e pontes, especialmente sob chuva ou com acúmulo de detritos, são cenários associados aos mais graves sinistros, como tombamentos e saídas de pista. Para prevenir esse tipo de ocorrência, a recomendação com asfalto molhado é ampliar a distância entre veículos e só retornar em locais sinalizados. Respeitar o limite de velocidade é fundamental.
