Alimentação

Como a dieta rica em ultraprocessados pode afetar memória, concentração e funções cognitivas antes mesmo da velhice

Estudos em diferentes países passaram a apontar uma ligação direta entre o consumo elevado de alimentos ultraprocessados e o declínio das funções mentais, com sinais que vão da perda de foco à chamada névoa mental. Saiba mais!

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A relação entre o que se coloca no prato e a saúde do cérebro deixou de ser apenas um tema de nutrição para se tornar pauta de saúde pública. Nas últimas décadas, estudos em diferentes países passaram a apontar uma ligação direta entre o consumo elevado de alimentos ultraprocessados e o declínio das funções mentais, com sinais que vão da perda de foco à chamada névoa mental. Atualmente, essa discussão ganha força à medida que crescem as evidências de que o estilo de alimentação moderno pode antecipar quadros de demência.

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Pesquisas epidemiológicas recentes, conduzidas em grandes populações, vêm mostrando um padrão consistente. Ou seja, quanto maior a presença de produtos ultraprocessados na rotina diária, maior o risco de pior desempenho cognitivo. Esses levantamentos acompanham pessoas por vários anos e cruzam informações sobre dieta, memória, atenção e doenças neurológicas. Ademais, o alerta que emerge não se limita à terceira idade; já se observa impacto em adultos de meia-idade e até em jovens. Em especial, em contextos urbanos onde esses produtos dominam o cardápio.

Entre os alimentos ultraprocessados estão refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, embutidos, macarrão instantâneo, refeições prontas congeladas e uma longa lista de produtos industrializados – depositphotos.com / Steklo_KRD

Alimentos ultraprocessados e cérebro: o que essa relação revela?

A palavra-chave dessa discussão é alimentos ultraprocessados, categoria que inclui refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, embutidos, macarrão instantâneo, refeições prontas congeladas e uma longa lista de produtos industrializados. Afinal, eles costumam concentrar altos teores de açúcar, gorduras refinadas, sal, aditivos artificiais e quase nenhum nutriente essencial para o cérebro. Assim, estudos publicados nos últimos anos mostram que pessoas que obtêm grande parte das calorias diárias a partir desses itens tendem a apresentar maior risco de depressão, piora de memória e declínio mais rápido das capacidades mentais.

Essa ligação não é observada apenas por meio de questionários alimentares. Em algumas pesquisas, exames de imagem cerebral indicam redução de volume em regiões ligadas à memória e ao controle das emoções em indivíduos que consomem mais ultraprocessados. A tendência, segundo especialistas, é que essa combinação de má qualidade nutricional e excesso de calorias vá, aos poucos, alterando o funcionamento de redes neurais importantes para o raciocínio, a atenção e a aprendizagem, reforçando a preocupação com a saúde cognitiva ao longo da vida.

Como a neuroinflamação e a barreira hematoencefálica entram nessa história?

Um dos mecanismos apontados por pesquisadores para explicar esses efeitos é a neuroinflamação, uma inflamação persistente em estruturas do cérebro. Quando a dieta é rica em açúcares simples, gorduras de baixa qualidade e aditivos químicos, o organismo tende a produzir mais substâncias inflamatórias. Elas circulam pelo corpo e podem atingir o sistema nervoso central, alterando a comunicação entre neurônios. Esse processo silencioso pode se traduzir, ao longo do tempo, em dificuldade de concentração, lentidão de raciocínio e maior sensação de cansaço mental.

Outro ponto central é o comprometimento da barreira hematoencefálica, uma espécie de filtro que protege o cérebro de toxinas e agentes indesejados presentes no sangue. Dietas baseadas em ultraprocessados, associadas à resistência à insulina, obesidade e desequilíbrio metabólico, tendem a fragilizar essa barreira. Quando ela perde parte de sua eficiência, moléculas inflamatórias e componentes nocivos atravessam com mais facilidade, estimulando danos nas células nervosas e acelerando processos que, com o tempo, podem aumentar o risco de demência precoce.

