Jesse Owens
Foi como estudante da Ohio State University que Jesse Owens confirmou que o talento revelado no ensino médio estava longe de ser um acaso. Mesmo sem bolsa esportiva, benefício que a universidade não concedia aos atletas na época, rapidamente tornou-se o principal nome do atletismo universitário americano.
A rotina era exaustiva. Para pagar os estudos e ajudar no sustento da esposa, Ruth Owens, trabalhou em diferentes funções. Foi operador de elevador no turno da noite, garçom, auxiliar de biblioteca, frentista de posto de gasolina e até mensageiro no Capitólio do Estado de Ohio.
Os treinos aconteciam entre uma jornada de trabalho e outra.
Ainda assim, Owens continuava quebrando recordes. Em 1935, aos 21 anos, já era apontado como um dos favoritos para integrar a delegação americana que disputaria os Jogos Olímpicos de Berlim.
Poucos meses antes da Olimpíada, protagonizou aquela que muitos historiadores do esporte consideram a maior exibição individual da história do atletismo.
Tudo começou com um acidente.
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Uma semana antes do Campeonato da Big Ten, disputado em Ann Arbor, no estado de Michigan, Owens brincava de lutar com um colega quando ambos caíram de uma escada. A queda provocou uma séria lesão nas costas.
Durante toda a semana praticamente não conseguiu treinar. No dia da competição, mal conseguia entrar e sair do carro sem ajuda. O treinador Larry Snyder e os companheiros precisaram ampará-lo até a pista.
Na tentativa de aliviar a dor, permaneceu cerca de meia hora em uma banheira de água quente antes do início das provas. Nem sequer conseguiu fazer aquecimento.
Os médicos recomendaram que desistisse.
Owens recusou.
"Vou correr uma prova de cada vez", respondeu ao treinador.
Pouco depois das 15 horas de 25 de maio de 1935, diante de um estádio lotado em Ann Arbor, escreveu uma das páginas mais extraordinárias da história do esporte.
Às 15h15, igualou o recorde mundial das 100 jardas ao completar a prova em 9,4 segundos.
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Minutos depois, no salto em distância, precisou de apenas uma tentativa para atingir 8,13 metros, estabelecendo um recorde mundial que permaneceria intacto durante 25 anos.
Sem tempo para comemorar, voltou à pista e venceu as 220 jardas rasas em 20,3 segundos, quebrando outro recorde mundial. A marca também passou a valer como recorde dos 200 metros no sistema métrico.
Na sequência, venceu as 220 jardas com barreiras baixas em 22,6 segundos, estabelecendo mais um recorde mundial, igualmente homologado como recorde dos 200 metros com barreiras.
Quando o relógio marcava 16 horas, apenas 45 minutos depois da primeira largada, Jesse Owens havia igualado um recorde mundial e quebrado outros três.
Nenhum atleta havia realizado algo semelhante.
O desempenho deixou treinadores, dirigentes e adversários atônitos.
O então comissário da Big Ten, Kenneth "Tug" Wilson, resumiu o que acabara de presenciar.
"Ele é uma maravilha flutuante. Parece correr como se tivesse asas."
Aquela tarde consolidou Owens como o maior nome do atletismo mundial às vésperas dos Jogos Olímpicos de Berlim.
Enquanto isso, o cenário internacional tornava-se cada vez mais tenso. A Itália fascista ocupava a Etiópia. O Japão ampliava sua presença militar na Ásia. A Alemanha remilitarizava a Renânia e Adolf Hitler preparava os Jogos Olímpicos de 1936 para transformar o evento em uma vitrine do Terceiro Reich e da propaganda da suposta superioridade da raça ariana.
Diversas entidades defenderam que os Estados Unidos boicotassem a competição em protesto contra as leis raciais do regime nazista.
Os dirigentes americanos decidiram participar.
Sem imaginar, enviavam para Berlim justamente o atleta que, poucas semanas depois, desmontaria diante do mundo o principal mito da propaganda de Hitler.
ONDE NASCEU A LENDA
Em 25 de maio de 1935, durante o Campeonato da Big Ten, em Ann Arbor, Jesse Owens igualou um recorde mundial e estabeleceu outros três em apenas 45 minutos, feito considerado por muitos especialistas a maior exibição individual da história do atletismo.
8,13 m
Marca obtida no salto em distância e que estabeleceu o novo recorde mundial na modalidade. O resultado permaneceu imbatível durante 25 anos.
20,3s
Tempo registrado nas 220 jardas rasas, que determinou um novo recorde mundial, também homologado para os 200 metros.
22,6s
Cronometragem alcançada nas 220 jardas com barreiras baixas que estabeleceu outro recorde mundial, válido também para os 200 metros com barreiras.
"Ele é uma maravilha flutuante. Parece correr como se tivesse asas”
Kenneth “Tug” Wilson, comissário da Big Ten