A Polícia Civil de Minas Gerais deflagrou, na manhã desta terça-feira (17/3), a Operação Kodama, com o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, no Distrito Federal e em Sergipe.

Além de Belo Horizonte, a ação ocorre em 11 cidades do estado: Várzea da Palma, Taiobeiras, Três Marias, Elói Mendes, Coração de Jesus, Indaiabira, Francisco Sá, Águas Vermelhas, Santo Antônio do Retiro, Ubaí e Rio Pardo de Minas.

A operação é conduzida pela 2ª Delegacia Especializada em Investigação de Crimes Contra o Meio Ambiente e Conflitos Agrários e apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado à comercialização de carvão vegetal de origem ilegal.

Segundo as investigações, o grupo utilizava documentos ambientais ideologicamente falsos para acobertar a venda de carvão proveniente de mata nativa ou de áreas de eucalipto em situação irregular.

Ainda conforme apurado, investidores estrangeiros teriam feito aportes em empresas, principalmente no Norte de Minas, que seriam usadas para emitir notas fiscais, obter créditos florestais e gerar guias ambientais com capacidade produtiva incompatível com a realidade, em alguns casos, superior à de empresas consolidadas do setor.

Os elementos indicam a existência de uma organização estruturada, envolvendo pessoas físicas e jurídicas em toda a cadeia produtiva do carvão vegetal, incluindo setores florestal, transporte e siderurgia.

Relatórios de inteligência financeira apontaram dezenas de envolvidos com movimentações suspeitas, além da utilização de empresas em nome de “laranjas” ou como fachada para ocultar os verdadeiros responsáveis.

O esquema também causou danos ambientais significativos. Em uma das áreas fiscalizadas, foram identificados cerca de 9 mil metros cúbicos de carvão vegetal com documentação irregular, avaliados em aproximadamente R$ 3,4 milhões.

Por decisão judicial, foram determinadas medidas como:

  • cumprimento de mandados contra 24 alvos;
  • restrição de veículos avaliados em mais de R$ 10 milhões;
  • bloqueio de ativos financeiros que ultrapassam R$ 112 milhões;
  • suspensão de registros de empresas e impedimento de emissão de guias ambientais e desabilitação junto à Secretaria da Fazenda.

A operação busca reunir provas para o indiciamento dos envolvidos e impedir a dissipação de patrimônio durante as investigações. Os suspeitos poderão responder por lavagem de dinheiro, associação criminosa e crimes ambientais.

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Segundo estimativas citadas pela Polícia Civil, entre 50% e 90% da madeira nativa extraída no país pode ter origem ilegal, o que gera impactos ambientais e perdas econômicas globais bilionárias.

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