Nesse cenário, a chamada névoa mental ou brain fog aparece como um sinal frequente. Pessoas que consomem grandes quantidades de produtos industrializados relatam, em alguns estudos, sensação de cabeça pesada, lapsos de memória recente e menor clareza de pensamento. Embora nem sempre esses sintomas evoluam para doenças neurodegenerativas, eles indicam um possível desequilíbrio entre o que o cérebro precisa para funcionar e o que de fato recebe pela alimentação diária.

A falta de nutrientes e os aditivos artificiais afetam a plasticidade cerebral?

A plasticidade cerebral é a capacidade do cérebro de criar e reorganizar conexões, fundamental para aprender, guardar lembranças e se adaptar a situações novas. Essa capacidade depende de um fornecimento adequado de vitaminas, minerais, gorduras boas, proteínas de qualidade e compostos antioxidantes. Nos alimentos ultraprocessados, boa parte desses elementos está ausente ou aparece em quantidades insuficientes, enquanto açúcares, gorduras refinadas e aditivos se tornam protagonistas.

Estudos mostram que a carência de nutrientes como ômega-3, vitaminas do complexo B e antioxidantes pode reduzir a formação de novas conexões entre neurônios e prejudicar a reparação de danos cotidianos. Ao mesmo tempo, adoçantes artificiais, corantes, conservantes e realçadores de sabor são associados, em algumas pesquisas, a alterações na microbiota intestinal e em substâncias químicas envolvidas na comunicação entre intestino e cérebro. Essa combinação de falta de suporte nutricional e presença de ingredientes artificiais cria um ambiente menos favorável ao bom desempenho mental.

  • Açúcares em excesso: favorecem picos de glicose, cansaço e irritabilidade.
  • Gorduras ultrarrefinadas: contribuem para inflamação sistêmica e desequilíbrios metabólicos.
  • Aditivos químicos: podem interferir na flora intestinal, que participa da produção de substâncias ligadas ao humor e à cognição.
  • Baixo teor de fibras: dificulta o bom funcionamento do intestino e da comunicação intestino-cérebro.
Um dos mecanismos apontados por pesquisadores para explicar esses efeitos é a neuroinflamação, uma inflamação persistente em estruturas do cérebro – depositphotos.com / KostyaKlimenko

Por que a saúde do cérebro começa no sistema digestivo?

Nos últimos anos, o conceito de eixo intestino-cérebro ganhou destaque em pesquisas internacionais. A flora intestinal, composta por trilhões de microrganismos, participa da produção de mensageiros químicos que influenciam humor, sono, memória e respostas ao estresse. Dietas ricas em ultraprocessados tendem a reduzir a diversidade dessas bactérias benéficas e a favorecer espécies ligadas à inflamação. Esse desequilíbrio pode afetar diretamente a forma como o cérebro funciona no dia a dia.

Ao mesmo tempo, alimentos mais próximos do estado natural como frutas, legumes, verduras, grãos integrais, castanhas e proteínas pouco processadas fornecem fibras, vitaminas e compostos que ajudam a nutrir essa microbiota. Ao estimular um ambiente intestinal mais equilibrado, essas escolhas alimentares contribuem para reduzir a produção de substâncias inflamatórias e fortalecer a integridade da barreira hematoencefálica. Dessa forma, a saúde mental passa, de maneira concreta, pelo que acontece no sistema digestivo.

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  1. Reduzir gradualmente o consumo diário de produtos ultraprocessados.
  2. Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados em todas as refeições.
  3. Incluir fontes de gorduras saudáveis, como peixes, azeite e castanhas.
  4. Garantir variedade de frutas e vegetais para ampliar o aporte de fibras e antioxidantes.
  5. Observar sinais como perda de foco persistente e névoa mental, buscando avaliação profissional quando necessário.

Os dados disponíveis até 2026 indicam que a relação entre alimentos ultraprocessados, declínio cognitivo e risco de demência é consistente o bastante para justificar uma mudança de postura coletiva. A informação sobre esses mecanismos ajuda a entender por que pequenas alterações na rotina alimentar podem ter impacto significativo na clareza mental de hoje e na preservação das funções do cérebro nas próximas décadas.

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