MP investiga esquema de chantagem que usava perfis falsos em redes sociais
A operação Dramaturgia do Medo, deflagrada pela MP de Minas, tem o objetivo de apurar crimes de extorsão cometidos em redes sociais e aplicativos de mensagens.
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Ocorreram ma terça (3/3) e nesta quinta-feira (5/3) duas fases da operação Dramaturgia do Medo, que tem o objetivo de verificar os crimes de extorsão realizados através do uso de perfis falsos para coagir as vítimas a realizar depósitos bancários.
A operação foi deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria de Justiça de Carmo do Rio Claro e do Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber) com o apoio das Diretorias de Inteligência da Polícia Militar e da Polícia Civil de Minas Gerais, do GAECO-MPRS, da PMRS, da Receita Estadual/RS e da Polícia Rodoviária Federal.
Fases da operação
A primeira fase, na terça-feira (3/3), ocorreu em Camaquã, município do RS, onde um dos investigados foi localizado enquanto trafegava e foi preso. Seu celular foi apreendido.
Já na segunda fase da operação, na quinta-feira (5/3) foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços de quatro investigados, nas cidades gaúchas de Triunfo, Sapucaia do Sul, Eldorado do Sul e Guaíba. Foram apreendidos quatro celulares e documentos, que serão posteriormente analisados.
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O MPRS também efetuou duas prisões, uma delas a de um responsável pelas extorsões; e outra a de uma mulher, que atuava como laranja. Porém, ela também realizava movimentações financeiras para o grupo.
Coordenador estadual do GAECO gaúcho, o promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas, destacou que a ação é importante para desmantelar organizações criminosas e parar esses crimes que atingem amplamente a sociedade.
Golpes
A operação visa combater crimes popularmente conhecidos como “golpe dos nudes” ou “golpe da novinha”, que consistem em atrair as vítimas através de perfis femininos falsos nas redes. As conversas entre as vítimas e os golpistas evoluem para trocas de imagens de cunhos sexuais. Em seguida, outros golpistas entram em ação, se passando por familiares e posteriormente por falsos delegados e promotores de Justiça. Os golpistas alegam que a vítima teria se envolvido com menores de idade. A partir disso, exigem dinheiro em troca de não relatar o crime para as autoridades.
Em um dos casos, o alvo transferiu R$ 4 mil, sendo pressionado por mais R$ 30 mil posteriormente. Há indicativos, ainda, de que, em apenas um mês, os suspeitos transferiram entre si mais de R$ 153 mil reais provenientes de crimes.
Com o andamento das apurações, foram identificadas outras duas vítimas do mesmo grupo criminoso, uma de Carmo do Rio Claro e, a outra, de Ipatinga, além de possíveis outras 12 vítimas dos estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Roraima.
Alcance nacional
Os IPs e credenciais identificados no esquema estão espalhados em diversos estados, o que pode sugerir o uso de contas terceiras para dificultar a investigação. O promotor de Justiça e coordenador do GAECIBER do MPMG, André Salles Dias Pinto ressaltou que o esquema demonstra organização, com divisão de tarefas e alcance nacional.
Diante dos elementos apresentados, André, promoveu a preservação de contas de aplicativos de mensagens e das redes sociais envolvidas, bem como diligências de investigação cibernética e quebra de sigilo de dados bancários.
No âmbito financeiro, as apurações indicaram que alguns dos suspeitos seriam titulares de diversas contas bancárias em múltiplas instituições, característica recorrente em esquemas ilícitos para dispersão de valores.
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*Estagiário sob supervisão da subeditora Juliana Lima