Coral inédito e bandeirão gigante marcam o bloco Abalô-Caxi neste carnaval
Bloco LGBT+ estreia coral de 56 vozes em parceria com a UFMG e promete momento "ritualístico" na Praça Sete, Centro de BH
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O carnaval de rua de Belo Horizonte ganha um capítulo inédito neste domingo (15/2). O bloco Abalô-Caxi vai levar para a Avenida Amazonas o tema “Festa no Vale!”, com performances de drag queens e um coral com 56 vozes. A apresentação ocorrerá durante o cortejo, próximo à Praça Sete, no Centro de BH, e promete uma celebração coletiva de orgulho e pertencimento. O coral é uma parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A concentração está marcada para 8h, na Av. Amazonas, 547, com início do desfile às 9h. O bloco, um dos mais expressivos da capital, aposta em um encontro inédito entre um coral e a bateria do carnaval de rua — formato que, segundo os organizadores, nunca ocorreu na capital mineira.
Momento histórico no cortejo
Regido pelo músico e ator João Pedro Vasconcelos, de 29 anos, estudante da Escola de Música da UFMG, o Coral do Orgulho reúne participantes com diferentes níveis de experiência — de cantores experientes a pessoas que nunca haviam integrado um coral. “Abrimos para quem quisesse participar. O coral parte do princípio de que não existe pessoa que não saiba cantar, mas pessoas com menos experiência”, afirma.
Os ensaios começaram em novembro, no Conservatório da UFMG. Ao todo, cerca de 58 vozes devem subir ao trio, e o coral canta acompanhado apenas pela pianista Ludmila Cunha. No encerramento, a bateria e a banda do Abalô-Caxi se juntam.
O repertório contempla hinos da cultura pop associados à comunidade LGBTQIAPN+, como “Like a Prayer”, de Madonna; “Born This Way”, de Lady Gaga; “I Will Survive”, de Gloria Gaynor; “Crazy in Love”, de Beyoncé; e “Rajadão”, de Pabllo Vittar.
Para João Pedro, a escolha dialoga com a dimensão simbólica do canto coletivo. “O coral carrega uma tradição muitas vezes ligada ao religioso. A gente traz essa ideia de celebração quase como um ritual, mas para louvar a liberdade e a identidade LGBT”, explica. Segundo ele, muitos integrantes irão ao carnaval pela primeira vez.
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Representatividade
Fundado em 2017, o Abalô-Caxi se consolidou como um dos principais blocos LGBTQIAPN+ da cidade. Em 2025, reuniu cerca de 100 mil foliões. Neste ano, além do coral, o cortejo terá uma bateria com aproximadamente 260 integrantes, ala de dança com 17 artistas, banda no trio e performances de drag queens, como Nicariá.
“O Vale vira pista, vira palco, vira mundo”, resume o artista e gestor cultural Rafa Ventura, de 36 anos, um dos fundadores do bloco. “A gente quer abrir uma festa no Centro, em plena luz do dia, para as LGBT+ passarem com sua autenticidade, suas cores e seus amores.”
Segundo ele, o ponto alto será na Praça Sete, quando um bandeirão progressista LGBTQIAPN+ será erguido de uma sacada, enquanto 17 bandeiras com diferentes símbolos da comunidade serão lançadas ao público. “Vai ser quase um momento ritualístico, a nossa oração na rua”, diz.
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Com cerca de 260 ritmistas, 10 músicos no trio e 17 dançarinos, o Abalô-Caxi aposta em um repertório que mistura tropicália, MPB e pop nacional, com referências a artistas como Anitta, Marina Sena, Raquel Reis e Duda Beat. “Quando a gente celebra, celebra três, quatro vezes. O carnaval é esse lugar de ocupar a rua que é nossa”, resume Rafa.