A Polícia Civil de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, concluiu o inquérito da morte da personal shopper Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos, ocorrida em 14 de dezembro de 2025, descoberta após o namorado, o empresário Alisson de Araújo Mesquita, de 43 anos, forjar um acidente, batendo o carro em que estavam contra um ônibus de turismo, na rodovia MG-050, próximo a Itaúna.
Alisson, segundo o delegado João Marcos do Amaral, está sendo indiciado por feminicídio circunstanciado por asfixia, com atenuantes de dificultar a defesa da vítima e por fraude processual, por ter adulterado a cena do crime, um apartamento.
Segundo o delegado, a investigação foi longa e os agentes tiveram o cuidado maior de reunir provar. A mais importante delas, ressalta o policial, seriam as cenas do apartamento em que o casal estava que, apesar de a câmera ter sido retirada pelo empresário, os peritos conseguiram recuperar as imagens.
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O empresário está preso desde 15 de dezembro de 2025. Ele foi preso no velório, depois que o perito desconfiou dos ferimentos encontrados no corpo de Henay, que não eram compatíveis com o acidente. Os policiais foram até o velório e conversaram com um irmão da vítima, que ajudou na prisão do empresário.
O crime
De acordo com o delegado, Henay foi vítima de feminicídio. Ela foi morta apartamento em Belo Horizonte, no Bairro Nova Suissa, onde o casal teria participado de uma festa, com amigos da personal shopper.
Depois de cometer o crime, Alisson levou o corpo até o interior do veículo. De BH seguiram para Divinópolis. Após passar pelo pedágio, em Itaúna, o empresário provocou, de forma intencional, uma colisão com um ônibus, com o objetivo de simular um acidente.
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As suspeitas de que a morte não teria sido em função do acidente, mas sim um feminicídio, foram levantadas por um perito, que disse que as contusões não eram compatíveis com a batida. O empresário foi preso ainda no velório da namorada e o sepultamento teve que ser adiado, pois o corpo foi recolhido para novos exames no Instituto Médico Legal (IML).
O suspeito está preso no Presídio Floramar, em Divinópolis. O casal tinha uma relacionamento havia cerca de um ano.
Relato
O relato da funcionária da praça de pedágio acendeu a desconfiança da polícia. Uma filmagem mostra o momento em que Alisson está no banco do passageiro do carro e paga o pedágio. No banco do motorista está Henay, aparentemente desacordada. Mas o carro arranca e sai para dar continuidade à viagem. Na verdade, Alisson estava dirigindo o veículo.
Em depoimento, a funcionária da concessionária explicou o que viu. “Observei a mulher desacordada no banco do motorista, enquanto o companheiro, com lesões aparentes e em estado de nervosismo, conduzia o automóvel a partir do banco do passageiro, recusando ajuda e deixando o local rapidamente”.
O crime
A investigação mostrou que o crime ocorreu na noite anterior no apartamento onde o casal residia, em BH. Houve uma discussão entre o casal, quando Alisson agrediu Henay e a teria asfixiado.
Numa perícia realizada no apartamento do Bairro Nova Suissa, foram encontrados vestígios de sangue na maçaneta, sofá e no chão.
As imagens de câmeras do condomínio, que foram recuperadas, mostram o momento em que o investigado desce até a garagem carregando o corpo da mulher e o coloca no banco do motorista do veículo.
As imagens também revelam que o carro deixa o condomínio, com Henay no banco do motorista, e Alisson no do passageiro, mas segundo o delegado, é ele quem conduz o veículo.
Do apartamento, Alisson seguiu para Divinópolis. Uns dez minutos depois de passar pelo pedágio, na altura do km 90 da MG-050, ele jogou o carro na contramão e provocou a batida em um ônibus. O plano era fazer com que o acidente, forjado, culminasse na morte de Henay.
Provas
O delegado João Marcos conta que os laudos médico-legais foram determinantes para o esclarecimento do caso. “A necropsia apontou como causa da morte a asfixia por constrição cervical externa, com sinais de esganadura, associada a traumatismo cranioencefálico contuso, afastando a hipótese de óbito decorrente do acidente”.
Os policiais conseguiram, também, reunir provas de violência doméstica. Existiam registros policiais, depoimentos, prontuários médicos, mensagens e vídeos que demonstraram agressões anteriores, incluindo episódios de esganadura registrados, em vídeo, em agosto do ano passado.
Contra o empresário existem ainda registros de histórico de violência doméstica contra outra mulher, com quem manteve relacionamento antes de Henay, inclusive com pedidos de medidas protetivas.
“Após o crime, o suspeito retornou ao apartamento e retirou uma câmera de monitoramento interno, numa tentativa de eliminar provas. Na condição de síndico, ele tinha acesso ao sistema de câmeras e às gravações do prédio. No celular dele foram encontradas pesquisas sobre acidentes fatais, medicina legal e jurisprudência”, afirma o delegado João Marcos do Amaral Ferreira.
O chefe do 7º Departamento de Polícia Civil, delegado Flávio Tadeu Destro, ressalta que a atuação integrada das equipes policiais para o sucesso das investigações. “A troca imediata de informações, ainda durante o velório, aliada ao empenho dos policiais, possibilitou a prisão em flagrante e impediu que a tentativa de simulação se consolidasse”.
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As investigações foram conduzidas pela equipe da Delegacia de Polícia Civil em Itaúna, com apoio da Agência de Inteligência do 7º Departamento e do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) em Belo Horizonte, responsável pelos levantamentos no apartamento do casal.
