Maestras do grande dia: série do Caderno Feminino lança Casamento em pauta
O primeiro tema será sobre os cerimonialistas e todo o percalço por que passam os noivos aé o matrimônio
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O casamento é o grande sonho de muitos casais. São meses ou mesmo anos de planejamento para que tudo seja perfeito. E por tudo, queremos dizer muita, mas muita coisa mesmo – desde o vestido até a segurança, do buffet à fotografia, da música à decoração. A série “Casamento em pauta”, que se inicia nesta edição do Caderno Feminino, busca justamente passar pelas etapas e decisões mais importantes desse momento tão marcante. Inclusive, já convidamos leitores e leitoras a interagirem conosco e mandarem dúvidas ou sugestões de tópicos relacionados ao universo do casório.
Começamos esta saga com o primeiro passo no planejamento – o cerimonial. É com esses profissionais que as primeiras ideias são esboçadas, o orçamento definido e as expectativas alinhadas. Com tantas demandas e emoções à flor da pele, o trabalho dos cerimonialistas é imprescindível para que o processo seja prazeroso e nada estressante.
Mais que a cerimônia
O primeiro passo é marcar a data, e, em seguida, escolher o cerimonial. Para entender a importância desses profissionais é preciso observar como a atuação vai muito além do dia do casamento, passa pelo briefing inicial e vai até a desmontagem da festa.
Conforme explica a cerimonialista Letícia Bhering, com mais de 30 anos de atuação e hoje em dia à frente da empresa Supernova, a base da profissão é de produção de eventos. “Quando falamos em produção de eventos, precisamos pensar em tudo, desde o transporte de convidados, segurança, até, por vezes, em recursos hídricos ou elétricos”, conta.
“Também precisamos estar sempre conectados com o que há de belo atualmente, com o que temos de tecnologia disponível, de recursos de iluminação, do que temos de arte hoje...”, completa a cerimonialista, destacando o trabalho quase que ininterrupto desses profissionais.
Basicamente, conforme explica Letícia e outras profissionais entrevistadas, a atuação do cerimonialista começa no briefing, na primeira reunião com os clientes, momento em que a “linha condutora do evento é desenhada”. Depois, começa o planejamento e os desdobramentos do que foi definido. Em outro momento, começa a implantação de tudo, entendendo o que será necessário, quantidades, etc. A quarta fase é a operação em si, onde se encontra a cerimônia e tudo que ela envolve, como fotos oficiais, corte do bolo, brinde, abertura da boate, etc.
Novas profissões
Letícia, que conta com mais de três décadas de profissão, chama a atenção para novidades que apareceram ao longo dos anos. E elas vão muito além de tendências, estão relacionadas à chegada de profissionais que antes não atuavam no setor. “O casamento passou a ser uma grande produção. Hoje, contamos com o trabalho do eletricista, do diretor técnico, de um arquiteto, diretor de palco, etc”.
Ligia Ferraz à frente do Bendito Cerimonial, destaca os chamados “storymakers”, profissionais que gravam vídeos e publicam fotos do casamento basicamente em tempo real. “Isso não existia, mas hoje muita gente quer. O imediatismo é muito latente”.
Mais tecnologia
Avanços tecnológicos estão presentes cada vez mais nos casamentos. A cenografia, por exemplo, faz a diferença. O próprio planejamento da festa, que pode ser acompanhado por meio de sites e aplicativos compartilhados com o cerimonial, são uma verdadeira “mão na roda” para os noivos.
Brina Campos e Camila Abrantes, sócias do Mais Amor cerimonial, contam que esse avanço veio para somar muito na empresa. “Esse sistema ajuda o casal a acompanhar as tarefas, e deixa a gestão mais organizada”, explica Brina.
“Também evitamos perder informações importantes no decorrer do processo. Inclusive nós podemos compartilhar isso com fornecedores para que eles captem bem as características e a personalidade do casal”, completa Camila.
