A modelo pernambucana Mikaela Gomes encerrou o desfile da grife Foz na São Paulo Fashion Week (SPFW), na noite de domingo (18/10), segurando a Constituição Federal de 1988. Durante os aplausos finais, o estilista alagoano Antônio Castro também carregou um exemplar. Ambos os livros exibiam a capa recoberta de cristais e strass, acompanhada por uma rosa vermelha.
O ato ocorreu às vésperas da eleição, período em que alterações no texto constitucional já foram cogitadas. Vestida de noiva em um modelo longo e inteiramente branco, com detalhes em renda e chapéu de penas, Mikaela foi ovacionada pelo público. A peça trazia nas costas a frase “Dirigido por mim, guiado por Deus”.
A exibição do exemplar gerou debates imediatos nas redes sociais após a gravação viralizar. “Finalmente algo desse SPFW que eu vi de longe e gritei: ARTE, MODA, POLÍTICA, MENSAGEM!”, escreveu um perfil.
“Casada com a democracia. Óleo sobre tela”, disse outro.
Embora a apresentação não citasse nomes políticos, Mikaela já havia informado voto em Lula na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno marcado para 25 de outubro. No dia 12, ela comentou a formação histórica, a pobreza e o avanço da região Nordeste.
“Quem foi que acabou com o Nordeste? A esquerda? Sei que muitas pessoas pensam que sim, mas a realidade é bem diferente. E você tem total direito de discordar, afinal de contas vivemos numa democracia”.
No Instagram, Castro agradeceu a participação da modelo no desfile. “Que coisa linda, que orgulho da gente. Obrigado por carregar essa mensagem com elegância e graça”, escreveu.
Em outra postagem, ele falou sobre o posicionamento político. “Eu sou só um menino de Maceió caminhando numa passarela com um livro na mão. Eu sou uma multidão dos que ainda buscam por uma voz nessa indústria. Eu sou você, estudante de moda que se vê em mim. Eu sou muitos dos que não têm o privilégio de permanecer em silêncio. Vocês me deram um microfone, agora vocês vão ter que me ouvir falar. Apertem os cintos porque esse Expresso Maravilha vai acelerar”, publicou nas redes sociais.
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Inspiração e trabalho manual
Apresentada com o nome "Expresso Maravilha", a coleção explorou lembranças de infância, o retorno às raízes do interior brasileiro e a saudade de casa. A cenografia projetou estradas em movimento na entrada da passarela, emolduradas por cortinas de tecido, em referência a filmes de viagem no estilo de "Bye Bye, Brasil".
As roupas integraram elementos cotidianos como almofadas, conchas de cama matelassadas, babados e cenas de galinheiro e de namoradeiras. Castro explicou a proposta no material de divulgação: “esses elementos criam a ideia de que, sendo o corpo um lugar em trânsito, as roupas são a casa que levamos conosco onde quer que estejamos, e são elas que trarão finalmente a busca da sensação de pertencimento”.
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O trabalho manual se destacou na passarela por meio de jacquards de algodão e viscose, desenvolvidos para reinterpretar as estampas e cores da chita tradicional. A confecção das peças mobilizou artesãs em Timbaúba dos Batistas, em parceria com a Casa das Bordadeiras, iniciativa do Seridó potiguar que recebe treinamento do Instituto Riachuelo há quatro anos.
