Uma mulher de 42 anos foi denunciada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menor, ao esfaquear, cortar o órgão genital e atear fogo em homem que assediou filha em Belo Horizonte (MG). O julgamento está marcado para esta terça-feira (24/3), às 8h30, na Av. Augusto de Lima, Bairro Barro Preto, Região Centro-Sul da capital mineira.

De acordo com o MPMG, a acusada, Érica Pereira da Silveira, responde por homicídio com agravantes de motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além dos demais crimes relacionados ao caso. O processo tramita no Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). A ré está presa e é assistida pela Defensoria Pública.

Segundo a denúncia, a vítima é Everton Amaro da Silva, de 47 anos. O Ministério Público aponta que há indícios de que o crime tenha sido cometido com violência extrema e em circunstâncias que impediram qualquer reação da vítima. 

Relembre o caso

Em 8 de maio de 2025, a Justiça revogou a prisão domiciliar de Erica Pereira, que confessou ter assassinado a facadas e pauladas Everton Amaro da Silva, no Conjunto Taquaril, na Região Leste de Belo Horizonte, na madrugada de 11 de abril. A mulher alegou que cometeu o crime após flagrar o homem, com quem tinha um relacionamento, assediando sua filha, de 11.

Erica Pereira deu entrada no sistema prisional em 7 de maio após a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri da capital, decretar a prisão preventiva no dia anterior. Ela havia sido presa no dia do crime, mas passou por audiência de custódia e obteve prisão domiciliar no dia seguinte. Entre outros pontos, o fato de Erica ter uma filha pequena foi usado como justificativa para o benefício.

No entanto, a Justiça reavaliou a concessão da prisão em domicílio após um pedido de revisão impetrado pelo Ministério Público (MPMG). O órgão justificou que Erica demonstrou “elevado grau de frieza, uma vez que a vítima teria sido atacada de forma súbita e violenta, enquanto dormia, sem qualquer chance de defesa, com posterior mutilação (do órgão genital) e suposta ocultação do cadáver mediante incineração, o que revela um agir premeditado, cruel e incompatível com a concessão de benefícios cautelares mais brandos”.

O dia do crime

A Polícia Militar foi acionada por moradores da região que viram Erica e um jovem jogarem um corpo em uma área de mata. No local, os militares encontraram a vítima carbonizada, com os órgãos internos para fora do corpo. Perto do corpo, havia um rastro de sangue que levou os militares à casa da mulher.

Conforme o boletim de ocorrência, Erica atendeu os policiais e assumiu o homicídio. Ela contou que viveu um relacionamento com Everton, mas recentemente desconfiou que ele “tentava seduzir” sua filha. Essa suspeita, segundo ela, surgiu depois de flagrar mensagens enviadas via aplicativo pelo companheiro à criança.

Erica relatou aos militares que, no dia do crime, o homem chegou em casa drogado, como de costume, e alisou a menina, que estava deitada no próprio quarto. A mulher fingiu que não percebeu e chamou a vítima para tomar uma cerveja na sala. No copo do homem, porém, ela colocou um remédio para dormir, e o homem bebeu.

Erica relatou ter mantido relações sexuais com a vítima para “facilitar” o crime e, assim que ele pegou no sono, o golpeou com uma faca várias vezes. Em seguida, ela o acertou na cabeça com um pedaço de madeira, também várias vezes. Ainda conforme o relato, Erica pediu ajuda a um adolescente para desovar o corpo. A dupla, então, levou o cadáver para uma área de mata, onde o jovem auxiliou a mulher a cortar o órgão genital e colocá-lo na boca do homem, antes de atear fogo no corpo.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Segundo a Polícia Militar, uma tia da criança contou que a menina não foi abusada sexualmente pelo homem, mas confirmou o assédio durante a noite relatado pela mãe da menina.

compartilhe