Com o início do outono, o cenário climático começa a mudar gradualmente em Minas Gerais e Belo Horizonte, após meses marcados por chuvas intensas e frequentes. O período chuvoso, que oficialmente segue até 31 de março, deixa um rastro de transtornos e alertas devido ao solo encharcado. Dados da Defesa Civil municipal reforçam a intensidade da temporada: março se configura, até o momento, como o segundo mais chuvoso dos últimos cinco anos, enquanto o mês passado foi o fevereiro mais “molhado” do mesmo período. A nova estação, no entanto, traz a expectativa de redução das precipitações, além de temperaturas amenas e predomínio de tempo seco.


Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o outono se inicia hoje, às 11h45 (horário de Brasília) – marca do equinócio (leia texto sobre o fenômeno) – e termina em 21 de junho às 5h25. É uma estação considerada de transição entre o verão quente e úmido e o inverno frio e seco, principalmente no Brasil Central. Nesse período, as chuvas são mais escassas, especialmente no interior do país.


Em Minas, a mudança da época chuvosa para a seca é feita no decorrer do mês abril, quando as precipitações se tornam cada vez menos frequentes. Na metade do mês, as chuvas já passam a ser escassas. É característico do outono no estado o predomínio de céu claro, ausência ou poucas nuvens. Essa condição faz com que as manhãs tenham temperaturas mais amenas e as tardes não sejam tão quentes. Também é comum, segundo o instituto, a formação de nevoeiros nas primeiras horas do dia, graças às temperaturas mais baixas e à disponibilidade de umidade.


Já em maio, o Inmet prevê a chegada das primeiras massas de ar frio ao Sudeste do Brasil, que podem provocar episódios mais frios, com declínio acentuado dos termômetros de um dia para outro e a permanência de temperaturas amenas por dias consecutivos. É quando se formam as primeiras geadas na região serrana do Sul de Minas.


O outono mineiro, assim como o inverno, é marcado por episódios quentes intercalados por queda de temperatura, quando do avanço de massas de ar frio. A expectativa também é de chuvas abaixo da média histórica, variando de 10 a 30mm em todo o território.


Na tarde de ontem, em BH, um evento natural foi flagrado na Serra do Curral. Vídeos e fotos cedidas ao Estado de Minas mostram uma camada densa entre as montanhas da cidade. De acordo com Anete Fernandes, do Inmet, o evento é chamado de nuvem orográfica, em que ela se forma de um lado da montanha e, ao passar pelo cume, se dissipa, o que dá a sensação de que está em queda como uma cascata. Segundo a meteorologista, o fenômeno é comum nos meses de outono e inverno.


Em coletiva de imprensa realizada ontem pela Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica para negócios, a meteorologista Desirée Brandt apontou para episódios frios de curta duração em BH, com base em dados do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). “Há uma tendência de redução gradual das chuvas, mas não é um corte antecipado. E ainda tem algum episódio de chuva para acontecer no mês de maio. Isso vai garantir bons índices de água no solo”, explicou.


Além disso, a meteorologista destacou a queda das temperaturas, mas afirmou que não será nada extremo. “O frio será esporádico, de curta duração, isso por conta da possibilidade de um El Ninõ se formando no segundo semestre. O inverno, inclusive, pode ser mais curto e fraco em termos de frequência de ondas de frio”, mencionou. As primeiras ondas geladas de 2026, em Minas Gerais, devem ocorrer ao fim de maio e ao fim de junho, com termômetros na casa dos 16°C e 12°C.


O também meteorologista Alesandre Nascimento ainda destacou a menor chance de queimadas neste outono, período que, por ser seco, costuma favorecer o fogo. “Como tivemos chuva regular no último trimestre, não devemos ter grandes problemas ao longo dos próximos seis meses com queimadas. Mas, abrimos um ponto de atenção para 2027”, disse. Segundo ele, se o El Ninõ (fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal) vingar, o próximo ano pode registrar uma explosão como em 2024.


MESES CHUVOSOS

As chuvas que marcaram o verão foram persistentes e, em muitos momentos, acima da média, provocando uma série de ocorrências pelo estado. Segundo o Inmet, em fevereiro, o maior acumulado a nível nacional foi registrado em Minas, na estação de Juiz de Fora, na Zona da Mata, com 752,4 mm, volume 342% acima da média climatológica. A região foi fortemente castigada por temporais que deixaram rastro de destruição e mortes.


Na capital mineira, o último mês foi o fevereiro mais chuvoso dos últimos cinco anos. De acordo com a Defesa Civil, foram contabilizados 535,5mm, o equivalente a 301,4% da média climatológica de 177,7mm. O volume foi registrado na região Centro-Sul. O órgão municipal usa como referência na classificação para a cidade o índice registrado na região que teve o maior volume de chuvas. Atrás aparece o fevereiro do período chuvoso de 2021/2022, com 506,4mm (285%).


Março, até o momento, é considerado o segundo mais chuvoso do mesmo período. Em primeiro lugar está o mês do período 2023/2024, com 359,6mm (182,1% da média, que é 197,5mm). O atual já soma 270 mm (136,7%). (Colaborou o estagiário Rafael Silva) 

O que é equinócio?

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O equinócio é um fenômeno astronômico que ocorre duas vezes ao ano, marcando o início do outono e da primavera. Trata-se do exato momento em que a luz solar incide igualmente sobre os dois hemisférios, resultando em dias e noites de mesma duração. Equinócio significa “noite igual”.

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