Morre o jornalista e chargista Oldack Esteves, aos 96 anos
Oldack trabalhou no jornal Estado de Minas por 68 anos. Seus trabalhos ajudaram a retratar a trajetória política do país
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Morreu nessa sexta-feira (30/1) o jornalista e chargista Oldack Esteves, aos 96 anos. O comunicador foi enterrado na tarde deste sábado (31/1) no Cemitério Bosque da Esperança, em Belo Horizonte.
Oldack trabalhou no jornal Estado de Minas por 68 anos. Seus últimos trabalhos foram publicados em 2005.
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“Com seu traço, Oldack ajudou a retratar a trajetória política do Brasil e, ao longo das décadas, marcou a história do Estado de Minas”, afirma Josemar Gimenez, presidente do jornal.
Em conversa com o Estado de Minas, a sobrinha de Oldack, Nadya Risocelli, explicou que as filhas do jornalista, Gabriela e Mariana, estão muito abaladas com a perda, já que o pai era o pilar da família. Além disso, elas perderam a mãe, em 2020, de forma repentina, após uma cirurgia, o que deixa a perda do pai ainda mais difícil. “A saúde dele começou a se fragilizar depois da morte da esposa. Ele viveu para a família.”
Apesar disso, segundo a sobrinha, o tio esteve lúcido até os últimos momentos de vida, sempre falando e pensando sobre política. “Ele teve um final de vida tranquilo. As filhas cuidaram muito bem dele. Não teve sofrimento. As meninas estão bem, apesar de tudo”, relata.
Oldack costumava inserir elementos fixos em suas charges, como a presença constante de um rato e uma tartaruga, que funcionavam como um selo pessoal ou metáfora recorrente em suas sátiras.
Os traços dele, inclusive, inspiraram vários trabalhos em universidades, como é o caso de uma dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2006. O objetivo do trabalho foi avaliar a polifonia no trabalho de Oldack.
Para Vaneza Aparecida de Figueiredo Vasconcellos, as charges de Oldack Esteves chamam a atenção pela maneira peculiar como são construídas. “Muitas vezes, o espaço de uma única charge é dividido em planos distintos que mostram diversos espaços sociais, culturais, esportivos e, principalmente, políticos”, diz.
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“O uso de vários recursos, como a fotografia retirada de um artigo ou reportagem e inserida nos desenhos, e da inserção de provérbios, narrativas, denominações diversas, diálogos ambíguos e comentários parecem simular o discurso do outro, representado em muitas oportunidades por animais personificados, constituindo-se em estratégias que nos pareceram importantes para uma reflexão no interior da análise do discurso”, completa.