'NÃO PODERIA ME OMITIR'

Sobrinho comenta acusação de abuso a magistrado que absolveu réu de estupro

"Eu devia isso ao Saulo de 14 anos", diz parente do desembargador. Rapaz afirma que vai levar acusação adiante

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Após absolver um réu de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos, o desembargador Magid Nauef Lauar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), foi acusado de abuso pelo sobrinho, que comentou a repercussão do caso em post nesta quarta-feira (25/2).

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Magid é o relator do voto para absolver o réu. Ele foi acompanhado por Walner Azevedo, enquanto a desembargadora Kárin Emmerich divergiu. Diante da revolta popular com o caso, o desembargador voltou atrás e condenou o réu e a mãe da vítima, considerada conivente com o crime.

Sobrinho do relator, Saulo Lauar publicou texto nas redes sociais na segunda-feira (23/2) e acusou o magistrado de tentar abusar sexualmente dele quando tinha 14 anos. "O ato só não se consumou porque eu fugi", escreveu Saulo, que é servidor do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e também ator.

Repercussão

Nos comentários da publicação, uma mulher, Cássia Claudia Fernandes, afirmou também ser vítima do desembargador. Os depoimentos levaram as deputadas Duda Salabert (PDT), federal, e Bella Gonçalves (Psol), estadual, a acionarem o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Então, o TJMG instaurou um procedimento para apurar as denúncias. Além dos relatos publicados nas redes sociais, Duda disse ter recebido outras duas acusações.

Saulo relatou nas redes sociais que está em “paz” diante da situação: “Eu devia isso ao Saulo de 14 anos”.

“Senti que não poderia me omitir. Tive que abrir mão da minha intimidade e expor a minha família por algo que acreditei ser maior, ainda que não soubesse a dimensão que isso causaria”, disse, em vídeo.

O sobrinho afirmou que os parentes estão “sofrendo muito”: ”Em especial minha mãe e meu irmão têm temido pela minha segurança. Mas eu já entendi que essa história não é mais minha, ela ultrapassa minha vida”.

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Saulo se mostrou tranquilo e afirmou que seguirá com a denúncia, “ainda que seja a última coisa que faça na minha vida”.

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