Marca inspirada no imaginário caipira ganha espaço na cena cultural
Bruno e Luis partiram, desde 2022, para uma exploração mais ampla do tal "imaginário rural brasileiro"
compartilhe
SIGA
É difícil não se encantar com as ilustrações do Arado – que podem estampar cartazes, calendários, camisetas, capas de livros, entre outros itens. Esse instituto de pesquisa e estúdio gráfico, que hoje conta com uma loja on-line e duas físicas, sendo uma no Mercado Central, Centro de Belo Horizonte, e outra em Paraty (RJ), se debruça e se inspira em manifestações culturais e no próprio cotidiano rural do Brasil.
O início dessa história, aliás, se deu em 2018 numa cidade do interior de São Paulo: Queluz. Bruno Brito, artista plástico paulista de Jacareí, começou o projeto tendo como base ilustrações e textos – uma iniciativa mais “conceitual”, mas desde sempre focada na ruralidade.
Mineiro de Alfenas, Luis Matuto entrou como sócio em 2020, levando o aspecto do design gráfico (sua área de formação) e corroborando com o apreço pelo rural e pelo imaginário caipira – algo comum entre ele e Bruno e entre Minas e São Paulo.
Curiosamente, por mais que a conexão entre os sócios do Arado tenha se pautado pelo interesse por esse universo rural, ela teve início graças à tecnologia. “Nos conhecemos em 2011 pelo Flickr e, com a decadência da plataforma, cada um foi para o seu lado. Anos depois voltamos a conversar e vimos que tínhamos esse interesse em comum”, explica Luis.
Exploração ampla
Apesar dessa ligação forte com a cultura caipira, Bruno e Luis partiram, desde 2022, para uma exploração mais ampla do tal “imaginário rural brasileiro”. “Veio essa necessidade de abrir para o interior do Brasil inteiro. Consumimos muitos folcloristas, por exemplo”, conta o designer gráfico.
Leia Mais
A dupla à frente do Arado também enfatiza a proximidade que o meio urbano costuma ter com o rural. “A gente acredita que todo mundo em algum grau tem um ‘pé vermelho’. É muito raro até em grandes cidades que três gerações de uma família sejam da capital”, brinca o sócio.
Álbum da Anitta
Entre tantos projetos importantes que foram assinados pelo Arado – como o desenvolvimento da marca da Xeque Mate e das latas da Mascate Drinks –, destaca-se a recente ligação com a Anitta.
A cantora recebeu de presente um calendário com o tema “Ritos mágicos”, que tinha tudo a ver com o seu novo álbum. Ela ficou encantada com o projeto e pediu que a sua produtora entrasse em contato com eles. Resultado: as capas de todos os singles do álbum “EQUILIBRIVM”, lançado em abril deste ano, entraram para o portfólio de Bruno e Luis.
“O desenvolvimento dessas ilustrações para a Anitta passou por figuras do imaginário caipira e pelo sincretismo, com referências do candomblé também.”
Várias frentes
O Arado – que leva o nome de uma ferramenta tradicional do trabalho no campo – se desdobra em diferentes espaços, propostas e produtos. Enquanto estúdio gráfico, atua no desenvolvimento de identidade visual e construção de marcas; produção gráfica de cartazes, rótulos e demais impressos em geral; criação de embalagens; produção de materiais educativos, diagramação e ilustração de livros, mapas e cartografia etc.
Já em relação à vertente de instituto, existem possibilidades como: cursos e oficinas; podcast; produções textuais; pesquisa de materiais bibliográficos diversos; newsletter; exposições; e ainda o desenvolvimento (em curso) da primeira enciclopédia rural brasileira, composta por verbetes da vida rural no Brasil e iconografias autorais.
Gráfica própria
Hoje, além de todas essas áreas de atuação, o Arado celebra a criação de uma gráfica própria, localizada em Belo Horizonte. Ela conta com equipamentos e máquinas analógicas, das décadas de 1960 e 1970, além de ferramentas mais ligadas a processos artesanais como a xilogravura, a gravura em metal e a tipografia de tipos móveis.
Luis, que já tinha conhecimento de gráfica, conta que máquinas antigas são, além de especiais do ponto de vista de manutenção da memória, mais acessíveis. “Tem gente que vê o que a gente faz em máquinas e fica assustado. Mas usamos a máquina como uma extensão da mão e do pincel mesmo.”
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
*Estagiária sob supervisão da subeditora Celina Aquino