A escola de samba Vem Me Ver afirmou ter sido injustiçada no carnaval de São João del-Rei (MG), no Campo das Vertentes. Segundo a agremiação, a perda de quatro décimos no quesito evolução foi considerada um ato incorreto, uma vez que a evolução da escola foi prejudicada por um tiroteio que ocorreu durante o desfile, nesse domingo (15/2). Um adolescente de 16 anos morreu.

De acordo com a escola, disparos de arma de fogo na área destinada ao público provocaram correria, invasão da pista reservada ao desfile e um cenário de desespero generalizado, o que resultou na morte do adolescente.

Alas próximas ao local do tiroteio, incluindo comissão de frente, crianças e baianas, recuaram para proteger seus integrantes.

“Qualquer outra escola, diante de tiros, gritos e pânico, jamais continuaria desfilando normalmente. A prioridade de qualquer ser humano seria sair dali com segurança”, disse a agremiação em comunicado.

A direção da escola também destacou que, no dia do ocorrido, foi acordado que não haveria penalização à escola, uma vez que os problemas na evolução foram causados por um fato externo e imprevisível. No entanto, durante a apuração, foi aplicada a perda de quatro décimos no quesito evolução, o que fez diferença no resultado final e colocou a Vem Me Ver na segunda colocação. O julgamento foi conduzido pela empresa Fesec.

A escola também questiona a condução da Associação das Escolas de Samba, Blocos e Ranchos de São João del-Rei (Aesbra), responsável pela organização do carnaval, que, segundo a Vem Me Ver, não informou formalmente aos jurados sobre a ocorrência no momento da avaliação.

Outro ponto levantado pela escola diz respeito à necessidade de esclarecimentos sobre a governança do processo, uma vez que o presidente da entidade organizadora também ocupa a direção da escola declarada campeã, a Irmãos Metralha.


Protesto

Por considerar a penalização injusta, a Vem Me Ver decidiu não participar do desfile das campeãs nesta terça-feira (17/2). A agremiação resolveu realizar uma apresentação simbólica em seu bairro de origem, Tijuco, para “reafirmar que o carnaval é feito de pessoas e que vidas devem sempre estar acima de qualquer julgamento técnico.”

“A Vem Me Ver pede a revisão do caso, apuração dos acontecimentos e o reconhecimento de que a interrupção do desfile foi uma reação humana diante de uma tragédia, jamais uma falha carnavalesca”, afirmou a escola em nota.

A reportagem do Estado de Minas tentou contato com a Aesbra, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta matéria.

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*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata

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