Irmãos Villas-Bôas com tribos indígenas no Xingu, de 1952 a 1957
Henri Ballot nasceu em 1921, em Pelotas, filho de pai francês e mãe brasileira. Ainda criança, mudou-se para a França, onde cresceu e viveu a experiência da guerra. Durante a Segunda Guerra Mundial, integrou a Resistência Francesa e atuou como piloto da Força Aérea Francesa Livre. Em 1945, sobreviveu a um acidente aéreo na África – único entre quatro ocupantes –, episódio que mudaria o rumo de sua vida.
De volta ao chão, encontrou na fotografia uma nova forma de existência.
- Revistas Life e O Cruzeiro disputam a verdade
- Confronto entre revistas expõe pobreza em fase histórica
Chegou ao Brasil em 1947 e, em 1951, passou a integrar a revista O Cruzeiro, onde produziu cerca de 13 mil imagens até 1968. Sua lente percorreu o Brasil profundo: registrou retirantes nordestinos, rituais indígenas no Xingu ao lado dos irmãos Villas-Bôas, o cotidiano urbano, o carnaval e grandes personagens da vida cultural e política. Em 1961, participou do emblemático confronto entre O Cruzeiro e a revista Life. Após a repercussão da reportagem de Gordon Parks sobre a pobreza no Rio, foi enviado aos Estados Unidos para produzir a resposta brasileira. A reportagem “Novo recorde americano: miséria” expôs a desigualdade em Nova York e marcou o debate sobre os limites da imagem jornalística.
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Nos anos 1970, afastou-se das redações e foi viver na Ilha Grande, onde voltou a voar e passou a produzir fotografias aéreas. Mais tarde, em Santa Catarina, retomou o brevê de piloto. Faleceu em 1997.Seu legado permanece como um dos mais expressivos do fotojornalismo brasileiro – direto, intenso e profundamente inserido na realidade que buscava revelar.
Para saber mais
A obra de Henri Ballot pode ser acessada online em acervos institucionais. O principal é o site do Instituto Moreira Salles, que reúne parte significativa de seu acervo, com reportagens históricas produzidas para O Cruzeiro A plataforma apresenta séries importantes, como registros dos retirantes nordestinos, do Xingu e de eventos sociais e culturais do Brasil nas décadas de 1950 e 1960.
O olhar que transformou a fotografia em denúncia
Gordon Parks nasceu em 1912, no Kansas, Estados Unidos, em uma família marcada pela pobreza e pela segregação racial. Autodidata, começou a fotografar ainda jovem, aprendendo sozinho a transformar a câmera em ferramenta de expressão e denúncia. Sua trajetória foi construída em meio às barreiras impostas pelo racismo – e justamente por isso ganhou força e relevância histórica.
Nos anos 1940, passou a trabalhar com fotografia documental e chamou atenção pelo olhar sensível sobre temas sociais. Em 1948, tornou-se o primeiro fotógrafo negro da revista Life, marco importante em uma imprensa ainda excludente. Em suas reportagens, retratou a desigualdade, a vida nas periferias urbanas e o cotidiano da população negra nos Estados Unidos, sempre com profundidade humana.
Em 1961, realizou no Brasil a reportagem sobre a pobreza em uma favela do Rio de Janeiro, centrada na vida de um menino, trabalho que teve repercussão internacional e gerou resposta da revista O Cruzeiro, no episódio que ficou conhecido como Life x Cruzeiro.
Mas sua obra vai além. Parks também foi cineasta, escritor e compositor. Dirigiu o filme Shaft, que ajudou a redefinir a presença negra no cinema americano, e publicou livros autobiográficos que ampliaram sua narrativa.
Morreu em 2006, deixando um legado que transformou a fotografia em linguagem de resistência, memória e afirmação.
Para saber mais
A obra de Gordon Parks pode ser acessada online em acervos institucionais. O principal é a Gordon Parks Foundation, com fotos e exposições virtuais. A revista Life também disponibiliza reportagens históricas. Museus como o Museum of Modern Art (MoMA) têm imagens em alta resolução, e o Google Arts & Culture reúne exposições online.Vídeos e entrevistas estão disponíveis no YouTube.
www.gordonparksfoundation.org