Carnaval 2026: agora é pra ferver
Depois da pré-folia, festa oficial domina as ruas de BH, com atrações locais e nacionais. Tudo regado a muita alegria e embalado em esquema de segurança
compartilhe
SIGA
Após o período de “esquenta” e a pré-folia, o carnaval oficial de 2026 começa neste sábado (14/2) em Belo Horizonte, com blocos locais para todos os gostos, atrações nacionais e os tradicionais desfiles de escola de samba. E haja fôlego! Desde a abertura do calendário de Momo na capital mineira, em 31 de janeiro, passando pelos quatro dias principais – de hoje a terça-feira (17/2) –, até o pós-carnaval, a programação inclui 660 cortejos em toda a cidade, além de 13 desfiles de escolas de samba na segunda e terça-feira. Classificada como um dos melhores e maiores carnavais do Brasil, a festa em BH é ainda o evento de rua mais seguro do país, garante o prefeito Álvaro Damião (União Brasil).
Na última noite do pré-carnaval, o WS Elétrico fez a festa com desfile da Praça da Liberdade à Avenida Brasil com Pernambuco, embalado por diferentes gêneros musicais, sob o tema “Sexta-feira Infinita”. Como de costume, o último bloco da programação foi o Fúnebre, que tradicionalmente sai às 23h, da Praça da Bandeira, na Serra, no Centro-Sul da capital. Hoje, o primeiro desfile é do Então, Brilha!, que se concentra às 5h, na Avenida do Contorno, 160, Centro.
De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e a Belotur, cerca de 7 milhões de foliões deverão curtir a festa na capital mineira – quase um milhão a mais do que o total de 2025, quando o número alcançou 6,05 milhões. Comparado com o último carnaval, o número de blocos aumentou 8%. Em 2025, desfilaram pela cidade 563 blocos, contra os 612 cadastrados neste ano – alguns para mais de uma apresentação– , sendo 178 estreantes.
Já as escolas de samba representam a cultura e historicidade de Belo Horizonte. O Grupo de Acesso se apresenta na segunda-feira (16/2), na Avenida dos Andradas. A partir das 14h, desfilam Raio de Sol, Unidos da Zona Leste, Unidos dos Guaranys, Mocidade Independente Bem-te-vi e Mocidade Independente da Pampulha. Na terça (17/2), o Afoxé abre as apresentações, às 18h, no mesmo local. Em seguida, desfilam Mocidade Verde Rosa, Acadêmicos de Venda Nova, Imperavi de Ouros, Estrela do Vale, Canto da Alvorada, Imperatriz de Venda Nova, Cidade Jardim e Triunfo Barroco. São avaliados bateria, samba-enredo, alegorias e adereços, fantasias e o desempenho do mestre-sala e da porta-bandeira.
PATROCÍNIO EM DEBATE
Embora o momento seja de celebração, organizadores dos cortejos apontam a falta de recursos como uma das maiores dificuldades para o carnaval de 2026. De acordo com a Associação de Blocos de Rua de BH (Abra-BH), muitos representantes de blocos relataram que podem se despedir dos desfiles neste ano, por não contar com incentivo financeiro, o que afeta a qualidade e a própria viabilidade dos cortejos.
Leia Mais
“A iniciativa privada é muito tímida, não se aproximam muito do carnaval. As empresas precisam tirar a mão do bolso. O bloco de rua tem um trabalho durante o ano inteiro, que pode ser patrocinado pelas marcas. O carnaval de Belo Horizonte tem potencial, e o mineiro é muito criativo, mas é preciso colocar isso em prática”, diz o presidente da Abra-BH e fundador do Bloco de Belô.
MAIS ATRAÇÕES
Na medida em que a festa cresce em BH, também aumenta o número de atrações gratuitas. Neste carnaval, 19 artistas e bandas renomados confirmaram participação em desfiles de vários blocos da capital, mais que o dobro de 2025. Marina Sena, Valesca Popozuda, banda Lagum, Zé Felipe, Michel Teló, Luísa Sonza, Xamã, Pedro Sampaio, Nattan, Banda Eva e Nação Zumbi são alguns dos nomes que prometem embalar os foliões pelas ruas de BH.
