Para nunca mais esquecer e que a história jamais se repita, com lições, no tempo e no espaço, fundamentais à segurança desta e das próximas gerações. Neste domingo (25/1), são lembrados em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, os sete anos do rompimento da Barragem 1, da Mina Córrego do Feijão, da Vale, que ceifou 272 vidas, incluindo dois nascituros que se chamariam, ao vir ao mundo, Maria Elisa e Lorenzo.


O coração de cada brasileiro reserva, com certeza, um momento para reverenciar a memória dos que morreram – ainda há dois desaparecidos – em meio ao turbilhão de rejeitos, estimados em 12 milhões de metros cúbicos, vazados da estrutura da mineradora. Impactos ambientais e socioeconômicos foram sentidos em toda a Bacia do Rio Paraopeba, e não sumiram por completo do mapa da região. Muito menos das lembranças dos moradores.


Este 25 de janeiro marca também um ano de inauguração do Memorial Brumadinho, com projeto do arquiteto Gustavo Penna, localizado na comunidade de Córrego do Feijão, distante 15 quilômetros do Centro da cidade. Como o próprio nome diz, trata-se de um espaço de memórias dedicado às vítimas de uma das mais terríveis tragédias humanitárias e ambientais do Brasil. Ainda neste domingo haverá, das 8h às 14h, a sétima edição da Romaria pela Ecologia Integral, com participação de familiares e concentração na Praça Orides Parreiras, no Centro. Na programação, tem missa, às 9h30, presidida por dom Joel Maria dos Santos, bispo auxiliar da Arquidiocese de BH, e por dom Francisco Cota, bispo referencial para a Comissão de Ecologia Integral e Mineração do Regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).


COMPASSO DE ESPERA


Enquanto Brumadinho já conta com seu memorial para homenagear as vítimas e acolher familiares, Mariana, na Região Central, e três municípios da Zona da Mata (Barra Longa, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado) atingidos pelo rompimento da Barragem do Fundão, em 5 de novembro de 2015, aguardam há uma década o Museu de Território. Ele seria implantado no subdistrito de Bento Rodrigues, em Mariana e demais áreas onde houve o despejo de 40 milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos de minério de ferro da empresa Samarco, na Bacia do Rio Doce – de Minas até o Espírito Santo. Duzentos municípios sofreram as consequências da catástrofe, que deixou 19 mortos.


Em outra iniciativa, e especificamente para o subdistrito de Bento Rodrigues, surgido nos tempos coloniais, a arquiteta belo-horizontina Jô Vasconcellos apresentou, em 2016, meses após a tragédia em Mariana, a “Proposta conceitual de Uso e Conservação dos Remanescentes da Capela de São Bento”. Na sua definição, “um local de abrigo, aconchego e resgate espacial daquilo que um dia existiu”. A palavra memorial, avisa, não se encaixa nesse caso. “Eu sabia que a tragédia se repetiria”, diz a arquiteta. Com efeito, três anos e oitenta dias depois, Brumadinho viveu o mesmo drama, com as feridas que não cicatrizam.

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A construção em concreto, com uso também da lama que atingiu a região, foi concebida como um “bunker” protetor da base do singelo templo, do muro de um cemitério lateral e do adro. Passada uma década, Jô Vasconcellos não teve qualquer resposta da empresa sobre o anteprojeto para preservação das ruínas. Restou apenas o silêncio – o mesmo que reina na terra arrasada de Bento Rodrigues.

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