Durante muito tempo, o Carnaval de Belo Horizonte foi visto como um evento essencialmente local, marcado pela ocupação espontânea das ruas e pelo protagonismo dos moradores. Essa percepção mudou.
Em poucos anos, a capital mineira passou por uma transformação que colocou a folia no centro das estratégias de desenvolvimento urbano, econômico e cultural. Hoje, falar em turismo no Carnaval de BH é tratar de um fenômeno que movimenta bilhões, atrai visitantes de todo o país e reposiciona a cidade no cenário do turismo brasileiro.
Os números confirmam essa virada. Dados do Observatório do Turismo da Belotur mostram que, em 2024, o Carnaval de BH reuniu cerca de 5,5 milhões de foliões e movimentou aproximadamente R$ 943 milhões na economia local.
Já em 2025, segundo o Relatório de Impacto Econômico e Pesquisa de Demanda Turística da empresa municipal, a festa alcançou 6,05 milhões de pessoas nas ruas e teve um impacto estimado em R$ 1,2 bilhão, além da geração de mais de 20 mil empregos diretos e indiretos. Em apenas um ano, o crescimento no faturamento foi de 27%, consolidando o evento como um dos principais motores econômicos da capital.
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Visitantes impulsionam o crescimento da economia carnavalesca
Embora a maior parte do público ainda seja formada por moradores, 82% em 2025, de acordo com a Belotur, é o comportamento do turista que explica grande parte desse salto econômico. Os visitantes do Carnaval de BH, que representaram 18% do público no mesmo ano, têm um impacto financeiro significativamente maior do que o do folião local.
Levantamentos do Observatório do Turismo indicam que Belo Horizonte recebeu 262 mil turistas durante o Carnaval de 2024. Em 2025, esse número subiu para 270,5 mil pessoas, considerando o período entre o fim de fevereiro e o início de março. Mais do que o volume, o perfil desse visitante ajuda a entender o efeito multiplicador da festa: 94,4% afirmaram que o Carnaval foi o principal motivo da viagem.
Ainda segundo a pesquisa de 2025, a permanência média dos turistas foi de 3,9 dias, com gasto diário de R$ 483,69, valor superior aos R$ 397,42 registrados em 2024. No total, cada visitante deixou, em média, R$ 1.856,44 na cidade, reforçando o papel do turismo como vetor central da economia carnavalesca.
EBB Bloco, na Rua Vicente Risola, no Santa Inês com turistas de Brasília
Rede hoteleira e alimentação sentem o impacto direto da folia
Os reflexos do movimento aparece com clareza nos setores ligados ao turismo. A Sondagem de Ocupação Hoteleira da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Minas Gerais (ABIH-MG) aponta que a taxa média de ocupação para o Carnaval de 2026 já atinge 70% na capital mineira antes mesmo do início oficial da festa. A expectativa do setor é que o índice supere o registrado em 2025, quando a média da cidade foi de 76,73% e a região Centro-Sul alcançou 82,10%.
A concentração da demanda segue tendências consolidadas, com bairros da região Centro-Sul, como Savassi e Lourdes, além da Pampulha, sendo os mais procurados devido à proximidade com os desfiles. Embora os números definitivos de 2026 ainda dependam do fechamento da folia, o histórico da Belotur reforça que a hospitalidade mineira se divide entre hotéis, plataformas de aluguel por temporada e a tradicional estadia em casas de parentes e amigos, fatores que consolidam BH como um dos destinos mais buscados do país.
Bares e restaurantes devem seguir o mesmo ritmo. Dados da Abrasel-MG, obtidos a partir do levantamento de desempenho do setor de alimentação fora do lar durante o Carnaval de 2025, indicam que o aumento foi de cerca de 25% no faturamento em relação ao ano anterior(2024). O crescimento foi impulsionado tanto pelos turistas quanto pelo consumo intenso ao longo dos trajetos dos blocos, especialmente nas áreas de maior circulação.
Chuveirão instalado no Bar e Café Cultura fez sucesso na folia 2025, com foliões que subiam a Rua da Bahia
Carnaval reforça vínculos dos moradores com a cidade
A transformação do Carnaval de BH também se reflete na percepção dos moradores. Pesquisas do Observatório do Turismo mostram que cerca de 60% dos belo-horizontinos da Região Metropolitana afirmaram que considerariam viajar para outro destino caso o Carnaval não ocorresse na cidade, um dado simbólico de como a festa passou a influenciar escolhas de lazer e permanência.
A avaliação geral do Carnaval de 2025 reforça esse cenário. A nota média atribuída pelos foliões foi 8,8, e 83,8% afirmaram que as expectativas foram atendidas ou superadas. O índice de recomendação chegou a 93%, enquanto 70,4% dos participantes que já haviam estado em edições anteriores perceberam melhora no evento, especialmente em organização, segurança e infraestrutura.
Fluxo recorde de turistas amplia o alcance nacional do evento
O crescimento do turismo também aparece nos principais pontos de entrada da cidade. Dados compilados pela Prefeitura de Belo Horizonte a partir das concessionárias indicam que a Rodoviária de BH registrou 87.514 desembarques durante o Carnaval de 2025, aumento de 7,1% em relação ao ano anterior.
No Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, sob gestão da CCR Aeroportos, foram contabilizados 220.718 passageiros entre 28 de fevereiro e 6 de março, alta de quase 26% na comparação com 2024.
Ainda segundo a Belotur, os turistas vieram de pelo menos 18 estados brasileiros, com destaque para o interior de Minas Gerais (58,9%), São Paulo (17,8%) e Distrito Federal (5,9%), além da presença de visitantes internacionais. O Carnaval de BH deixou de ser um evento regional para assumir dimensão nacional.
Economia criativa e trabalho temporário ganham força na folia
Outro diferencial do Carnaval belo-horizontino está na capacidade de distribuir renda. A cada edição, milhares de postos de trabalho temporários são criados em áreas como produção, segurança, limpeza e alimentação. O comércio ambulante se destaca nesse cenário. Em 2024, mais de 55% dos ambulantes credenciados participaram do evento pela primeira vez, segundo dados municipais, encontrando na festa uma oportunidade concreta de geração de renda.
Esse modelo, baseado na ocupação democrática do espaço urbano, fortalece a economia criativa e amplia os efeitos sociais da folia para além do calendário oficial.
Rapper Djonga pela primeira vez descendo a rua João Pinheiro próximo a praça da Liberdade no Carnaval 2025
Planejamento para 2026 consolida BH entre os maiores carnavais do mundo
Com os resultados de 2024 e 2025, o planejamento para 2026 já parte de metas ambiciosas. Informações divulgadas pela Prefeitura de Belo Horizonte e pela Belotur indicam expectativa de receber cerca de 7 milhões de foliões, consolidando a cidade como um dos maiores carnavais de rua do mundo.
Os editais de inscrição de blocos para 2026 já contabilizam 612 grupos cadastrados, um aumento de 8% em relação ao ano anterior, com 178 estreantes. A previsão é de pelo menos 660 desfiles distribuídos pelas dez regionais da cidade, entre o pré, o feriado e o pós-Carnaval, reforçando a estratégia de descentralização do turismo e do impacto econômico.
Com planejamento, dados consistentes e crescimento sustentado, o Carnaval de BH se afirma como uma política de turismo urbano e uma expressão cultural que redefine a relação da cidade com suas ruas, e com quem chega de fora para vivê-las.
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