Na tarde dessa quarta-feira (13/12), morreu, aos 82 anos, o célebre professor Romeu Sabará, pesquisador da área de antropologia cultural, folclore e cultura afro-brasileira. Sabará era reconhecido, principalmente, pelas pesquisas e atuação no campo do congado mineiro, tema a que se dedicou desde 1970.

 

O professor lecionava no Departamento de Antropologia e Arqueologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) de 1970 a 1996. Ele morreu devido a complicações geradas por uma cirurgia no coração. O corpo foi velado nesta quinta, das 9h às 12h, no Cerimonial Santa Casa, Região Centro-Sul de BH, e será cremado em Betim.

 



 

Romeu Sabará era licenciado em Ciências Sociais pela UFMG e doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). Ele chegou a lecionar como professor visitante no Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade de Havana, em Cuba.

 

Seu trabalho era voltado para comunidades indígenas, cultura negra, comunidades negras rurais remanescentes de quilombos, comunidades urbanas de periferia, cultura popular e folclore.

 

Jornada de Romeu Sabará no congado mineiro

 

O congado mineiro é uma manifestação de inspiração bantu, que é um grupo etnolinguístico africano. A expressão folclórica foi um dos principais temas investigados por Romeu Sabará ao longo de sua jornada. Em 1974, o professor e pesquisador concebeu a Missa Conga: rito paralitúrgico vinculado às festas de Congado e do Rosário em Minas Gerais.

 

Convocado pelos próprios congadeiros, Sabará ocupou a presidência da Federação dos Congados de Minas Gerais, no período de 1989 a 1992. Antes disso, atuou como assessor da instituição, entre 1970 e 1988.

 

No seu primeiro ano na presidência da Federação, o antropólogo comandou uma delegação de congadeiros à França para participar das comemorações do Bicentenário da Revolução Francesa. A sua tese de doutorado, publicada em 2015, foi um dos trabalhos mais importantes de Romeu, discorrendo sobre a comunidade negra dos Arturos, em Contagem, na Grande BH.

 

Seu último feito foi o lançamento do livro “Memórias de um antropólogo brasileiro em plena ditadura”. Além disso, ele também escreveu livros de poesia, como De Marias e Madalenas, saga de José Maria Madalena, lançado em 1996 pela Mazza Edições e republicado em Lisboa pela Chiado Books, em 2019.

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