Mais de R$ 20 bilhões dos R$ 37,6 bilhões previstos pelo Acordo Judicial de Reparação de Brumadinho já foram investidos, de acordo com o Governo de Minas. O balanço foi divulgado em evento na Cidade Administrativa nesta quarta-feira (4/2), dez dias após o rompimento da barragem completar sete anos. Os investimentos, que têm sido direcionados para áreas diversas, como saúde, infraestrutura e mobilidade, foram anunciados acompanhados da justificativa de que nenhuma ação é capaz de reparar a perda das 272 vítimas.
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“Nada trará as vítimas de volta. Nada amenizará a dor tão grande que vocês sentem, mas, pelo menos, estamos deixando um estado melhor”, afirmou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que estava presente no evento. O Executivo estadual informou que 309 iniciativas estão em execução por todo o estado. Até o momento, 421 estão definidas, conforme divulgado.
Ainda segundo o governo de Minas, foram mais de R$ 900 milhões repassados para 16 projetos em Brumadinho, como a construção de 260 casas populares, a pavimentação do trecho Brumadinho-Bonfim e as obras de alargamento e melhorias da estrada localizada no eixo central.
Além de representantes do governo e de órgãos como o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Defensoria Pública estadual, familiares das vítimas do rompimento da barragem estavam presentes no evento. “Antes dos números é preciso falar das vidas (…) a reparação não é um favor, é consequência direta de uma injustiça, ela existe porque pessoas morreram e milhares continuam vivendo às margens desse desastre”, afirmou Nayara Porto, presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão-Brumadinho (Avabrum).
Iniciativas
O acordo prevê reparação ambiental, compensação socioeconômica, transferência de renda e projetos comunitários na região atingida e em Minas Gerais, com prazo de execução de dez anos. Entre as iniciativas voltadas para infraestrutura, que receberam cerca de R$ 9 bilhões, estão a criação do Rodoanel e a melhoria e expansão do Metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
O investimento na área da saúde também foi destaque na prestação de contas. De acordo com o Executivo estadual, foram repassados mais de R$ 2 bilhões para projetos como os hospitais regionais em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri; Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro; Sete Lagoas, na Região Central do estado; Governador Valadares, no Vale do Rio Doce; e Conselheiro Lafaiete, na Região Central de Minas. O governo de Minas também informou que mais de R$ 760 milhões foram investidos na saúde dos municípios atingidos pelo rompimento, por meio da contratação de equipes e de veículos para transporte de pacientes.
No quesito reparação do meio ambiente, não há limite para os investimentos. “A Vale é obrigada a reparar todos os danos ambientais até que as condições socioambientais da região retornem ao estado anterior ao rompimento”, consta no site oficial de informações sobre o Acordo de Reparação.
Entre as iniciativas feitas até o momento, de acordo com o governo de Minas, estão a avaliação completa dos impactos ambientais e o diagnóstico de como a região da Bacia do Paraopeba era antes do rompimento da barragem; a retirada de mais de 6 milhões de metros cúbicos de rejeitos em Brumadinho; e o programa de saneamento básico universal para a região atingida, com investimento de R$ 1,8 bilhão.
Outros investimentos, de acordo com o governo de Minas:
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Desenvolvimento Social: mais de R$ 1 bilhão investidos em projetos como construção de casas populares, reforma de espaços de lazer, como praças e centros esportivos, e reforma e construção de escolas e creches na região atingida;
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Segurança Hídrica: mais de R$ 300 milhões investidos, com projetos em andamento, como a Adutora de ligação dos Sistemas Bacia do Paraopeba (SBP) e Rio das Velhas (SRV);
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Desenvolvimento Econômico: cerca de R$ 240 milhões, sendo mais de 95% para a região atingida, incluindo a construção do Parque de Desenvolvimento Econômico de Brumadinho.
