Mais perto do Nordeste: Rio Grande do Norte ocupa passarela do Minas Trend
Marcas do Rio Grande do Norte participaram do único desfile de moda feminina da última edição do Minas Trend
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O som da sanfona já dava pistas de em qual território “pisaríamos”. Depois, as imagens de belas praias projetadas ao fundo não deixaram dúvida. Era a hora de embarcar em uma viagem pelo Nordeste brasileiro. Oito marcas do Rio Grande do Norte ocuparam a passarela da 35ª edição do Minas Trend com o seu regionalismo materializado em tecidos naturais, trabalhos artesanais, flores e pássaros.
O estado participa do evento de moda em Belo Horizonte desde 2013, através do projeto “Natal Pensando Moda”, mas essa é a estreia em um desfile. As oito marcas selecionadas passaram por uma mentoria com a estilista do Rio de Janeiro Isabela Capeto para que pudessem exaltar a riqueza e a beleza da cultura potiguar nas peças. “A gente entende que, para se posicionar no mercado, um pequeno negócio precisa ter identidade”, pontuou a gerente de desenvolvimento setorial do Sebrae-RN Verônica Melo.
Produtora executiva e criativa do desfile, Graziele Coelho partiu dos tons crus para remeter aos tecidos naturais, como linho e algodão, que são muito explorados pelas marcas. O vermelho entrou para representar a fauna e a flora, o azul levou o frescor do mar e o colorido, a alegria e o orgulho de ser potiguar. “A gente trouxe o regionalismo, mas também um quê de modernidade, mostrando que o Rio Grande do Norte é muito rico.”
Havia flores por todos os lados – em um dos looks, elas estavam na roupa, na bolsa, no sapato e nas bijus. Os três looks da Mora exibiam o hibisco. “Tinha um pé de hibisco enorme na frente da minha casa e eu via muitas borboletas indo lá quando era criança”, contou a fundadora e estilista Diana Souza, que buscou lembranças da infância para criar a coleção “Memórias”. Para evidenciar o vermelho da flor, as bases naturais eram no off-white.
A marca chamou a atenção por manualidades como crochê, tingimento, pinturas e bordados, que reafirmam a cultura do feito a mão do estado. “O Rio Grande do Norte tem muitas técnicas manuais que são belíssimas e que a gente precisa trazer para Minas, para outros estados e para outros países”, completou Diana.
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Onde tem flor tem pássaro. Foi o que mostrou a Zaja, do município de Cerro Corá. A marca utiliza o ponto rococó para fazer bordados em jeans, sarja e malha com elementos da fauna e da folha. “A empresa é originalmente uma oficina de costura e está lançando no mercado sua marca própria”, explicou o diretor Zeca Araújo. Na coleção “Raízes que voam”, apareceram jaquetas, bermudas, calças e vestido.
FLORES E FOLHAGENS
Parte dos acessórios eram da Morena Canela, de Claudiane Rocha. “Como uma boa nordestina, amo todos os elementos da minha terra, então gosto de trazer nossa essência e nossas raízes”, apontou, dando o exemplo de flores e folhagens.
Claudiane vem ao Minas Trend desde 2026 e considera o evento “um divisor de águas” na história da marca. Valeu a persistência. “Se eu tivesse vindo em 2016 e desistido, não estaria onde estou hoje. Quando dá 10h da manhã, já tem 50 lojistas nos esperando no estande. Abrimos mercado no Brasil inteiro e hoje atendemos mais de 200 lojistas.” Além de impulsionar o lado criativo, o projeto “Natal Pensando Moda” ajuda as marcas a aumentar as vendas.
Também participaram do desfile as marcas Arrocho (bolsas de crochê contemporâneo), Marvie (alfaiataria com formas orgânicas), Almaju (brincos e colares de sisal) e Vankoke (reinterpretação moderna para o fazer artesanal). Vale destacar o trabalho criativo e colorido da Funlab, com escritos como “oxe” e “valha”, que brincam com o vocabulário potiguar.
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Novidade à vista
Durante o Minas Trend, o Sebrae-RN anunciou que vai realizar, pela primeira vez, um showroom de moda em Natal. O Ginga Moda já tem data marcada – será nos dias 27 e 28 de julho – e reunirá 40 marcas potiguares em um só lugar.