Chacina de SC: a dor de uma mãe que perdeu o filho brutalmente assassinado
Avô de Pedro, Sílvio, trabalha, desde domingo, na construção de um túmulo para o neto
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Crises de choro. Noites sem dormir. Esta tem sido a rotina, desde sábado, de Dona Sílvia, mãe do paulista Pedro Henrique Prado dos Santos, de 19 anos, um dos quatro amigos mortos e torturados em uma chacina em Santa Catarina. Os outros são os mineiros Bruno Máximo da Silva, de 28 anos; Daniel Luiz da Silveira, 28; Guilherme Macedo de Almeida, 20. Sílvia Prado de Oliveira conta que a vida mudou desde então e ela não sabe explicar direito a dor que sente.
Pedro era o filho mais velho de Sílvia, fruto do primeiro casamento. Ela tem outras três filhas, de quatro meses, 12 e 14 anos.
“Tenho crises de choro constantes. Minha filha, de 14 anos, sempre vem me consolar quando começo a chorar. Mas logo em seguida, ela também cai no choro. Está muito difícil”, diz Sílvia.
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Ela conta que quando o filho saiu para ir para Santa Catarina, não lhe sai da cabeça, principalmente a sua fala. “Ele saiu feliz daqui. Dizia que iria buscar um futuro bom, melhor. Que iria trabalhar e conquistar seu futuro. E não vai mais voltar”.
A mãe diz que a ficha não caiu. “Acho que isso só acontecerá, quando o caixão chegar e o sepultamos”.
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Segundo ela, Pedro era uma pessoa alegre, mas reservada, que não gostava de se abrir, para que não falassem dele. “Pra você ter uma ideia, ele nem gostava de tirar fotos”, conta.
A família está muito abalada. “Tenho recebido apoio de meu pai, Sílvio, e de minha mãe, Marili. Eles não saem do meu lado. André, meu marido atual, também tenta me apoiar, o tempo todo. Ele está muito sentido. Ele e o Pedro eram muito próximos.
Sílvio, avô de Pedro, é mestre de obras. “Meu pai está, desde ontem, no cemitério. Ele está preparando, sozinho, o túmulo do Pedro”, conta Silvia, que fala disso e começa a chorar.
Ela conta que sua válvula de escape está sendo a filha recém-nascida, de quatro meses. “Não fosse ela, teria ido para Santa Catarina procurar pelo Pedro. Ele era muito amoroso. me ligava todos os dias e dizia que qualquer coisa que precisasse podia pedir pra ele. Eu não vou me acostumar a ficar sem ele.”
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Pedro e Guilherme serão velados na terça-feira (6/1) no Cemitério Luiz Smargiassi, em Guaxupé (MG), no Sul de Minas, de 6h30 às 10h, com caixão fechado. Na sequência, serão sepultados. Os corpos de Bruno e Daniel foram sepultados nesta segunda-feira (5).