Durante a Copa do Mundo, os holofotes se concentram nos atletas. São eles que aparecem nas manchetes, protagonizam os lances mais comentados e carregam a expectativa de decidir partidas importantes. Mas quem acompanha o futebol de perto sabe que vencer um campeonato exige muito mais do que talento individual.
A própria Seleção Brasileira sob o comando de Carlo Ancelotti, desde a preparação para o Mundial tem reforçado a importância do coletivo, da divisão de responsabilidades e da construção de um grupo forte o suficiente para não depender de um único jogador.
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No ambiente de trabalho, ainda é comum associar liderança à figura do profissional mais experiente, produtivo ou tecnicamente preparado. No entanto, para a psicóloga e especialista em liderança Janaína Fidelis, um dos maiores equívocos das empresas é acreditar que desempenho individual e capacidade de liderar são competências necessariamente ligadas.
"Existe uma expectativa muito forte de que o líder seja a pessoa que tem todas as respostas, resolve todos os problemas e nunca demonstra insegurança. Mas liderança não tem relação com perfeição. Tem relação com influência, confiança e capacidade de mobilizar pessoas em torno de um objetivo comum", afirma.
A comparação com o futebol ajuda a ilustrar essa diferença. Nem sempre o capitão da equipe é o artilheiro, o mais habilidoso ou o atleta mais famoso. Muitas vezes, é justamente aquele que consegue manter o grupo unido nos momentos difíceis, administrar conflitos e incentivar os companheiros quando a pressão aumenta.
Segundo Janaína, o mesmo acontece dentro das empresas. "O líder não precisa ser o protagonista de tudo. Quando ele acredita que precisa carregar sozinho o peso das decisões, acaba criando dependência e enfraquecendo a autonomia da equipe. Os melhores líderes são aqueles que desenvolvem pessoas e fazem com que cada profissional reconheça sua importância dentro do grupo", explica.
Em um cenário em que o conhecimento técnico se atualiza cada vez mais rápido, características como comunicação, inteligência emocional e capacidade de colaboração passaram a ter um peso decisivo. No futebol, nenhuma equipe conquista uma Copa apenas por causa de um jogador, organizações de alto desempenho também dependem da força do conjunto.
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"A Copa nos lembra que liderança não é sobre ser o melhor jogador em campo. É sobre fazer com que o time inteiro jogue melhor. Quando um líder entende isso, ele deixa de buscar protagonismo e passa a construir resultados junto com as pessoas", pontua Janaína.