O número de grandes shows indica que Belo Horizonte está entrando no radar das produtoras, mas preocupa os artistas locais. A insegurança é sentida até mesmo pelos representantes de blocos grandes, como o É o Amô, que tem um público em torno de 250 mil pessoas. De acordo com a sócia e diretora de Comunicação, Gabriela Antunes, muitas vezes os blocos ficam à mercê dos investidores, que acabam confirmando o patrocínio apenas na semana do cortejo.
“Arrumar patrocínio está sendo difícil, muitos blocos fazem vaquinha. O É o Amô sempre consegue, mas tem sido difícil. O bloco já nasceu grande, com figuras importantes grandes em BH que trouxeram algumas marcas, mas não tem uma segurança (financeira)”, conta.
Apesar disso, o astral é sempre lá em cima. No caso do É o Amô, bloco sertanejo pioneiro em BH, quanto maior o público, mais visibilidade e, consequentemente, maior a chance de conseguir patrocínio. No entanto, Gabriela acredita que o diferencial do bloco é a qualidade sonora. De acordo com ela, o repertório de músicas dos anos 1980 mexe com a afetividade das pessoas e cativa um público diversificado, incluindo diferentes faixas etárias. Neste ano, o tema do bloco é o sertanejo raiz e interiorano.
RAÍZES
Além do É o Amô, outros blocos estão retomando raízes e cultura brasileira e mineira. O Bloco de Belô aposta no tema "território da ginga", pois acredita que é a marca registrada do desfile. A cor de destaque é o vermelho, inspirada na tribo afro Massai – povo alegre e que gosta de festejos, segundo publicação do bloco.
A ancestralidade também será explorada pelas escolas de samba. A agremiação Acadêmicos de Venda Nova, por exemplo, busca contar a história de Belo Horizonte, que começou como Curral Del Rey, passando pelas populações que ocupavam o território antes de ele virar capital. “Temos o prazer de representar o tema 'Belo Horizontem, cidade oculta', resgatar a história da capital, que começou pela destruição da civilização que havia ali no Curral. Rios ocultos que foram concretados, relembrar o edifício Acaiaca e escritores mineiros”, diz Marco Aurélio Gonçalves, um dos fundadores do bloco.
SEGURANÇA
Segundo o prefeito Álvaro Damião, o carnaval de BH tem se consolidado como um dos mais seguros de todo o país. Para prevenir transtornos neste ano, a Polícia Militar de Minas Gerais (PM) utilizará drones com emissão de sinais de alerta e dicas de segurança nos locais com grande número de pessoas. Câmeras com reconhecimento facial ligadas ao programa Muralha BH ajudarão na identificação de indivíduos com mandado de prisão em aberto.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) atuará com o Centro Integrado de Comando e Controle Móvel (CICCM), localizado em pontos estratégicos da cidade, conforme a dinâmica dos eventos. Haverá, ainda, cerca de 7 mil policiais civis e 6 mil bombeiros atuando nas ruas. O chefe do Executivo municipal afirmou, em entrevista ao EM Minas, que os baixos índices de criminalidade no ano passado não se devem apenas ao trabalho das instituições, mas também dos foliões.
“É o carnaval de rua mais seguro do Brasil, de todas as capitais. Ano passado não tivemos nenhuma ocorrência grave. Mostra o quanto a gente se prepara para fazer um carnaval seguro (…). Tenho que agradecer não só à Polícia Militar e à Guarda Municipal, mas ao povo que colabora. As pessoas colaboram também para que a gente tenha um carnaval seguro”, ressaltou.
ATENDIMENTO À MULHER
Para enfrentar casos de assédio, importunação sexual e outras formas de violência durante a folia, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) vai estrear a Cabine Rosa, estrutura criada para centralizar o atendimento das vítimas. Serão duas cabines, funcionando 24 horas por dia, instaladas dentro do Centro de Operações Policiais Militares (Copom), onde fica o serviço de teleatendimento 190. O atendimento será feito exclusivamente por policiais femininas, que passaram por treinamento específico para oferecer escuta qualificada, acolhimento humanizado, triagem das ocorrências e encaminhamento adequado de cada caso.
