FOLIA

Damião: ‘É o carnaval da segurança e da mulher. Respeite a mulher’

Em entrevista ao 'EM Minas', da TV Alterosa, o prefeito de BH afirma que o carnaval da capital é o mais seguro do país e pede respeito às mulheres na folia 

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O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), afirmou que o carnaval da capital é o evento de rua mais seguro do país. Apesar disso, pediu respeito dos foliões às mulheres, em entrevista ao "EM Minas", parceria com o portal "Uai" e o Estado de Minas.

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“É o carnaval da mulher, que a mulher é o que ela quiser, veste a roupa que ela quiser. A gente deixa isso bem claro. A prefeitura conta muito com a colaboração do povo. Respeite a mulher. A mulher é o que ela quiser, veste a roupa que ela quiser. Não é porque ela colocou um decote que está dando bola para você. Ela quer felicidade, uma vida tranquila, o momento para ela. Respeite isso”, declarou.


Damião ainda fez um balanço dos 10 meses de gestão à frente da prefeitura, do enfrentamento ao período chuvoso e tratou da reclamação dos hospitais filantrópicos de Belo Horizonte em relação aos atrasos nos repasses de verbas, vindas do Ministério da Saúde. Segundo ele, as parcelas foram todas quitadas.


O prefeito comentou também sobre a gratuidade do transporte público aos domingos e feriados, a revitalização do Centro da cidade e o papel que deve desempenhar nas eleições deste ano para a escolha do futuro governador de Minas Gerais.


Confira a seguir os principais trechos da entrevista. O conteúdo também está disponível no canal do portal "Uai" no "YouTube".


  • O carnaval de Belo Horizonte é, realmente, o melhor do Brasil?

É o carnaval de rua mais seguro do Brasil, de todas as capitais. Ano passado não tivemos nenhuma ocorrência grave. Mostra o quanto a gente se prepara para poder fazer um carnaval seguro. É o carnaval da mulher, que a mulher é o que ela quiser, veste a roupa que ela quiser. A gente deixa isso bem claro. Pedimos essa segurança, mas lembrando que a prefeitura conta muito com a colaboração do povo. Tenho que agradecer não só à Polícia Militar e à Guarda Municipal, mas agradecer ao povo que colabora. As pessoas colaboram também para que a gente tenha um carnaval seguro. É o que preciso e quero mais uma vez: fazer um carnaval seguro para todo mundo se divertir.


  • Tem algum detalhe relacionado à segurança que tenha sido melhorado ou que tenha estado diferente este ano comparado ao ano passado? 

É claro que a gente vai aprimorando algumas coisas. Identificamos alguns pontos que precisamos melhorar. Ano passado, o bloco do Alok foi um fenômeno e pegou muita gente de surpresa, inclusive a própria prefeitura. Você não imaginava 1 milhão de pessoas na Avenida Afonso Pena. Não tivemos nenhum problema, mas tivemos que abrir as portas do Parque Municipal para não acontecer de alguém ser esmagado ali, porque era muita gente. Este ano, por exemplo, haverá pessoas preparadas para poder abrir. Não vai precisar de eu ficar em cima do trio pedindo para abrir os portões do Parque Municipal. Já haverá uma equipe preparada ali para fazer isso, se preciso for.


  • O senhor citou que no ano passado teve o trio do Alok e que também foi criticado por ser um grande nome da música "invadindo" o carnaval de Belo Horizonte. Acha que esse espaço que o Carnaval de BH tem dado e aberto para esses grandes nomes da música brasileira, atrapalha o carnaval de rua dos pequenos blocos, por exemplo?

Não concordo quando você fala que ele foi criticado. Foi criticado por meia dúzia de pessoas. A maior parte elogiou. Algumas criticaram o fato de ele ser um artista nacional. A prefeitura não envolveu dinheiro público naquilo. O Alok veio de graça, fez um evento maravilhoso na Avenida Afonso Pena e não tivemos custo com isso. Ninguém está invadindo o carnaval de ninguém. O carnaval é feito para as pessoas e os cantores da mesma forma. Agora eles querem vir porque cresceu de tal forma que todo mundo quer a visibilidade do carnaval. A prefeitura não vai fazer investimento financeiro nisso; o que estamos fazendo é parceria. Valorizamos os que estão aqui. Este ano, mesmo sem um grande patrocínio como o do ano passado, a prefeitura investiu a mesma coisa, só que com recursos próprios, porque entendemos que esses blocos menores precisam desse aporte.

