Mensagem nas redes sociais vira pedido de cassação contra vereador em MG
Vítor Costa é acusado de quebra de decoro depois de reproduzir mensagem sem identificação criticando a Campanha da Fraternidade
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O vereador de Divinópolis Vítor Costa (PT) tornou-se alvo de um pedido de cassação na Corregedoria de Ética e Decoro Parlamentar depois de publicar, nas redes sociais, um print de uma mensagem sem nome ou imagem que identificasse o autor. O caso ganhou repercussão porque, embora a postagem não apontasse diretamente o responsável, o denunciante, o vereador Matheus Dias (Avante), assumiu a autoria do conteúdo e alegou quebra de decoro parlamentar.
A mensagem compartilhada por Vítor Costa, em 5 de março de 2025, foi feita em um grupo privado de WhatsApp dos vereadores de Divinópolis. Na ocasião, houve uma discussão depois que um parlamentar questionou se todos haviam sido convidados para uma coletiva de imprensa da Campanha da Fraternidade.
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Matheus Dias respondeu com uma crítica à campanha. "Campanha da Fraternidade só existe no Brasil, em nenhum outro lugar do mundo fazem isso. Só serve de distração e para tirar o foco católico sobre o verdadeiro sentido da quaresma (oração, jejum e esmola). Conselho aos que não são católicos de IBGE, e sim verdadeiros e praticantes, esqueçam isso", disse.
A republicação da mensagem ocorreu apenas este ano, quando Vítor Costa fez uma publicação nas redes sociais para comentar o tema da Campanha da Fraternidade sobre moradia.
"Quando um tema religioso ultrapassa os muros da igreja e toca em direitos humanos, justiça social e proteção da vida, ele deixa de ser só fé, vira assunto de toda a sociedade. Mesmo que alguns falsos moralistas pensem ao contrário", publicou o vereador.
Na sequência, Vítor Costa inseriu o print da mensagem crítica, o que desencadeou a reação de Matheus Dias.
Quebra de decoro
Ao protocolar a representação na Câmara Municipal, Matheus Dias argumentou que houve exposição indevida de uma conversa privada. Como missionário, segundo ele, o vazamento pode gerar consequências pastorais e institucionais muito sérias a ele. Dias integra a Comunidade Católica Missão Maria de Nazaré e atua em comunhão com a Igreja Católica.
O vereador listou possíveis infrações do vazamento da mensagem: quebra de lealdade entre vereadores; violação de confidencialidade; possível prática de ofensa à honra e quebra de decoro parlamentar.
Junto à denúncia, o próprio Matheus anexou ao processo o print em que assume a autoria da mensagem.
Trâmites da cassação
No dia 12 de março de 2026, a Corregedoria da Câmara Municipal de Divinópolis notificou Vítor Costa sobre a abertura do procedimento e concedeu prazo de 15 dias úteis - até o dia 2 de abril - para que apresente sua defesa.
Depois disso, o caso seguirá os trâmites do Código de Ética e Decoro Parlamentar. Após a análise, a Corregedoria poderá encaminhar o processo para instâncias superiores e chegar ao plenário.
Tentativa de silenciar
Desde o início do mandato, os vereadores trocam farpas em plenário e nas redes sociais. Para Vítor, o pedido de cassação é perseguição e tentativa de silenciá-lo como único vereador de oposição.
"Não tenho dúvidas, gente, de que isso é perseguição. Ainda mais pela alegação dele, que é quebra de decoro. Meu trabalho sempre foi fiscalizar, denunciar irregularidades, defender os servidores. Eu não faço isso gritando, eu não falo palavrão. Eu tento sempre ser educado até quando estou bravo, justamente porque eu sei que, com a composição da Câmara, eu não posso errar", afirma.
Ele diz que a publicação em questão foi para chamar as pessoas para reflexão, sem acusações e sem citar qualquer pessoa.
Reprodução ilícita
Ao justificar o pedido, Matheus Dias afirmou entender que a reprodução da mensagem foi ilícita, por se tratar de um grupo privado de trabalho. "Juntei todo esse material, o print do grupo, a postagem, porque, no meu modo de ver, é algo ilícito. É um grupo de trabalho. Então, nós precisamos buscar a ética. É algo interno, ali nós tratamos várias questões, como disse, nada sigiloso, mas interno. Trata-se de discussão dos colegas vereadores", afirmou.
O vereador ainda alegou que se sentiu ofendido. "Ainda coloca lá falso missionário, atacando a minha fé. Lembrando que, antes de eu ser vereador, eu sou missionário", afirma.
Uma reunião da Corregedoria está agendada para a próxima segunda-feira (23/3).
*Amanda Quintiliano especial para o EM
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