Menos é mais
Outra mudança que Brina, Camila e Ligia destacam é a opção por menos convidados na cerimônia, com os chamados mini-weddings, sobretudo depois da pandemia. “Acredito que depois da pandemia, as festas muito grandes deixaram de fazer sentido, os grupos se tornaram mais seletos”, conta a sócia do Bendito Cerimonial.
“Hoje em dia as pessoas querem fazer algo com mais significado, apenas com pessoas que fazem parte da vida delas”, reforça Brina, uma das sócias da Mais Amori. Camila ainda destaca a valorização da profissão do cerimonialista, que passou a ser vista como imprescindível. “Durante um tempo o cerimonialista foi visto como complementar, mas hoje os casais e fornecedores nos enxergam como essenciais”.
Destination wedding
Se um casamento na cidade dos noivos já é uma operação complexa e cheia de detalhes, um evento fora é ainda mais desafiador. Paloma Horta, sócia da Rockstage Produções, é referência quando o assunto são casamentos fora de Belo Horizonte e do Brasil. Ela explica que quem faz eventos fora da cidade, faz em qualquer lugar, mas quem planeja eventos dentro da cidade não necessariamente faz fora.
“Até o timing do serviço é diferente em alguns casos. Os casamentos no exterior geralmente começam sem bebidas alcoólicas, tem um receptivo, um jantar harmonizado e só depois o open bar. Quando fazemos festas de brasileiros nesses lugares, oferecemos comida e bebida do início ao fim, como em uma festa brasileira”.
Quando falamos de um “destination wedding”, isto é, um casamento que envolve uma viagem, outras questões como o transporte e a hospedagem entram em cena. E também está nas mãos do cerimonial o diálogo com uma boa e confiável agência de turismo, a busca por hotéis próximos das festas, indicação de passeios e restaurantes na cidade, etc.
O número de festas também é diferente. “Geralmente são dois ou três eventos que chamamos de oficiais. E existem os extraoficiais, que os noivos não necessariamente proporcionam, como jantares. Nós entendemos que o destination wedding é uma experiência 360”.
Por todos esses motivos, ter uma base e expertise no país ou cidade onde vai atuar, é muito importante para um cerimonialista. No caso de Paloma, ela tem contatos de fornecedores de confiança em várias localidades, o que inclusive elimina a necessidade de transportar tanta coisa da cidade dos noivos para o destino. “Usamos o máximo de fornecedores locais possível, mas já vi clientes que fazem questão de determinado produto daqui, aí a gente leva”.
Diferentes propostas
O fato de conhecer e pesquisar sobre lugares também agrega na escolha assertiva do destino. “Se tomamos Ibiza como exemplo, o Norte da ilha é ideal para festas mais familiares, enquanto o sul se encaixa melhor com casais mais baladeiros”.
Representantes e pontos de apoio em diferentes cidades ainda trazem mais segurança sobre questões que podem nem mesmo passar pelo pensamento de muita gente, como a legislação local sobre transporte de determinados itens ou horário para o volume de som alto.
A arte de lidar com um sonho
Em todas as entrevistas, as profissionais deixam claro que uma das partes mais complexas do ofício é lidar com sonhos e expectativas muito altas, no entanto, todas concordam que, depois de tanto planejamento e dedicação, a felicidade e a gratidão dos noivos sobressai, é combustível que mantém vivo o desejo de exercer a profissão.
É importante ressaltar que, em Belo Horizonte, existem inúmeras empresas de cerimonial de excelente qualidade, e os orçamentos variam de acordo com o tamanho da festa, tanto em número de convidados quanto em coisas que o casal deseja. Tomando como base um casamento para cerca de 150 convidados, um bom cerimonial pode cobrar de R$ de 12 mil a R$ 50 mil, em média.
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*Estagiária sob supervisão da editora Isabela Teixeira da Costa