  • Alguns blocos pequenos têm relatado dificuldade de estar no páreo para receber a verba do subsídio da prefeitura. O que o senhor diz para esses pequenos blocos que não conseguem ser agraciados com esse dinheiro? 

Esse é um processo formal. O bloco que não consegue o aporte é porque não tem a documentação necessária. Tem que ter tudo regularizado e se cadastrar. Nós dividimos entre os cadastrados; ninguém fica de fora. Mas tem também aqueles que recebem uma cota e acham que não é suficiente. Eu entendo, mas eles têm que entender que não conseguimos pagar tudo. É por isso que a prefeitura busca patrocinadores, e os blocos também têm que buscar.

  • O senhor considera que o carnaval, comparado com o ano passado, esse ano teve melhorias significativas? Quais seriam elas? Por exemplo, a questão dos ambulantes.

Vamos aprimorando. São aproximadamente 14 mil pessoas credenciadas. No ano passado, muitos reclamaram que eram obrigados a vender apenas a marca do patrocinador. Este ano, a prefeitura resolveu não "brigar" por cervejaria. Minha preocupação é com as pessoas. Teremos creches para acolher as crianças das mães que trabalham na rua catando recicláveis. Quanto aos kits, que não tivemos este ano por falta de um grande patrocinador, vamos trabalhar para que, no próximo ano, a prefeitura dê o kit com a marca de Belo Horizonte e da "Belotur". Não vai precisar de cervejaria bancar.

  • Nem todos os ambulantes que fizeram o cadastro foram retirar a credencial, não é? 

É, e tem aqueles que retiraram para tentar vender. Já colocamos a Guarda Municipal, em parceria com as polícias Civil e Militar, para identificar. Quem vende e quem compra está, imediatamente, fora de qualquer processo de credencial durante o meu mandato.


  • Neste mês, no dia 3, o senhor completou 10 meses à frente da Prefeitura de Belo Horizonte. O que o senhor considera como ações positivas já feitas nesse período?  


A adoção do Anel Rodoviário. É responsabilidade da prefeitura cuidar, embora uma parte ainda seja do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Já mandamos consertar e estamos arrumando a área que inunda perto do Bairro São Gabriel. Retiramos toneladas de lixo. Tivemos chuvas fortes e nenhuma ocorrência grave na Avenida Teresa Cristina, na Vilarinho ou na Bernardo Vasconcelos. Nenhuma ocorrência de deslizamento nas encostas foi registrada. Tudo isso é conquista.


  • Estamos em um período de chuvas. Belo Horizonte se preocupa com esses temporais? 


O prefeito não dorme. Fica preocupado. Você não sabe o que vem. Temos que nos preparar para fortes chuvas, para temporais. Mostramos que estamos. Não perdemos ninguém, até agora, por causa das chuvas em Belo Horizonte. 


  • Alguma área mais crítica, atualmente? 


Não. O risco geológico maior é nas encostas. Belo Horizonte é uma cidade de morros. Pessoas que moram nessas encostas são nossa preocupação. Nossa preocupação é com vidas. Claro que também nos preocupamos com o bem material daquele que tem a loja invadida por água. Não queremos isso, mas contabilizamos vidas. Nenhuma vida foi perdida por causa da chuva e tivemos temporais muito mais fortes do que no ano passado. Ou seja, passamos, pelo menos por enquanto. Mas mostramos que estamos preparados para as fortes chuvas em Belo Horizonte.

  • Como está a pendência sobre o repasse do dinheiro aos hospitais filantrópicos de BH que reclamam da demora no repasse da verba? 

