A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) monitora surtos de escabiose, conhecida como sarna humana, no Centro-Oeste de Minas, após registros confirmados em São Gonçalo do Pará e o surgimento de casos suspeitos em municípios da região. Itapecerica, por exemplo, confirmou o surgimento de casos suspeitos. A cidade descarta que haja um surto, no momento.
Embora a doença não exija notificação compulsória, a SES-MG acompanha situações que envolvem transmissão coletiva. Conforme a pasta, surtos, definidos como dois ou mais casos com vínculo epidemiológico, devem ser comunicados pelos municípios ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Minas Gerais (CIEVS-Minas), para avaliação técnica e adoção de medidas de controle.
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Surto de sarna em São Gonçalo do Pará
São Gonçalo do Pará foi o primeiro município do Centro-Oeste mineiro a emitir alerta oficial. Até o início deste mês, a cidade contabilizava 10 casos confirmados de sarna humana, todos diagnosticados por médicos ao longo das duas últimas semanas de dezembro de 2025.
Desde então, o município intensificou orientações à população, ampliou o acesso ao tratamento e adotou medidas preventivas, inclusive para os profissionais de saúde. "A ivermectina está sendo ministrada aos agentes de saúde, enfermeiros, técnicos e motoristas, como forma de prevenção", detalha o secretário municipal de Saúde, Antônio Carlos Lima.
Casos suspeitos em Itapecerica
Já a Prefeitura de Itapecerica, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informou que equipes acompanham casos suspeitos de escabiose, atendidos tanto na Atenção Primária quanto na unidade hospitalar do município.
De acordo com a nota oficial, os pacientes apresentaram sinais dermatológicos, como coceira intensa, feridas e eritema. No entanto, a administração municipal reforça que não há confirmação de surto ou epidemia até o momento.
Mesmo assim, por precaução, a prefeitura adotou medidas preventivas e mantém monitoramento contínuo. As equipes seguem com a investigação técnica e com o acompanhamento clínico dos casos.
Sintomas, diagnóstico e tratamento
A escabiose ou sarna é uma parasitose humana causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, transmitido pelo contato direto e prolongado com uma pessoa infectada ou pelo uso de roupas e objetos do indivíduo infectado. A fecundação do ácaro ocorre na superfície da pele, onde a fêmea penetra para depositar os ovos que, quando eclodem, liberam as larvas.
Conforme o coordenador do curso de Enfermagem da Faculdade Anhanguera, Klauber Menezes Penaforte, a doença é transmitida por meio do contato direto entre pessoas. "A forma mais comum é por meio de objetos como toalhas, roupas e lençóis, ou seja, objetos compartilhados entre portadores da doença", explica.
Entre os principais sintomas da doença estão:
- Coceira intensa, principalmente à noite;
- Lesões na pele, vermelhidão e pequenas feridas;
- Áreas mais comuns: mãos, punhos, axilas, cintura e região genital.
"Os sintomas correspondem à intensa coceira no local, que se acentua mais no período noturno, e é comum o surgimento de pequenas bolhas avermelhadas, principalmente entre os dedos, na região axilar e, nas mulheres, nos seios", esclarece.
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O tratamento segue padrão do Ministério da Saúde e ocorre por meio de solução ou creme, de acordo com orientação médica. "O tratamento deve atingir todos os contatos do portador. Se há uma pessoa dentro do domicílio com sarna, todos devem ser tratados, inclusive aqueles que não apresentam sintomas, para evitar possível quadro de infestação", explica Penaforte.
Entre os cuidados estão: evitar contato íntimo com pessoas com sintomas; não compartilhar objetos pessoais; lavar roupas e roupas de cama com água quente; e manter higiene adequada.
"Manter os cômodos da casa limpos, mesmo aqueles que não têm contato direto, fazer a troca diária de roupas, porque o ácaro tem capacidade de viver fora do corpo. Ele não precisa estar necessariamente na pele. Há um prazo de sobrevida fora do corpo humano", orienta.
Sarna humana x animal
É comum haver confusão entre a sarna humana e a sarna de animais. Conforme o veterinário Gabriel Almeida Dutra, animais como cães e gatos não transmitem a doença. "A sarna humana é causada apenas pelo ácaro Sarcoptes scabiei var. hominis. Ácaros de animais podem causar coceira temporária em humanos, mas não se reproduzem na pele humana, não causam escabiose verdadeira e não mantêm transmissão entre pessoas", explica o veterinário e também coordenador do curso da Una.
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*Amanda Quintiliano e Ricardo Welbert especial para o EM
