ENVELHECER FEMININO

Menopausa na periferia: envelhecimento é marcado por desinformação e falta de atendimento especializado

Pesquisa inédita mostra como a desinformação sobre a menopausa convive com a reinvenção e a busca por autonomia de mulheres em comunidades

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O Brasil possui 32,1 milhões de cidadãos na maturidade, e as periferias abrigam mais de 16,3 milhões de habitantes, com uma maioria feminina de 51,7%. Nesses locais, o envelhecimento é marcado por silenciamentos, dificuldades de acesso à saúde pública e exaustão física e mental.

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É o que mostra a pesquisa “À Margem, Histórias de Envelhecimento Feminino” realizada pela Avon Renew. O estudo antropológico mergulhou nas histórias de mulheres que envelhecem nas periferias brasileiras e mexicanas. A pesquisa desafia estigmas e revela a força e os desafios da maturidade feminina em comunidades onde o acesso à informação e à saúde é limitado.

Realizado no primeiro semestre de 2025, o levantamento entrevistou 35 mulheres com idades entre 36 e 71 anos no Brasil e no México. Segundo os dados, uma em cada cinco mulheres vive em áreas periféricas, sendo majoritariamente negras e indígenas. Cerca de 50% delas atuam em atividades informais.

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A invisibilidade da menopausa

A pesquisa aponta que a menopausa é marcada pela desinformação e pela escassez de atendimento médico. Os sintomas incluem calor extremo, ressecamento da pele, melasma e dores articulares, além de irritabilidade, insônia e exaustão.

“Estou enfrentando um climatério precoce, ganho de peso, melasma gritando, cabelo caindo, mexe no físico e no psicológico”, relatou a brasileira Vanderleya, uma das entrevistadas.

Apesar do sofrimento, o tema raramente surge de forma espontânea. As mulheres aprenderam a lidar com as transformações de seus corpos em silêncio, usando a omissão como uma estratégia de autoproteção contra o preconceito social relacionado ao envelhecimento.

A "Beleza Possível" e as estratégias de cuidado

Para aliviar os sintomas da menopausa, as entrevistadas recorrem a saberes ancestrais e redes de apoio, utilizando chás, toalhas geladas e receitas caseiras. A falta de acesso a tratamentos caros não impede o cuidado com o corpo, adaptado à própria realidade financeira.

O estudo destaca o conceito de "beleza possível", com rotinas de skincare criativas e o uso de produtos acessíveis. Isso demonstra que a periferia é um espaço de invenção, solidariedade e potência feminina.

A maturidade é vista por essas mulheres como uma fase de recomeço e libertação de imposições sociais. O envelhecimento se torna uma oportunidade para construir autonomia afetiva e financeira, representando uma fase de reconstrução da identidade.

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“Buscamos ampliar o olhar para as mulheres que envelhecem nas periferias da América Latina e trazer visibilidade às suas histórias”, afirma Tatiana Ponce, CMO da Natura. A iniciativa visa romper o silêncio sobre a menopausa e fomentar espaços de acolhimento.

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