Está resolvido. Resolvemos ontem, sexta-feira. Estive na Câmara de Vereadores. Agradeço ao presidente Juliano Lopes e a todos os outros 40 vereadores e vereadoras. A Câmara fez um aporte, uma devolução de R$ 72 milhões para a Prefeitura de Belo Horizonte. A prefeitura poderia colocar esse dinheiro onde quisesse. É ela que administra isso. Peguei todo esse dinheiro para colocar na saúde. Não só paguei tudo que devia ao pessoal dos hospitais filantrópicos, como antecipei o pagamento que estava marcado para ser feito no último dia do mês. Foi tudo pago ontem, inclusive as bonificações. Vamos ter que conversar com os hospitais filantrópicos porque bonificação não é obrigação. Só que alguns hospitais colocaram isso na folha deles. E querem que a gente pague a bonificação da mesma forma como era pago antes. Mas antes tinha dinheiro sobrando. Vem sobrando desde a pandemia. Ano passado, o prefeito Fuad (Noman) teve muita dificuldade para dar essa bonificação. Esse ano já está bem claro que essa bonificação é inviável para prefeitura. Nós temos que trabalhar com a nossa realidade. Bonificação tem que ser dada quando eu posso dar.


  • Ainda há a necessidade de uma conversa com os hospitais? 


Não, já foi tudo pago. Sobre isso vamos conversar depois do carnaval. Vamos nos reunir com os hospitais para poder ver quais são as dificuldades deles. Quero ajudar. Somos parceiros dos hospitais. O que vamos conversar depois do carnaval é sobre essa parceria. Para mantermos uma parceria que seja saudável. Não pode é você ficar contando com um dinheiro que eu não tenho e me obrigando a pagar uma coisa que eu não sou obrigado a pagar. 


  • O transporte público gratuito aos domingos e feriados completou dois meses. Já dá para saber se aumentou o número de passageiros? 


40% aos domingos. 


  • Como a prefeitura vê isso? Como algo positivo? 


Positivo demais. É o que eu falei. A gente faz o que consegue fazer. Não posso prometer para as pessoas uma coisa que não vou conseguir fazer. Não posso brincar com o dinheiro público. Não posso dar ônibus de graça de segunda a domingo porque não tenho condições para isso. A prefeitura não tem condições de bancar isso. Sou a favor do ônibus de graça. Mas tem que ter participação do governo federal para poder pagar essa conta, porque a prefeitura não paga. O empresário não vai pagar. Ele vai sair da cidade e não vai querer pagar isso. Essa conversa já está mais do que superada. Nós fizemos todo um trabalho para poder definir que podíamos aos domingos e isso era um sonho, dar isso para o povo de Belo Horizonte. Sou uma daquelas crianças que não podia ir para o Parque Municipal, no final de semana, porque não tinha dinheiro para levar todo mundo. Quero que a pessoa vá para a igreja, vá para o parque no domingo porque agora o ônibus é de graça. 


  • Temos agora o Capivarã, na Lagoa da Pampulha. Como está a lagoa, realmente navegável? 


A tábua de carne já está flutuando. Não perca essa oportunidade. São 98% de aprovação. As pessoas que vão, na hora que saem são entrevistadas pela Belotur. Não tem praticamente ninguém que fale que não é legal, que fale que tem cheiro. Estamos cuidando da lagoa, preservando a lagoa. Mas estamos mudando o olhar para a lagoa. A lagoa da Pampulha, no meu mandato, não é instrumento político. Ninguém vai usá-la, como sempre usou, de instrumento político. Chega na época de eleição, fica prometendo limpar a lagoa.


  • Como está a transformação da Praça Sete na Times Square belo-horizontina? 


É trazer tecnologia para a nossa cidade. Melhorar o ambiente do centro da cidade. É dar luminosidade. Quando você ilumina a cidade, dá segurança. Você está preocupado com segurança pública, com quem tem loja no Centro, quer requalificar o centro da cidade. E esse é um dos pontos. Tem muita coisa acontecendo. Vamos ter um novo centro a partir de agora. Temos que trazer mais prédios para esses locais. Para fazer com que as pessoas morem no centro porque ele já tem toda a infraestrutura.


  • Daí veio essa iniciativa do incentivo para a construção? Isso vai atrair as pessoas? 


A empresa quer construir. Se eu der para ela incentivo, ela constrói naquele local onde a gente tá incentivando. Construindo ali, vai fazer com que a prefeitura requalifique todo aquele processo. Pessoas vão morar ali, mais IPTU, mais imposto que essas pessoas pagam, melhora a vida de todo mundo e me ajuda a trazer as pessoas para mais próximo do centro. Para você morar próximo do seu serviço, para ter mais tempo com a sua família, para não se desgastar tanto da sua casa até o seu local de trabalho, para trabalhar em um local mais seguro ainda. O Centro fica mais seguro com mais gente movimentando. É isso que a gente quer para esses bairros que serão praticamente requalificados. 


