O humorista Tiago Santineli foi conduzido à uma delegacia em Belo Horizonte na noite desse sábado (21/3), após o término de seu show "Olodumare", realizado no Teatro da Maçonaria ao lado do artista Luis Titoin. Santineli é conhecido por seu humor crítico e por defender religiões de matriz africana. O espetáculo abordava reflexões sobre religiões, cultura e intolerância, sem ataques diretos ao cristianismo, mas tocando em temas historicamente marginalizados.
Apesar disso, um grupo de cristãos — evangélicos e católicos — organizou uma vigília de oração na porta do teatro, transformando a entrada em cena de protesto barulhento, provocações e tentativas de intimidação para barrar a realização do show. A mobilização ganhou força em redes sociais, com chamadas para cancelamento alegando "cultura satanista" e ofensas à fé cristã.
Políticos locais tentaram interferir: o suplente (de vereador) João Fernandes (Novo) — mencionado pelo próprio Santineli em postagens anteriores como "vereador desocupado" que puxava boicote — pressionou publicamente pelo cancelamento, incentivando comentários contra o evento e bateu boca com o humorista em frente ao teatro e acusa o artista de agressão.
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Prisão
Após o fim do show, Tiago Santineli foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos ao ser acusado de agredir o suplente João Fernades e por suas reações irônicas e satíricas aos ataques externos. Em meio ao episódio, o artista mineiro Djonga, rapper conhecido por sua militância e parceria anterior com Santineli (como no teaser "Antipatriota"), esteve na delegacia para prestar solidariedade ao humorista, aparecendo para defendê-lo e apoiá-lo publicamente. O humorista passou a noite na delegacia e foi liberado no início da manhã deste domingo.
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