A vítima poderá acionar o serviço pelo telefone 190 e, nesses casos, a chamada será direcionada para a Cabine Rosa quando se tratar de violência contra a mulher. Outra forma de atendimento será pelo aplicativo Emergência MG, acessado via Telegram ou MG App, na aba “Proteção à Mulher”. Nele o chamado já cai diretamente na cabine especializada.
Entre os crimes que poderão ser atendidos estão situações típicas do carnaval, como importunação sexual, casos de beijo roubado, toques sem consentimento, além de assédio moral, físico ou psicológico e outras formas de violência. A PM informou que a iniciativa não ficará restrita ao período carnavalesco e seguirá em funcionamento depois, inclusive para casos de violência doméstica.
No carnaval de 2025, foram registradas 13 ocorrências de importunação sexual na cidade. Também houve um registro de estupro e um de estupro de vulnerável. O objetivo, segundo o prefeito, é tornar a folia ainda mais segura para as mulheres.
“É o carnaval da mulher, que a mulher é o que ela quiser, veste a roupa que ela quiser. A gente deixa isso bem claro. A prefeitura conta muito com a colaboração do povo. Respeite a mulher. A mulher é o que ela quiser, veste a roupa que ela quiser. Não é porque ela colocou um decote que está dando bola para você. Ela quer felicidade, uma vida tranquila, o momento para ela. Respeite isso”, disse Damião.
SAÚDE
Para atender ao aumento da demanda provocada pelo carnaval e evitar a sobrecarga nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de BH, dois Postos Médicos Avançados (PMAs) foram instalados na capital. Os PMAs começaram a funcionar às 19h de ontem (13/2) e ficam em atividade até as 7h da quarta-feira de cinzas (18/2), sem interrupção.
As estruturas temporárias foram montadas no Centro de Referência das Juventudes, na Rua Guaicurus, nº 50, no Centro, e na UPA Centro-Sul, na Rua Domingos Vieira, nº 488, no Bairro Santa Efigênia. As regiões são estratégicas devido à concentração de blocos e ao fluxo intenso de pessoas.
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), os postos vão atuar na estabilização dos pacientes e agilizar o atendimento. De acordo com o Executivo municipal, serão priorizados casos de intoxicação, desidratação, hipoglicemia, mal súbito, pequenos traumas e outros agravos comuns nesse período.
O Centro de Referência das Juventudes, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, também vai ofertar a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV entre os dias 14 e 17 de fevereiro, das 10h às 16h. No mesmo espaço, estarão disponíveis testes rápidos para HIV, hepatites B e C e sífilis.
Central do Carnaval
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
No auge da folia em Belo Horizonte, o "Central do Carnaval" recebe hoje a Banda do Marcão e Fabinho do Terreiro para animar o estúdio da TV Alterosa. A apresentadora Susana Vieira, que comandará a festa, convida os telespectadores a se juntarem a ela. “Já preparou a fantasia? Então se liga, porque tem 'Central do Carnaval' a partir das 13h. É muito samba, bastidores da folia, convidados especiais e tudo o que está bombando no carnaval de Minas e do Brasil! Reúna a família, aumente o volume e venha curtir com a gente, porque aqui a festa não para!”, diz Susana. O programa, também no Portal Uai, ainda recebe Dona Laura, fundadora do bloco "Xô Preconceito, Meu Nome É Felicidade". Desde 2020, o cortejo celebra a diversidade e a luta contra a discriminação, principalmente contra as mulheres. Nas ruas, o programa acompanha ao vivo dois blocos com mais de 10 anos de história no carnaval de BH: "Quando Come se Lambuza" e "Bloco da Calixto". O "Central" ainda conta com dançarinos do grupo "We Dance" para mostrar as coreografias que estão em alta na folia.