  • E esse incentivo é interessante para quem vai construir? 


É claro que é. Tiramos taxas. Se você for construir numa área de Belo Horizonte, paga algumas taxas. Nesses locais, tiramos as taxas. A prefeitura não perde nada, ela só ganha. Ela não ganha naquele momento, mas ganha depois com a construção. 


  • Como está a expectativa da prefeitura na volta às aulas nas escolas municipais?

  

Melhor coisa do mundo porque conseguimos, esse ano, dar os kits escolares dentro do tempo, para as crianças. O número de crianças fora da escola, em Belo Horizonte, já é bem irrisório. Temos um carinho muito grande com as creches porque eu sou uma das crianças criadas em creche. Sei da dificuldade que é para uma mãe que precisa deixar uma criança numa creche e não consegue. Aumentamos o nosso número de conveniadas. Temos um tratamento com as escolas públicas que poucas capitais do Brasil tem. Temos um processo de educação em Belo Horizonte que é copiado no Brasil e no mundo inteiro. 


  • Qual o papel o senhor acha que deve ter nessa eleição para governador do estado? O que acha que deve ter, essa pessoa que vai vir para esse cargo?


É a primeira vez que participo vendo de longe, pois não sou candidato. Estou no União Brasil, um dos maiores partidos, e vamos definir o apoio com tranquilidade. Sou o principal prefeito da federação e vou esperar o momento certo para ver o que Belo Horizonte ganha com cada aliança.


  • O senhor vai assumir a liderança do União Brasil? 


É a posição que a gente ocupa hoje. Sou o principal prefeito da federação, não só do União Brasil. Da terceira maior capital do Brasil. Acho que essas coisas são bem naturais. Não fico nessa luta correndo para ser isso ou aquilo. Vou esperar o momento certo, ver o que vamos fazer, pensando em Belo Horizonte. O que Belo Horizonte vai ganhar com o meu apoio a fulano ou beltrano. 


  • Quais o senhor acha que devem ser as prioridades do novo governador?


Não posso falar porque não sei quais foram as prioridades do governador Romeu Zema, do Matheus Simões que vai assumir a partir de agora. Mas se eu fosse governador, prioridade é segurança pública. Precisamos de um estado seguro, de saúde. Aí eu posso falar porque estou na capital do estado. Preciso de mais dinheiro do estado. O estado tem que olhar com outros olhos para a capital. Eu, se fosse governador, olharia de forma diferente para Belo Horizonte, que recebe só o que tem que ser repassado. Não estou falando que não recebe, não. Só que isso que repassa, não é o suficiente hoje para cuidar da saúde do povo de Belo Horizonte. Porque eu não cuido da saúde do povo de Belo Horizonte. Cuido da saúde do povo de Minas Gerais. E é isso que o governo do estado tem que entender. O (hospital) Risoleta Neves que está na divisa da Região Norte de Belo Horizonte, mais da metade das pessoas que buscam o Risoleta Neves, não são de Belo Horizonte. São de Vespasiano, Santa Luzia, de outras cidades. 


  • Como o senhor acha que vai ser o carnaval 2026 em Belo Horizonte?


Vai ser, se Deus quiser, melhor ainda que o do ano passado. Digo para as pessoas que aumentamos a régua demais. Belo Horizonte, em muito pouco tempo, se tornou o melhor carnaval do Brasil. Belo Horizonte é o ponto turístico mais procurado do Brasil no Carnaval. Isso são números da Embratur. Estamos entre as capitais mais procuradas. A minha preocupação é com a segurança das pessoas. É o folião ir para rua e voltar para casa, dormir na casa dele. 


  • Um recado para o folião, para o belo-horizontino e para o turista que vai curtir o carnaval aqui na capital 


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Segurança. Não mexa com as pessoas. Respeite a mulher. A mulher é o que ela quiser, ela veste a roupa que ela quiser. Não é porque ela colocou um decote que está dando bola para você. Ela quer felicidade, uma vida tranquila, o momento para ela. Respeite isso. Nos ajude com a segurança e não faça pipi no chão. Porque a Guarda Municipal está orientada a pegar você pela blusa e levar no primeiro 'pipimóvel'.

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