Sarna humana x sarna animal: entenda as diferenças
Embora haja semelhanças nos sintomas, o ácaro da sarna em humanos é específico para nossa espécie — animais causam apenas irritação temporária, sem reprodução o
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Com o monitoramento de surto de sarna humana (escabiose) em municípios como São Gonçalo do Pará e suspeitas em Itapecerica, pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), cresce a procura por informações sobre a doença. Uma das dúvidas mais comuns é: a sarna pega de cachorro ou gato? A resposta curta é não — pelo menos não a forma contagiosa e persistente que afeta humanos.
A sarna humana, oficialmente chamada de escabiose, é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei variedade hominis. Esse parasita é específico para humanos: ele penetra na pele, cava túneis, deposita ovos e se reproduz completamente no hospedeiro humano. A transmissão ocorre por contato direto prolongado pele a pele (abraços, sexo, dormir na mesma cama) ou por objetos contaminados (toalhas, lençóis, roupas). A coceira intensa — pior à noite —, lesões avermelhadas, bolhas, feridas e traços lineares (especialmente entre dedos, punhos, axilas, cintura e região genital) surgem após 2 a 6 semanas de incubação na primeira infestação.
Já a sarna animal, principalmente a sarcóptica (a mais comum em cães, também chamada de escabiose canina), é provocada pela variante Sarcoptes scabiei var. canis (ou variantes semelhantes em gatos e outros pets). Esse ácaro é adaptado aos animais. Quando acidentalmente entra em contato com a pele humana — por exemplo, ao acariciar um cão infestado —, pode causar coceira e irritação temporária (dermatite transitória), mas não completa seu ciclo de vida na pele humana. Ele não se reproduz, não deposita ovos viáveis e morre em poucos dias a semanas (geralmente até 4 semanas). Por isso:
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Não há transmissão de sarna humana verdadeira de animais para pessoas
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Não há contágio entre humanos a partir de um pet.
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Animais não pegam a sarna humana de forma grave ou persistente de humanos (o inverso também é raro e transitório).
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Orientações
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e o Manual MSD e orientações de secretarias de saúde reforçam: cães e gatos não transmitem a escabiose humana. A confusão surge porque a sarna sarcóptica canina é zoonótica em potencial (pode causar sintomas leves em humanos), mas a infestação em pessoas é autolimitada e não requer o mesmo tratamento prolongado da escabiose verdadeira.
No surto atual em Minas Gerais, os casos confirmados são de escabiose humana, transmitida entre pessoas. A SES-MG e prefeituras recomendam tratamento simultâneo de todos os contatos domiciliares (mesmo assintomáticos), lavagem em água quente de roupas e lençois, e higiene rigorosa para interromper a cadeia.
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Se você ou alguém próximo apresentar coceira persistente, procure uma unidade de saúde para diagnóstico e tratamento adequado — a escabiose tem cura rápida quando tratada corretamente, mas exige ação coletiva para não se espalhar.