Familiares e amigos de Daiane Alves de Souza compareceram ao Cemitério e Crematório Parque dos Buritis, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, na tarde desta quarta-feira (4/2), para prestar as últimas homenagens à corretora. A mineira morava em Caldas Novas, no interior de Goiás, quando foi morta pelo síndico do condomínio onde a família administrava seis apartamentos. Ela desapareceu em 17 de dezembro e seu corpo foi encontrado 43 dias depois, na última quarta-feira (28/1).

Georgiana dos Passos Silva, amiga de Daiane, em entrevista a TV Vitoriosa, conta que desde o primeiro momento percebeu que algo de “errado” tinha acontecido com a corretora. Foi para ela que a vítima enviou vídeos mostrando que seu apartamento estava sem energia, no dia que desapareceu, e para quem relatou que ia até o subsolo conferir o quadro de luz.

“Eu já esperava, no fundo do coração, que teria esse desfecho porque ela sempre reclamava das interrupções de energia que o síndico fazia”, disse Georgiana, que afirmou que a amiga só tinha divergências com o vizinho.

Para a amiga de Daiane, com o desfecho a família, apesar da dor, sente que a justiça começou a ser feita.Cléber Rosa de Oliveira, apontado como o principal suspeito, foi preso em 28 de janeiro. O filho dele, Maicon Douglas Souza de Oliveira, também foi detido por obstrução de justiça.

“Hoje eu estou bastante anestesiada, é uma dor que não tem tamanho, porém a gente sente que a justiça está sendo comprida, porque a gente sabe quem que fez, sabe que ele está na cadeia. Eu quero lutar até o fim para que a justiça continue sendo comprida”, relatou a amiga da vítima.

Causa da morte

O corpo de Daiane foi encontrado 43 dias depois de sua morte, em 17 de dezembro. Ele estava em uma área de mata fechada, às margens da rodovia GO-213, a 15 quilômetros de distância da área urbana da cidade. Em razão do avançado estado de decomposição, a polícia científica de Goiás precisou usar o DNA extraído dos dentes da corretora para confirmar sua identidade.

Nessa segunda-feira (2/2), a Polícia Civil de Goiás informou que as apurações indicaram que havia uma bala alojada no crânio da vítima. Com a liberação do corpo, pelo Instituto Médico Legal, a família teve acesso ao atestado de óbito que confirmou que a causa da morte foi um ferimento por arma de fogo.

Apesar da indicação do principal suspeito, a dinâmica do crime ainda não foi totalmente esclarecida. Em janeiro, os investigadores afirmam que a análise de câmeras de segurança mostraram que Daiane foi surpreendida pelo investigado assim que saiu do elevador e teria sido morta em um intervalo de oito minutos. Isso porque uma moradora passou pelo subsolo vinte minutos depois e não notou nenhum movimento suspeito.

“Trabalhamos com as imagens dos elevadores e do acesso ao subsolo, que é restrito a pedestres. Estabelecemos que o crime ocorreu em um intervalo máximo de oito minutos, sem fluxo de terceiros”, explicou Barbosa.

A apuração do caso foi conduzida pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Caldas Novas. Durante coletiva de imprensa, o delegado André Luiz Barbosa afirmou que ao longo dos mais de 40 dias de trabalho, as equipes ouviram 22 pessoas. Dessas, quem tinha os meios e a motivação para cometer um crime contra a vítima seria Cleber.

Segundo ele, a análise de imagens de câmera de segurança do condomínio mostraram, também, que nenhum estranho passou pelas portarias, reforçando ainda mais a teoria de ser alguém de dentro do empreendimento. “A investigação demonstrou que apenas alguém com autorização de acesso ao prédio, controle do sistema e conhecimento da rotina poderia cometer o crime sem ser visto”, afirmou.

O que aconteceu com Daiane?

No dia em que desapareceu, em 17 de dezembro, a mineira foi vista pela última vez às 18h50, quando foi flagrada por câmeras de segurança do edifício. Ela entra em um elevador fazendo um vídeo com seu celular e aperta o botão do térreo e do subsolo. No primeiro andar ela sai, mas dois minutos depois volta.

Familiares explicam que Daiane fazia um vídeo para mostrar que houve um pico de energia no prédio. As imagens foram enviadas a uma amiga da vítima. Na gravação, a corretora diz que vai na recepção perguntar se a concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica em Goiás tinha ido até o prédio, já que suas contas estavam pagas.

De volta no elevador, a vítima aperta o botão para o subsolo. Ela filma que está entrando no pavimento, sai do elevador e não é mais vista. No entanto, as gravações feitas após ela entrar no subsolo não chegaram a ser transmitidas. Segundo familiares, as câmeras de monitoramento do edifício não mostraram a mineira saindo do local e seu carro estava em uma oficina mecânica. Além disso, tirando o celular, a mulher não estava com nenhum pertence pessoal.

“Ela saiu de casa nitidamente com a intenção de religar a energia. Ela saiu sem óculos e deixou a porta do apartamento aberta. A minha filha desapareceu, literalmente, dentro do prédio”, afirmou Niles Alves Pontes, mãe de Daiane, durante as buscas por seu paradeiro.

Durante perícia no local do crime, que seria o subsolo do prédio próximo ao quadro de luz dos apartamentos, a polícia encontrou o celular de Daiane. O aparelho estava em uma tubulação de esgoto. O equipamento está sendo periciado. Conforme a PCGO, mais detalhes sobre o conteúdo encontrado ainda não serão repassados para não atrapalhar as investigações.

Motivação

A Polícia Civil apontou que a motivação do homicídio está ligada a conflitos na administração do condomínio. A família de Daiane é proprietária de seis apartamentos no prédio, cuja administração havia passado do síndico para a corretora. Desde então, surgiram desavenças e ações judiciais. Além disso, Daiane venceu processos contra Cleber, incluindo uma decisão proferida em 11 de dezembro de 2025, que garantiu a ela acesso às áreas comuns do edifício e reconheceu abusos administrativos.

“Os áudios e as provas apontam para uma motivação ligada a conflitos na administração de imóveis”, afirmou o delegado André Luiz Barbosa.

O local em que o corpo foi encontrado passou por perícia. Os investigadores agora apuram a hipótese de que o crime foi premeditado, uma vez que o histórico de conflitos se estendeu por cerca de um ano e meio.

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*Com informações de Liliane Costa, da TV Vitoriosa

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